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Regresso às...

por Closet, em 06.09.10

 

E já começa mais um ano escolar.

Os Ninjas voltaram após 3 semanas de férias com os avós.

Com eles também voltaram os horários e as obrigações "momy, não arrumo nada, nadiiiinha"... "não quero ir para a cama?? é cedo..."...

De certa forma é um recomeçar, reorganizar sonos, rotinas... uma sensação que se está a rebobinar a vida, desta vez a uma velocidade mais lenta, mais calma. Porque a idade também nos trás a experiência de combater ansiedades, gerir o tempo, compreender o ritmo e a evolução. Os Ninjas estão crescidos... (aiii, tou velha!!) e este ano preparo-me para chorar baba e ranho com um finalista da Infantil e outro da primária...sim, eu sei que vou chorar mais que eles!! who cares?

 

Daqui a uma semana também eu regresso às aulas! De mais um curso de escrita, desta vez anual, "à séria", portanto! Espero que não me obriguem a escrever mais um pouco sobre a saga dos Lobisomens... no way, enough! A turma esgotou logo em Junho ... E não sei quantos somos, nem conheço ninguém, na verdade sei... rien, só tenho o calendário das aulas, e chega-me! Lá estarei às 2ªs feiras a criativar-me!!

 

Por agora apetece-me apenas um "estar semi-acordada", levando o dia-a-dia devagar, sem grandes exigências. Acompanhar de perto as conquistas dos meus Ninjas, partilhar os pequenos grandes momentos com familia e amigos e saborear aqueles devaneios só meus, de entrega às minhas personagens... (que sim, eu sei que não existem, e eu por vezes falo nelas com se fossem de carne e osso e fica tudo a olhar para mim como se eu fosse um allien... pfff... é nessa altura em que a vontade de me recolher para dentro da concha toma conta de mim, e o silêncio torna-se o meu melhor amigo).

Anyway... como diz a música Fire with Fire... E eu não vou mudar!

Como Emma dizia no livro "Um dia" de David Nicholls:

«O segredo, disse para consigo, é ser corajosa e arrojada e fazer alguma diferença. Não é exactamente mudar o mundo, só aquela parte à sua volta. (...). Mudar vidas por meio de arte, talvez. Escrever coisas belas. Estimar os amigos, manter-se fiel aos seus princípios, viver apaixonada e plenamente e bem

 

 

 

publicado às 00:39

Coisas que destestamos nos Homens

por Closet, em 01.09.10

Bom, começo por avisar que este é um post para rir, atenção! Nunca fui feminista, nem me imagino em manifestações a queimar soutiens (no way, adoro lingerie) nem a proclamar por igualdade entre os sexos... tststs... na verdade acho até muito bem que sejam eles a carregar com as malas, a abrir a porta do carro, a deixarem-nos passar primeiro e a pagar os jantares!!

 

Mas, no seguimento de um mail para os meus amigos surgiu esta "crónica" inspirada, quiça, naquelas pequenissimas lamúrias que nós, Mulheres, por vezes (muito poucas) temos sobre as atitudes do sexo posto!!

 

Então, aqui fica, provavelmente, o último post que terá acesso a comentários sem aprovação... veremos os insultos!!! Mas como todos os diabos têm sorte, quase todos os meus visitantes são do sexo feminino, ou seja, estou safa!

 

 

 

Coisas que detestamos nos Homens

 

Não, não pensem que me ficaria por coisas tão básicas como, "o nosso aniversário de casamento", pois os nossos paizinhos fazem questão de perguntar atempadamente "o que vão fazer? querem que a gente fique com os miudos?" ou algo semelhante; nem tão pouco "o nosso próprio aniversário" já que nós somos as primeiras a assegurar que eles não nos vão dar um mamarracho qualquer e durante árduas semanas tentamos, com todas as nossa forças, desviar a atenção deles da TV para aquele catálogozinho de roupa, ou mostrar uma publicidade a um relógiozinho novo, enfim... manobras efectivamente necessárias (ou acabamos o nosso dia a receber um par de microfones Sing Star que, by the way, nem sabemos ligar...).

