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História ... E se?

por Closet, em 08.07.09

E se??

 

E se lhe telefonasse?” pensava.
Rita dava voltas na cama. Já passava das 13h mas estava sozinha em casa. A Maria tinha ído passar o fim-de-semana aos avós e o marido estava numa viagem do trabalho. Enrolava-se nos lençóis de um lado para o outro. Ainda não acreditava. Parecia que tinha sido um sonho. Uma enorme confusão.
Rita recordava a noite anterior Tinha combinado um jantar com amigas da faculdade. Já não se viam fazia anos. Mas enquanto fazia tempo para o jantar resolveu telefonar-lhe. Apetecia-lhe estar com ele. Era só para beber um café...repetia. “Pode ser” era a resposta dele de sempre. E foi. Encontraram-se num café de bairro perto da zona onde ele vivia. João era seu colega do escritório e há algum tempo que a sua relação tinha ultrapassado o que era considerado normal. Mas João também não era uma pessoa normal. Tinha um toque misterioso que seduziu Rita num jantar da empresa em que se sentaram lado a lado. Rita até então não simpatizava com ele, achava-o incrivelmente convencido e até arrogante. Mas naquele jantar ficou deslumbrada com a sua simplicidade e fascinada com o seu sorriso. O João era uma caixa de surpresas e aos poucos foi-lhe conhecendo uma sensibilidade que a sua máscara de macho solteirão fazia questão de ocultar.
Depois daquele jantar começaram a trocar e-mails e sms, num jogo de ping-pong viciante e interminável. Rita tentara a todo o custo negar que se sentia atraída por ele. Estava casada há 7 anos e tinha um filha de 5 anos. Não lhe passava pela cabeça apaixonar-se por alguém naquela fase da sua vida. “Não, não ela”.. repetia ininterruptamente para si própria...mas continuava aquele jogo perigoso com João. E mal o conhecia.
Naquela tarde João convidou-a para conhecer a sua casa e Rita nem hesitou, queria conhecer um pouco do seu mundo. Era um andar moderno, despido, de quem vive sozinho e não tem intenções de o partilhar com ninguém. João mostrou-lhe o apartamento, o quarto com a sua cama desfeita, e apresentou-lhe os amigos que decoravam um painel de fotografias na cozinha. Rita estava demasiado embriagada nele, um desejo ardente apoderou-se dela e e tentou beijá-lo. João fugiu, com um sorriso trocista. Rita encolheu os ombros abanando a cabeça e rangendo “era só um beijo sendo imediatamente arrebatada por ele que a agarrou pela cintura e a beijou violentamente. Daqueles beijos desentendidos, que os dentes se roçam descompassados e os lábios se esfregam com sofreguidão. O telefone de Rita tocava e ela fugiu atrapalhada com um “estou atrasada”.
Rita lembra-se em como o seu coração batia acelerado quando saiu do elevador em direcção ao carro e como quase parou quando recebeu uma mensagem. Abriu e leu “Volta”. As pernas tremiam-lhe e foi com dificuldade que conseguiu por o carro a trabalhar. Não podia, não devia, mas queria...tanto, com um desejo que a estrangulava lentamente. Arrancou e ainda andou dois quarteirões, furiosa. Voltou para trás. Era mais forte do que ela, nem sabia bem porquê, nem o que tinha visto nele. Estava enfeitiçada.
Entrou e o silêncio dos olhares foi suficiente para perceber que queria ficar com ele essa noite. Embora soubesse que era um projecto inviável. Ele acenava despreocupado, e ela sufocou na sua garganta tudo aquilo que sentia e baralhou as palavras que a vestiram. “vai passar” repetiu várias vezes naquela noite. Deitados num sofá beijaram-se e abraçaram-se até de madrugada. Como se o mundo lá fora não existisse. Surdos, mudos. As palavras foram ocas, desprovidas de sentido. O corpo contrariou-as e Rita recorda como foi difícil resistir-lhe, enfrentar as chamas dos seus olhos e o deslizar lento dos seus dedos na sua pele. A tentação de o tocar, de se descontrolar, de o sentir, foi amarrada e amordaçada pelo seu juízo. Rita fugiu, ainda não sabe se dele se dela própria.
Regressou a casa, confusa, perdida. “Como é que aquilo tudo foi acontecer?repetia. Tinha na sua cabeça como certo que se iria fartar dele, “mais um mês” dizia, afinal nem era atraente, era convencido e irritava-a com o seu feitio orgulhoso e calculista. João chegava a ser cruel,“um dia vais ver o quanto errada estás” escrevia-lhe, como se tudo na sua vida fosse estudado ao pormenor, tudo tinha de ser sempre à sua maneira. Rita nunca percebia nada do que ele dizia ou fazia, era demasiado espontânea e sofria, em silêncio, com esta paixão não correspondida.
E se lhe telefonasse agora?” pensava ela naquela manhã torturada com o que restava do sabor dos seus lábios e asaudade das suas maos macias. Devia dizer-lhe exactamente o que sentia? se lhe telefonasse e lhe dissesse que há meses que ele não saía da sua cabeça noite e dia? O que será que ele faria?
Biiiipppp... uma mensagem. E se fosse ele, o que ele lhe diria?

 

 

História escrita para IFI ... e agora passo a bola ao Bagaço Amarelo, não sei muito bem como, pprque ele não vai ler isto, por isso caro desconhecido...amanha-te, publica este texto no teu blog, whatever... aqui fica a minha parte! Gostava que quem seguisse a história se pusesse na pele do João, se ele telefonasse, o que lhe diria?? ... só uma ideia!

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publicado às 02:15


2 comentários

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De Dina a 10.07.2009 às 12:16

Nem sempre conseguimos entender como é que as coisas acontecem.....essa historia diz me algo.....mas deixo para mim
Beijokas
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De Closet a 12.07.2009 às 22:38

é verdade amiga, às vezes parecem sonhos de tão surreais....anyway, é bom sonhar ;)
beijokas!

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