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Esperei por ti

por Closet, em 07.12.10

 

«A vida inteira esperei por ti. Mesmo que ainda se não tenha passado a vida inteira» Jorge Reis Sá em Nicola Lovers.

 

Sinto que esperei sempre por ti. Num desassossego infernal. Numa luta diária para esquecer o que sempre soube e nunca quis aceitar. Tu deixaste de amar. A mim. Deixaste-me. E mesmo assim, nunca me cansei de esperar por ti.

Como uma pedra no meu caminho. Fiquei ali parada, naquele tempo morto de alma, naquele deambular abandonado. Com os olhos ausentes no infinito. Parte de mim ficou ali perdida no tempo das "certezas" e do "para sempre"... parte de mim ficou ali contigo, naquela tarde de Domingo.

Tu deixaste-me e eu parti. Destroçada, confusa, descrente.

Por instinto fui seguindo em frente, deixando o vento arrastar-me para onde o destino me levasse. Nunca mais corri, nunca mais perdi-me no olhar, nem lutei por um coração. Talvez porque o meu tenha esperado a vida toda por ti, devotado à mais profunda solidão.

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publicado às 00:32

Espero-te

por Closet, em 16.11.10

 

 

«Eu espero por ti»

repete-se entre o rastejar do chão vazio

por entre passos alucinantes que correm para lugar nenhum.

Ela espera-o, sempre

Confusa pela agitação que roça o seu corpo apressada

vultos sombrios, de rostos baços,

o ruído oco do comboio que se aproxima.

Levanta-se, para voltar a sentar-se.

«Não vens»... pensa «não neste, ou no próximo, mas sei que vens,

eu espero-te, sempre aqui»

Como um louco sem-abrigo que faz greve de fome,

Como um cão de caça que fareja e persegue por instinto

Espera-o num voto sem sorte

sem rumo ou destino

apenas espera-o,

porque ainda o traz debaixo da sua pele

porque o seu sangue ainda lateja de desejo nas veias

espera-o, destemida

naquele banco de madeira gasta, esquecido

corroído pelos ponteiros do relógio

Repete «espero-te»

até ao último folgo de vida. 

 

 

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publicado às 01:12

Dor de espera

por Closet, em 27.10.10

 

Há uma dor de espera acorrentada a um beco sem saída.

Pronfundo, imenso, gigante.

Não é saudade de uma dor antiga, fustigada pelo cansaço do tempo, envelhecida.

É uma dor recente, de uma espera nova. Ou rejuvenescida. Doce e insana. Dormente. 

De um tudo pefeito, que se desejou tanto e nunca aconteceu.

Há uma dor de espera enorme, dividida. Entre o que se quer e que nunca se poderá ter.

É uma dor encarcerada noutra vida, perdida, também presa de dor.

A dor que espera, e desespera.

Que anseia e receia.

A dor de embrutecer sem saber. 

Há uma dor de espera, descontrolada. Louca, irrompe o corpo, desventra o desejo incontido.

Inflama, rasga a carne, cicatrizada pelo fel da vida

Ferida, da espera acorrentada, que sangra pelo que não foi.

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publicado às 23:42


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