 

Também alegrem-se que não estou a falar do "Dia de São Valentim", esse miserável que decidiu inventar um dia para "ah e tal beijinhos e flores e presentes"...quando ainda por cima é dia de um jogo de futebol importante, "raios parta o santo" resmungam... mas isso seria muito óbvio, afinal há todo um marketing à volta do dia, as lojas enchem-se de coraçõezinhos, a radio, a TV ... na semana antes deste dia eles são bombardeados com "O" dia dos namorados e só em raras excepções (raras atenção, não digo nenhumas) eles efectivamente ignoram este dia e vão de facto a... por exemplo, um jogo de futebol (quem é que já não adormeceu com uma lingerie novinha vermelho-paixão e agarrada a um cartão de coraçõezinhos enquanto o marido vibrava no SLB??? ok...provavelmente só eu... sorry adiante!!)...

 

Mas, finalmente, indo directo para o que efectivamente nós detestamos nos homens... tchanananan
é eles esquecerem-se de NÓS (e atenção que não estamos a falar das chaves do carro, nem do telemóvel, by the way, este último eles não perdem de vista!)... de Nós - as suas Mulheres -  nas situações mais inócuas, despropositadas e ridículas.
Veja-se, por exemplo, estamos de férias a arrancar para a praia e voltamos atrás a casa para buscar algo que nos esquecemos e... temos vontade de fazer um xixi... assim, um xixizinho... (não é um esguincho rápido como eles, ok, somos mais demoradinhas... so what? mas é um xixi) e quando saímos da casa-de-banho olhamos para um lado, para o outro, silêncio..."querido... iuhuuu"... e NADA... e da janela vemos o nosso marido a arrancar no carro com ligeireza e descontracção convicto de um dia bem passado. Temos a nítida sensação que olha para o lado e deve pensar "parece que falta aqui algo...humm... deixa ver... não, o telemóvel está aqui" e lá vai ele sorridente. Corremos para a porta desesperadas para depararmo-nos com a realidade cruel, ele não só se esqueceu efectivamente de nós como nos trancou a porta, enclausurou-nos num lindo dia de sol das nossas férias tal qual rapunzel nas masmorras de uma torre... Haja mulheres para lhe perguntarem por nós à chegada, para sentirem a nossa falta... "ahhh... hummm... ela não está aqui? não veio com alguém??...upsss... será que ficou em casa??"...

Pffffff

Claro que há casos mais graves, como deixar-nos numa bomba de gasolina na auto-estrada a ver revistinhas sem mala nem telefone e quando voltamos para o carro... "ohhh... eu ía jurar que o carro dele estava aqui..." desesperadas, lá temos de esboçar o nosso sorriso mais cândido e arranjar boleia de um camionista!! Mas este é outro capítulo!
SIM, são estes momentos únicos com que não sonhamos antes do casamento, do namoro até... mas que tornam a raça masculina tão obviamente... interessante.
(qualquer semelhança com factos reais é pura coincidência!!)

 

(Thank God que isto é um Blog e não um Stand Up comedy... já estaria a ser aremessada com ovos e tomates!!)

publicado às 01:02

Quase...

por Closet, em 28.07.10

 

Vou de férias amanhã...

Vou para longe, a 9 h de vôo, com amigos e com os meus três homens (sim, os ninjas também vão!).

Confesso, estou a precisar muitooooo de uma certa distância física.

 

E como comprei a minha e-pen darei largas à escrita, no avião, na piscina, numa esplanada... a minha manta de retalhos começa a tomar forma, a unir-se as pontas soltas. Ao meu jeito desorganizado, começo a traçar um rumo na personagem principal. Ela ainda não tem um nome, nem um rosto, mas tem histórias embrulhadas num novelo de romances entre a paixão e a razão. Todos os personagens tropeçam na vida dela da forma mais imprevisível, porque o amor não se planeia, não se escolhe, nem nos bate à porta... ele acontece no momento e no local mais inesperado, da forma e intensidade com que nos predispusermos sentir. Para que ele aconteça, é preciso estar desperto para receber e é também importante saber e querer dar. Pretendo reflectir bastante sobre este assunto por lá.

João, Vasco, Pedro, Rui e Miguel, são os protagonistas. Porto, Lisboa e Nova Iorque são os locais. O enredo está na minha cabeça e em páginas que já estão a ganhar corpo. Sempre fiz poucos planos para mim, nunca tive uma ambição minha, mas hoje sei, com toda a certeza, que vou levar este projecto meu avante. Tão só porque me faz feliz escrever. Para vocês daqui que me lêem, vou colocando pedaços em bruto dos meus retalhos no blog gémeo: naminhacabeça.

