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Sou uma cor

por Closet, em 09.02.09

Hoje comprei a revista Elle de Março. Sim, Março, porque uma das formas das revista superarem a crise é provavelmente anteciparem-se à concorrência, e vai daí em Junho já teremos a edição especial de Natal...who cares??

A capa com a Gisele entusiasmou-me, bem como qualquer coisa que diga "Moda", e é sempre bom saber que cada revista contradiz a anterior, e nesta parece que afinal o estilo da nova estação será Pop Rock e Country, whatever... vou estudar aplicadamente, prometo!

Bom, deparei-me com um artigo da rubrica elle psico, com certeza de base super hiper mega científica, que diz "Eu sou uma cor". Pareceu-me bem. Na verdade porque concordei com o que estava escrito sobre a minha cor, porque se não concordasse, goodbye Elle, já estava no caixote do lixo! By the way não comprei em NY um livro giríssimo sobre a relação das cores com os dias de nascimento só porque não gostei do que dizia do meu dia... no way, refaçam a edição e depois eu compro! Se é para gastar dinheiro... que digam bem de mim, sff ;)

Pois que o amarelo é a cor preferida de 5% das pessoas, onde eu me incluo, claro... e ao que parece a maioria é homens... mau... começou mal. Adiante.Transcrevo:

"Se adora amarelo pertence à categoria dos livre-pensadores. As fãs do amarelo são muito tolerantes e abertas em relação às outras pessoas. Gostam de conhecer todo o tipo de pessoas e não abdicam da sua independência. Isto não significa que não saibam amar intensamente quando acham que vale a pena. O estilo laiser-faire parece ter sido inventado de propósito para elas. A sua vida assenta na alegria e na jovialidade. Pensam e agem com rapidez, o que para as outras pessoas pode, erradamente, confundir-se com impetuosidade. Quem prefere o amarelo não esconde o seu optimismo. Estão em luta constante com quem é obstinado e se preocupa demasiado". 

Sinceramente acho que foi escrito para mim... tirando aquela partezinha de pensar com rapidez... até no estilo "laisser-faire" acertaram!! E se há coisa que dá cabo de mim é malta complicada e teimosa... mas esforço-me, quando acho que vale a pena.

No meio da minha leitura telefonei à minha Best Friend e li-lhe a minha cor. A dela é o verde (mais propriamente o verde-limão mas esse pormenorzinho não existia). Acho que é a cor das pessoas-geodos... aquelas que, como diz neste artigo científico "numa observação mais atenta, vemos que esconde muita coisa. (...) Não lhes conseguimos resistir. Apoiam-se nessa característica e transmitem uma sensação de equilíbrio. Mas por vezes tornam-se demasiado sentimentais, até melodramáticas.(...) procuram sempre encontrar um ponto de vista simples e estimulante que lhes permita ter uma visão positiva do mundo". Pareceu-me bem...embora para ela eu acrescentava muito mais coisas maravilhosas, como uma calma e sensibilidade deslumbrante e uma doce fragilidade de sentimentos que se encontra por debaixo de uma redoma de vidro. São pessoas lindas de se descobrir!

E vai daí perguntámos ao marido dela, já com o telefone em voz alta , qual era a sua cor.... "Branco" diz ele radiante... viro e reviro as páginas e upsss "N'um há....".

"N'um há?" pergunta ele estupefacto, é que é arquitecto e percebe mesmo da matéria... "Branco é cor, procura lá." ... Comecei "Há azul, cinzento, verde, cor-de-rosa, encarnado, castanho, amarelo e ... preto". "PRETO?" pergunta ele outra vez..."preto não é cor, preto é ausência de luz". Aí o engenheiro aqui de casa entrou na conversa e defendia com a sua vasta cultura de polímeros, cabos eléctricos e caldeiras fabris em constante manutenção... "Branco é ausência de cor". E continuava "Com mistura de cores pode chegar-se ao preto mas não se pode chegar ao branco". Ser ou não ser cor - eis a questão. A confusão instalou-se... mas eu e a Best Friend estávamos na boa, afinal NÓS tínhamos cor, eles é que não tinham, que se amanhem... Eu admito, não entendo nada do assunto, agora, sinceramente, colocarem o cinzento, aquela cor meio-termo e enfadonha, e não colocarem o branco... não me parece bem. Depois puz-me a pensar, daquela forma veloz que me caracteriza e ahhh... já sei, deve ser por existir tanta gente cinzentona, lá se lê umas larachas agradáveis sobre a personalidade do cinzento, que são fléxíveis, discretos, neutros, há pois claro... não se definem, é o irritante meio-termo, what else?... num gosto :P

Bom, e muito mais haveria a dizer sobre as cores, se quiserem eu envio aqui pelo blog a descrição das outras cores, podem perguntar. 

