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Trapos Velhos

por Closet, em 04.02.10

Hoje passei por ti na rua de raspão.

Tu não me viste, acho que não.

ías a olhar para o lado a conversar

Eu fiquei inerte, gelada

a seguir-te com o olhar.

As pernas ficaram presas ao chão

fingi que foi o salto que me fez parar

e não a aceleração

o nó na garganta, saliva da réstia de paixão.

Naquele instante vi-te a afastar

Ías feliz, com outra a teu lado a conversar

a inveja invadiu-me por não estar no seu lugar.

Sacudo a cabeça, digo a mim mesma, "basta"

Há muito que te apaguei da memória,

nem sei como te reconheci.

Entre nós não houve história

só um princípio e um fim.

No meio houve um vazio incómodo

que desisti de questionar.

Baixei os braços e deitei fora

como trapos velhos

que já não dá para remendar.

Agora tanto se me dá,

deixaste de me apetecer

e se pudesse te evitar

preferia a cegueira de não ver

a tua presença incolor a passar.

Porque já há muito que não te vejo.

És apenas um reflexo no meu espelho

pequeno, partido e gasto de tanto olhar.

publicado às 00:41


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