 

OK... passando à parte interessante do post!! Actualizei a minha AVATAR para o ambiente de férias (ok, eu não sou assim magrinha...pronto!):

Levo  na mala para o México:

5 vestidinhos para a noite (compridos da moda, e outros de alças curtos)

2 saias para usar com tops por estrear!

2 havaianas de cunha...(faço questão de andar sempre a uns centímetros do chão) e 2 sandálias de salto para a noite.

vestidinhos de praia, calções curtos e conjuntos de tops de alças

hum... bolsas... pouchetes de tiracolo que comprei na Segue

1 chapéu de abas largas (acho que lá vou encontrar uns quantos giros)

cadernos para escrever e desenhar!

Livros:

- "A Invenção de Morel" de Adolfo Bioy Casares (que já estou a ler)

- "O elefante evapora-se" - contos de Haruki (para não ter suadades dele!)

- "Nada mais feminino" de Louise Bagshawe, um história sobre uma mulher que não quer crescer (oferecido pela minha irmã que, by the way, dá aulas de psicologia e... bom, no comments...)

- "Antologia poética de Pablo Neruda" porque vou precisar para um dos personagens!

- "Ensaios de Amor" de Alain Botton para reler algumas partes, se precisar.

 

Enough!

publicado às 00:41

speech quê??

por Closet, em 18.07.10

Depois de 3 dias de festa e 4 bolos de aniversário!...(sim porque aqui somos como a raça cigana, um dia de festa é pouco!), tenho um Domingo caseiro, familiar e entregue à minha escrita... sabe bemmm!

 

E como sou muito old fashion e passo a vida a rascunhar em cadernos... pois já andámos a ver a "E-pen mobile" e esta tarde tentámos a novidade linda do Windows que nos disseram ontem, tchananan... Speech Recognition... UAU!

Pois que já estive para aqui a falar para o PC mais de meia-hora, para que ele se "habitue" à minha voz de rouxinol, para que a reconheça, tal e qual aqueles discos de vinil antigos para aprender a falar inglês à distância, assim estive eu a debitar disparates com o Tutorial.... "Start the text", "I was born in...bábláblá"... pois que tudo aquilo em inglês...

Foi uma boa forma de treinar a língua sim senhora, falar clear and loud, very good dictation...oh God...

Depois de tudo aquilo descobri que apenas tenho instalado a versão em inglês (e com a minha excelente pronuncia, saliente-se), terei de passar a escrever em inglês que, by the way... eu digo "live" e ele escreve "leave", "give up" ele escreve "get up"... pffff

Stupid things called...tecnology!

 

PS: My dear friend flying to Letónia right today... que ontem falaste desta bela ferramenta do windows... encontra lá um programa de download para português, sim??? é que aqui a "Je" gostou da ideia de não ter de dedilhar o teclado, ir para a cama mais cedinho...mas ainda não está a pensar em carreira internacional...get it?? !!

 

publicado às 19:01

Nascer...em retalhos

por Closet, em 09.07.10

 

Hoje vou escrever sobre mim...pode ser??

É que acabei o meu curso de escrita hoje e já estou com saudades (ok, já estou inscrita no curso Avançado anual que começa em Outubro!!)... e na verdade tenho de entregar um trabalho final sobre um dos trabalhos que já fiz, mas desenvolve-lo mais... o professor insiste para o conto do lobisomen, que tem muito potencial assim num misto viagens-terror... Ainda hoje estou para saber de onde tirei aquela ideia absurda... mas pronto, give up, lá dou por mim a pesquisar coisas horrendas sobre lobisomens.. E era o que faltava para aprimorar a minha cultura geral "filho, não sei o nome dos reis portugueses, nem as capitais da Europa, nem os nomes dos nossos ministros, mas sei tudo sobre lobisomens...". Just me!