E lá vou deitar-me ainda numa discussão interessante sobre as 7 cores do arco-íris onde obviamente não há o branco "já viste lá o branco?" pergunta como se o arco-iris estivesse todos os dias escancarado à minha porta... oh God...Just in case vou enviar uma notinha para a Elle sobre o facto de se terem esquecido do Branco, para o meu amigo dormir mais descansado, mas não digo nada ao maridão, shiuuu, ele tem sempre razão, está claro... esta gente das revistas não entende nada de cores e só faz confusão...

Para todos os amarelos e também para os geodos verdes fica aqui esta música linda, afinal amarelo e verde fundem-se na perfeição ;)

Yellow - Coldplay

Look at the stars,
Look how they shine for you,
And everything you do,
Yeah, they were all yellow.
I came along,
I wrote a song for you,
And all the things you do,
And it was called Yellow.
So then I took my turn,
Oh what a thing to have done,
And it was all Yellow.
Your skin
Oh yeah, your skin and bones,
Turn into something beautiful,
Do you know?
You know I love you so,
You know I love you so.
I swam across,
I jumped across for you,
Oh what a thing to do.
'Cos you were all yellow,
I drew a line,
I drew a line for you,
Oh what a thing to do,
And it was all yellow.
Your skin,
Oh yeah your skin and bones,
Turn into something beautiful,
Do you know?
For you I'd bleed myself dry,
For you I'd bleed myself dry.
It's true, look how they shine for you,
Look how they shine for you,
Look how they shine for...
Look how they shine for you,
Look how they shine for you,
Look how they shine...
Look at the stars,
Look how they shine for you,
And all the things that you do.

publicado às 22:56

Fábrica de Histórias

por Closet, em 24.11.08

 

Naquela Tarde

Naquela tarde segui em frente e não olhei para trás.

Ainda hoje me pergunto porquê. Podia ter ficado.
Debaixo daquela árvore escrevemos os nossos nomes, fizemos promessas que sabíamos não conseguir cumprir, desbravámos os nossos corpos loucos de paixão. Foi lá que me perdi no teu olhar imenso, enrolada no aconchego dos teus braços, saboreando os teus lábios. Naquele tapete de relva ficávamos horas abraçados a conversar enquanto afagavas o meu cabelo, até as estrelas romperem o céu por entre as árvores, até o sol nascer outra vez. Eras o meu geodo, uma pedra de uma beleza única e invulgar, incrustada de cristais preciosos. Sabias que isso vale mais do qualquer diploma de universidade?
Costumavas dizer-me para te amar a dobrar, uma vez pelo dia de hoje e outra pelo o dia de amanhã. Nunca percebi realmente o que isso queria dizer, nunca me questionei, mas amei-te sempre o máximo que consegui, com todos os meus sentidos, com o coração no lugar da razão, intensamente.
Todos os dias corria por aquela estrada para te encontrar. Todos os dias estavas lá à minha espera, com um sorriso nos olhos, e uns braços que me pegavam ao colo e me lembravam que cada segundo da minha caminhada fazia sentido. Eu nunca me cansei de viajar.
Mas naquela tarde já não tinhas o sol no teu olhar. Os teus braços não me levantaram, os teus lábios estavam rígidos. Tinha chegado o momento. Aquele que estávamos a adiar. Nunca foste pessoa de fazer planos, eras como um folha caída que esvoaçava sem rumo ao sabor do vento. Se eu ficasse terias de mudar. Eu nunca fui capaz de tomar decisões, deixei-te decidir por mim. Tu abriste os braços e pediste-me para partir e não voltar.
Lutando com os meus olhos quis despedir-me dos teus, das tuas mãos que se entrelaçavam como um íman nas minhas. Pela última vez percorreste o meu pescoço com os teus lábios e incendiaste o meu corpo. Pela última vez não resisti. Que seria da paixão sem química?  
Podia ter ficado mais um pouco. Até estar preparada. Mas sei que nunca estaria. A decisão foi tua. E eu segui em frente, sem olhar para trás. Não sei se derramaste uma lágrima, se deste um passo para me tentar segurar. Só sei que não te voltei a ver.

Passou tanto tempo... E mesmo que hoje me corte a alma lembrar-te, não consigo arrepender-me de cada momento nosso. Aquele regresso, com lágrimas a escorrerem dos olhos e o coração amordaçado, foi o caminho mais longo que alguma vez já percorri. Mas se me perguntasses se queria voltar, muito provavelmente diria “só mais uma vez”.

 

Texto de ficcção escrito para a Fábrica de Histórias

http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/2008/11/24/

 

 

publicado às 21:12


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