Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Eram muitas vezes...

por Closet, em 20.06.10

Cresci a pensar que todas as histórias começavam com “Era uma vez…” e, invariavelmente, terminavam com “ viveram felizes para sempre”.

Na verdade acho que bem cedo comecei a desconfiar deste chavão “era uma vez”, quando eu própria me desdobrava em múltiplas personalidades e estados de espírito. Nunca me contentei em ser apenas o meu nome, sempre detestei rótulos, como poderia aceitar o “era uma vez…”? Uma única vez? E o meu Eu-viajante? E o meu Eu-actriz? E o meu Eu-escritora? E o meu Eu-pintora? ... Demasiados Eu(s) conviviam dentro de mim e ainda acho que a necessidade de optar é cruel e inútil.

Também depressa fui percebendo que na vida real os finais não são assim tão lineares, que as histórias não são simples e que o próprio conceito “feliz” é ambíguo, diria mesmo híbrido.

Se é porque as pessoas mudam, transformam-se, querem outras coisas, a verdade é que não existe uma justificação clara de como será possível uma história real desenrolar-se com a certeza que o seu final será “foram felizes para sempre”. E mesmo nessas hiostórias que nos contavam em pequenos, a história acaba aí, como se fosse a sua morte.

Por isso também desde cedo detestei o planeamento a longo prazo e convivi alegremente na minha organizada desorganização diária, nas surpresas que me reservava o dia a dia, as pessoas que ía conhecendo, o mundo que se abria a meus olhos.

Percebi que todas as histórias são inventadas. Se não fossem inventadas não seriam histórias. A partir do momento em que são contadas, reinventam-se, crescem, tomam vida incontrolável. A vida de uma história.

Eu sempre gostei de inventar histórias. Transpira-las por todos os poros do meu corpo. Ausentar-me de mim por instantes para construi-las. Mas nunca pensei em escrever livros. Na minha cabeça sabia que ía aborrecer-me rapidamente das personagens ao fim do 3º capítulo. Ía fartar-me da história a meio. Um livro tem muitas páginas para uma das minhas histórias.

Se este desejo foi crescendo dentro de mim, foi a vida a fazer-me mudar de ideias e se, por acaso, acontecer algum dia escrever um livro, será talvez por obra do destino (que, vendo bem, não acredito que isso sequer exista). Poderia ser daqui a uns meses, anos, ou nos últimos dias da minha vida. Não interessa. Esse desejo está a crescer e a tomar forma, uma forma naturalmente desorganizada, por capítulos que são histórias. Como as sinto e vejo, como as vivo e invento.

E se algum dia escrever um livro meu começará certamente por “este não é um livro sobre uma história. Não é sequer uma história, são retalhos, que eu criei para mim”. Bom… estou condenada ao insucesso está visto!!

publicado às 19:28


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Paula a 24.06.2010 às 21:57

sabes estas a ver as coisas do ponto errado quanto ao livro. Um livro não tem que ser uma história. Um livro que seja e tenha a tua cara e apesar  de não te conhecer bem nao pode ter uma história. Tem de ter muitas histórias. Tem que ser um daqueles livros que nao sai da mesa de cabeceira para que quando nos apetecer ler uma história abrirmos e eis que sai uma de entre tantas. E acho, muito sinceramente, que devias pensar no assunto. Os teus leitores agradeciam. Eu agracedia.  (:
Imagem de perfil

De Closet a 25.06.2010 às 00:54

Obrigada Paula, talvez tenhas razão... tenho a mania de aspirar a um romance... mas sou uma contadora de histórias nata, ainda bem que há quem goste de as ler! Ando embriagada em várias histórias neste momento, pode ser que sim! bjsss
Sem imagem de perfil

De Paula a 25.06.2010 às 19:23

Cá espero por elas (:

Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Junho 2010

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930