 

E no rodopio da minha vida, hoje visitei um bébé lindo, que sinto um bocadinho meu (sorry buddys, não no sentido efectivo da coisa, claro!!...), e no regresso andei meio perdida na maternidade... quem diria?? E só pensava que ali nasciam "vidas" e em como é bom "nascer", começar algo do zero, como uma parede branca pronta para ser salpicada de cores, como um piano ansioso pelos dedos mágicos capazes de nos embalar numa melodia... Começar um sonho com a paixão e o fulgor da 1ª vez. Sim, senti o aroma da felicidade e fiquei contagiada (já tenho um capítulo nos meus "Retalhos" passado em...guess what?? Soho- NYC !! Váaaa).

 

A vida é feita de momentos, não tenho qualquer dúvida, e por isso os planos a longo prazo não me interessam para além do essencial...vivo o presente. Afasto os momentos negativos, abraço os que me fazem feliz e os que consigo também fazer feliz alguém.

E rodeio-me de histórias que invento (não é de hoje, sempre fui uma "inventora de histórias" apenas agora dedico-me mais seriamente a elas)... e a cada dia surgem-me ideias para mais histórias de encontros e desencontros, de vidas atropeladas por cilindros gigantes de egoísmos, inseguranças, orgulhos e fraquezas... assim é o mundo complicado lá fora...

Nos meus Retalhos choco numa esquina com uns olhos cor de mel, uma paixão da juventude, divertido e original, que hoje é um ser triste que vive um casamento à beira do esgotamento; conheço à força um ex-vizinho de uma amiga, um desgrenhado arquitecto e professor de desenho, que pinta por paixão, e as suas mãos tocam como numa dança, sensuais, ao som das suas palavras; depois há uma paixão fulminante em Soho, com um empregado de mesa desligado da vida e de compromissos, que canta à noite num bar embriagando-me com a voz que susurra aos meus ouvidos; um divorciado pela segunda vez que bate no meu carro e arrogante e convencido, diz que paga se eu aceitar jantar com ele...(eheh!!) este é fisicamente magnético, intelectualmente repulsivo, mas os seus beijos deixam um sabor insaciável a mar salgado, selvagem e agressivo,... e há mais!! Working...

 

Enquanto crio estas histórias, desfaço-me de outras... como diria um escritor, que não me lembro o nome, "mato os fantasmas que há em mim", liberto-me do que me faz infeliz, como uma cobra que vai largando a pele. Largo aos poucos algumas desilusões, desejos insatisfeitos, sonhos enterrados... o que importa é fazer algo que nos faz feliz, mesmo que aos outros pareça insano, ridiculo e insignificante. Sempre gostei de gente estranha... não me estranhem neste post!

publicado às 00:46

Emplastro

por Closet, em 27.06.10

Na semana passada voltei à minha cruzada na fisioterapia... já ando com exames para cá, exames para lá, há meses, caixas de antinflamatórios (tenho a sensação que já experimentei todos os do mercado)... até que diagnóstico feito...guess what? 20 sessões de fisioterapia no braço e nos pulsos... bom, à falta de me substituirem ao estilo de robocop, já não me queixo...

A mesma clínica perto do trabalho, lembram-se de mim, simpáticos... o mesmo Fisiatra... a mesma conversa de surdos-mudos.

- Jogou ténis quando era nova não foi?

- Não, nunca joguei ténis, só volei.

- Tem a certeza? Nem assim quando era mais novinha?

(o que é que ele não percebeu na minha resposta?? Ou estava a insinuar que eu era uma velha em estado avançado de alzeihmer que não me lembrava se tinha jogado ténis???)

- Não, eu nem sei jogar ténis, só raquetes na praia e vá, badminton..

- Ahhhh ... então não jogou mesmo ténis...

Pffff...

Bom, ao que parece são os tendões do cubital que estão inflamados e é típico dos tenistas... qualquer coisa assim...não perguntei pormenores já que ele não se mostrava muito confiante de que eu lhe estava a dizer a verdade...

O meu terapêuta Rui já não pára por lá, com muita pena minha após semanas de tortura intensa... mas os companheiros de passo caracol e cheiro a naftalina continuam por lá, com os seus sorrisos desdentados e conversas sobre as mais variadas reumatites, lombalgias, paralesias, tromboses...e tudo o mais que eles teimam em me contar...

No rol dos meus medicamentos e acessórios de ortopedia... passou-me também uns emplastros, que não são nada mais, nada menos que pensos com antinflamatório que ficam colados nas zonas lesionadas durante 24h...  Confesso que nunca pensei em utilizar aquilo, sou um pouco descrente... mas hoje acordei com formigueiro no braço todo e com uma dor a latejar no cotovelo e resolvi experimentar o dito emplastro... mais emplastro menos emplastro ... who cares??  

