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Cativeiro

por Closet, em 28.04.10

 

 

Assim são as palavras que nunca dissemos

Presas, encarceradas,

num vidro grosso, transparente

esbarram, matam-se, gastam-se,

num fio de voz que não se ouve, nem se sente.

Assim são as palavras, outrora belas

que nos seduziram, viciaram

e no dia, na hora certa,

nos faltaram

refugiaram-se, enclausuradas

numa máscara poderosa,

firme, orgulhosa,

de palavras usadas, ensaiadas.

Assim são as palavras que nunca dissemos

porque não gritei?

porque entrei no jogo e não quebrei?

Dizia-te tudo o que sentia

naquele crepusculo de dia, no ponteiro acelerado

Aquele espectaculo encenado.

Jogo ridiculo sem vencedor

és um parvo, sabias?

se pensas que morro de dor...

A beleza foi o instante que vivemos,

a lúcida embriaguez

só por mim, num egoísmo,

vivia tudo outra vez,

e no momento final,

Dir-te-ía que o dícifil não sabe melhor

Que as palavras estranguladas, 

num vidro sufocadas em meu redor.

Aquelas palavras que não dissemos,

belas, solitárias,

Ainda as sei de cor.

 

 

 

 

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publicado às 01:34

Algumas

por Closet, em 02.03.09

GeodoAmetista.jpg picture by Dama_do_Lago

Imagem retirada da Internet

 

Às vezes desiludo-me com pessoas. Não todas. Algumas. As que me deixam iludir com elas. Seja como for, a desilusão é sempre uma areia movediça que nos suga assustadoramente. Reajo mal a este sentimento. Petrifico. Transformo-me num rochedo vulcânico, escuro, feio. Não me reconheço. Fujo de mim. 

Talvez para me proteger, fecho-as numa cápsula opaca para não as ver mais. Acredito que desapareceram. Já não me alcançam.

Assim, dou por mim a guardar dessas pessoas as memórias de tudo o que um dia gostei delas. Elas ficam em mim pelo carinho que partilhámos. Guardo o seu sorriso, o seu olhar, os seus gestos e as suas palavras. Sorrio ao pensar nelas. Não lamento nem me queixo. Sigo em frente. No meu caminho elas já não se cruzam.  

 

Assim é esta música que adoro:

Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar.” Livro do Desassossego, Bernardo Soares

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publicado às 21:33


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