By the way, melhorei... não fiquei sem dores, mas reduziu bastante pelo que fiquei zonza a olhar para o adesivo coleante... wonder if... se desse para aquilo colar-se na testa para não pensar em chatices, nos olhos para não ver o que não queremos, na boca para ficarmos calados quando devemos, no peito para não sentir o que nos faz mal... aho que um emplastro assim milagroso tinha sucesso garantido...never know...

 

publicado às 23:21

Eram muitas vezes...

por Closet, em 20.06.10

Cresci a pensar que todas as histórias começavam com “Era uma vez…” e, invariavelmente, terminavam com “ viveram felizes para sempre”.

Na verdade acho que bem cedo comecei a desconfiar deste chavão “era uma vez”, quando eu própria me desdobrava em múltiplas personalidades e estados de espírito. Nunca me contentei em ser apenas o meu nome, sempre detestei rótulos, como poderia aceitar o “era uma vez…”? Uma única vez? E o meu Eu-viajante? E o meu Eu-actriz? E o meu Eu-escritora? E o meu Eu-pintora? ... Demasiados Eu(s) conviviam dentro de mim e ainda acho que a necessidade de optar é cruel e inútil.

Também depressa fui percebendo que na vida real os finais não são assim tão lineares, que as histórias não são simples e que o próprio conceito “feliz” é ambíguo, diria mesmo híbrido.

Se é porque as pessoas mudam, transformam-se, querem outras coisas, a verdade é que não existe uma justificação clara de como será possível uma história real desenrolar-se com a certeza que o seu final será “foram felizes para sempre”. E mesmo nessas hiostórias que nos contavam em pequenos, a história acaba aí, como se fosse a sua morte.

Por isso também desde cedo detestei o planeamento a longo prazo e convivi alegremente na minha organizada desorganização diária, nas surpresas que me reservava o dia a dia, as pessoas que ía conhecendo, o mundo que se abria a meus olhos.

Percebi que todas as histórias são inventadas. Se não fossem inventadas não seriam histórias. A partir do momento em que são contadas, reinventam-se, crescem, tomam vida incontrolável. A vida de uma história.

Eu sempre gostei de inventar histórias. Transpira-las por todos os poros do meu corpo. Ausentar-me de mim por instantes para construi-las. Mas nunca pensei em escrever livros. Na minha cabeça sabia que ía aborrecer-me rapidamente das personagens ao fim do 3º capítulo. Ía fartar-me da história a meio. Um livro tem muitas páginas para uma das minhas histórias.

Se este desejo foi crescendo dentro de mim, foi a vida a fazer-me mudar de ideias e se, por acaso, acontecer algum dia escrever um livro, será talvez por obra do destino (que, vendo bem, não acredito que isso sequer exista). Poderia ser daqui a uns meses, anos, ou nos últimos dias da minha vida. Não interessa. Esse desejo está a crescer e a tomar forma, uma forma naturalmente desorganizada, por capítulos que são histórias. Como as sinto e vejo, como as vivo e invento.

E se algum dia escrever um livro meu começará certamente por “este não é um livro sobre uma história. Não é sequer uma história, são retalhos, que eu criei para mim”. Bom… estou condenada ao insucesso está visto!!

publicado às 19:28

stories about love

por Closet, em 14.06.10

 

 

Nestes últimos dias inundei-me de filmes... há alturas assim… apeteceu-me apenas “ver” e não pensar ou escrever.

Fui ao cinema ver o Sexo e a Cidade II e aluguei 3 filmes: Fame (por motivos “quase-profissionais” já que é o tema da festa do meu filho…ok, ele baldou-se a meio do filme e a musica da festa não apareceu sequer no filme pfff) , 500 days of Summer (que já estava na minha lista “must see” e depois da ‘Na ter postado eu decidi “é desta!”) e o Playboy Americano como o meu Ashton Kutcher, que me tinha passado no cinema e, by the way… ainda bem…

 

Fazendo um remix dos filmes (e retirando o Fame), os outros 3 centram-se invariavelmente nas relações de amor, ou na dificuldade em

estabelecê-las, mantê-las e ser feliz com elas.

 

No Sex & the City II (para além de um expectável desfilar de guarda-roupa, quanto a mim, de gosto questionável… oh God, o vestido da Samantha com bicos nos ombros no Karaoke … bom, salvou-se os sapatos da Carrie altos e compensados que encheram-me os olhos, pronto!)  assistimos a um casamento em rotina (hey... are they human??!!). A nossa Carrie e o seu Mr Big entraram na rota onde “a faísca” não existe todos os dias e os jantares e festas de glamour são trocados por serões de comida encomendada a ver televisão no sofá e… na cama… Questionam-se sobre as diferentes necessidades e expectativas diárias individuais e na possibilidade de terem, um dia por semana, para cada um isolado, em casas separadas, para fazer o que lhes apetecer… O que à partida parecia assustar e até ser alvo de crítica, acaba por se revelar  importante para quem menos esperava. Poderá ser uma "solução" nos dias que correm!!

 

Em 500 days of Summer o slogan diz tudo"this is a story about love, not a love story"... temos um rapaz que se apaixona por uma rapariga, que cataloga como "the one". A rapariga gosta do rapaz  mas não acredita no amor “There’s no such thing… love is a fantasy” e apenas quer, sem compromissos sérios, aproveitar os momentos do dia a dia… O rapaz está obsessivamente apaixonado e por isso vive a desilusão daquela não-relação e consequente perda em completo sofrimento. Até compreender que … a seguir ao Verão pode chegar o Outono, se ele estiver disposto a abrir os olhos e os braços para o receber. Very nice :)

 

No Playboy Americano…bom, espremendo algo para além da criatura escultural  e maravilhosa que é o Ashton (e sim, aqui podemos aprecia-lo ao natural...apesar do brinco e do estilo não fazer o meu género...)… assiste-se a uma ausência total de sentimentos de pertença, de qualquer tipo de vínculos e da percepção sequer do significado da palavra “amor”… Este filme é para quem vive fechado em si mesmo e foge de uma vida partilhada, renuncia o conceito "nós" e tudo o que ele pode implicar... talvez para quem vê a vida a dois como uma âncora e não como um balão de ar quente capaz voar. Enfim, para quem ainda está a dar os primeiros passos no verbo amar!!

Não querendo ser moralista… só não é feliz, quem não quer arriscar.

publicado às 01:21

Nervo-Perfeito

por Closet, em 04.06.10

 

Sabem aqueles dias em que todos à nossa volta parecem loucos e depois no fim sentimos que o louco somos nós?? Hoje foi o dia...

 

Era um dia de férias, que à partida sabia que não seria propriamente de férias...mas pelo menos seria sem ir ao trabalho... Bom, comecei de manhã por assistir ao ensaio com o professor de ginastica ao FAME, o tema escolhido para a festinha do fim do ano do meu filho mais velho (isto porque a professora vai ter bébe a qualquer momento... e achei por bem ver como aquilo estava...não que o tema seja difícil, não, não...nem a letra, nem dançar aquilo...não, não... by the way, oiço no carro a musica 3 vezes todas as manhãs e ainda não consegui decorar tudo..pffff)... anyway, o professor de 1,90m e que é chefe-mor de karaté... estãoa imaginar a pinta... deu-me o esquema para a mão e quase me passava o testemunho... hello?? eu não sei o esquema... bom, lá assisti, pedi para fazer uma alteraçãozinha de saltos de sapos que não me pareceram ter algo em comum com a musica.... e tentei assimilar  máximo que consegui do esquema "Abre-Fecha-Rotação-Salta" and so on...

Surripei-me 1h30 para a uma esplanada da praia a ouvir musica e rabiscar um pouco e às 14h novo ensaio já com a professora... Mais FAME.. again, and again and again... confesso que a musica já me causa náuseas...(e ainda falta muito até dia 18...) I can do it.

 

Hoje tinha marcado (leia-se que levei 2 meses para conseguir marcação) a electromiografia ao braço... uma coisa qualquer esquisita que inventaram antes de eu iniciar a fisioterapia...whatever... E lá fui eu para o Hospital que destesto, onde as escadas rolantes fazem sempre o favor de estarem ao contrário só para eu tropeçar nelas (ainda acredito que é prepositado para arranjar mais doentes)... anyway, cheguei à Imagiologia e, apesar de estar escrito na prescrição Imagiologia,..."Ahhh... mas isso não é imagiologia, é na sala de exames especiais"...what?? pffff... confesso que comecei logo a achar que aquilo não era bom sinal....

Para meu espanto, há um monte de gente a fazer exames especiais... o que não os deve tornar assim tãoooo especiais.. tiro senha de admissão e espero, espero,.. até que vem um médico chamar-me... não interessava eu ainda não ter feito a "admissão"... ele tinha pressa. Bom, nesse caso, eu também, e lá fui atrás dele.Tinha talvez 32 anos... ou 35 como eu...não sei. E lá começou a electrocutar-me o braço esquerdo de cima a baixo...

Depois passa para o braço direito, e começa a loucura "Fantástico, fantástico" repetia.... Tentei dizer-lhe que aquele braço não era o que me doía, era o direito... mas ele nem queria saber, media-me, electrocutava-me, media-me... e continuava feliz "está a ver? este é o meu record, nunca inha tido estes valores antes? deixe-me gravar"... (naquele momento já pensava que, para além das dores no braço direito, tinha uma qualquer aberração no braço esquerdo).

Ainda a medo lá o interrompi "desculpe, mas é fantástico o quê?? é o braço direito que me doi..."

E foi então que ele me explicou que tenho os nervos do braço esquerdo a 100%, só 0,01% da população tem e que nunca tinha visto um braço tão perfeito "a curva até sai do computador, vê?"... (UAU...que honra, pensei...) Acenei-lhe com a cabeça e ainda tive a certeza que aquela curva devia-se à massa gorda em excesso do meu braço... mas não quis estragar-lhe o seu momento de glória! E continuei "Desculpe, não estou a perceber o que isso significa..." (na verdade, senti-me uma cobaia e já imaginava o meu braço a ser amputado para ficar para estudo no hospital...).

Ao que parece, os nervos do meu braço estão a funcionar a 100%... "quer dizer, se me apetecer dar uma galheta, o braço salta logo em 2 segundos?" perguntei... Pois que é mais ou menos isso, aplicado ao braço... Interessante...

Ainda lhe perguntei se me fazia o exame em mais alguma parte do corpo... just in case...

 

E pronto, à falta de melhores qualidades, sei que tenho um braço esquerdo 100% Nervo-perfeito... not bad.

 

publicado às 23:44

Rotas

por Closet, em 25.05.10

 

Há 10 anos que faço o mesmo percurso matinal, apanho o comboio e troco nas mesmas estações de metro. Ainda assim, com o comportamento habitual de piloto automático, não há semana em que não me engane numa saída qualquer e quando dou por mim estou 2 ou 3 estações à frente… Não porque adormeço (pelo menos, não na maioria das vezes!) mas porque insisto em aproveitar aqueles 45 minutos de trajecto para fazer 300 coisas em simultâneo, entre ler, beber aguar, escrever, ouvir musica e por vezes falar ao telefone…. Na maioria das vezes consigo fazer estas coisas com sucesso… outras, confesso, que o aparato que instalo nas minhas saídas abruptas da carruagem do metro, deixando cair o livro, a garrafa de água, o lápis que rebola para baixo do banco, o fio dos phones que fica preso no livro vizinho do lado…enfim… aquela panóplia de coisas interessantes que não consigo evitar com o meu habitual ar aluado…don’t care.

 

Por mais rotas que existam, por mais vezes que as percorremos num automatismo robotizado, … por um ou outro motivo, há alturas da vida em que sentimos uma necessidade visceral em sair da rota habitual. Como se nos sentíssemos a afogar, sugados para dentro do mar revolto, e nos debatêssemos por chegar átona da água… Saímos, ainda inconscientes, de rompante, e sentimo-nos no início perdidos, sem saber se deslumbrados com a novidade, se assustados com o desconhecido.

 

Sair da rota é, por vezes, tão necessário como respirar…

Quebrar um silêncio que nos sufoca, arriscar um caminho em contra-mão, entrar em cruzamentos sem hesitar… perder-se também faz parte. Andar à deriva por um tempo. Essa é talvez a melhor parte de fugir a uma rota em colisão. 

 

publicado às 11:12


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