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Utopia

por Closet, em 17.06.09

Na semana passada estive de férias e consegui um feito que já não fazia há....4 ou 5 anitos, vá.
Não, não foi ficar super esturricada de tal forma que a pele já quer estalar...isso consigo, pelo menos, 10 vezes em cada Verão :)
Consegui ler um livro de 300 páginas em 7 dias. Na verdade devia parecer uma daquelas seitas que anda de porta em porta com o livro debaixo do braço...e o título até alude a uma Ilha... olhavam para mim de esguelha e pensavam...freak freak freak...who cares!
Não é propriamente o género de livro que eu voluntariamente atacaria numa livraria para levar para férias, posso mesmo dizer que não conheço vivalma que conseguisse ler este livro até ao fim...bom, talvez uma ou outra pessoa, contando com o prescritor do livro.... Mais, até confesso que lê-lo chegou a ser incomodativo, irritante,...e em algumas alturas até me apeteceu desistir e, ao meu estilo impulsivo,  atirar com o livro contra a parede...Mas tinha enfiado na cabeça que o lia...por isso ía sacudindo a cabeça de vez em quando como que para fazer reset...e, voilá, consegui.
O livro debruça-se sobre a utopia do amor e a pergunta central que comanda
a história é "como fazemos para amar?".
Isto porque o  personagem principal ama a sua mulher loucamente, mas sente que a ama mal, ou que devia e podia amar melhor. A solução passa por romper com a sociedade preconceituosa. rotineira e asfixiante onde vivem e rumar a uma ilha algures no Pacífico Sul, maioritáriamente habitada por canhotos, onde o lema é viver para amar.
Parece um livro romântico, até... mas na verdade é mais que isso, é uma ficcção filosófica
repleta de simbolismos...acho... nem sempre fácéis de enfrentar, pensar e digerir...

* Ele ama-a e por isso transforma-se para a conquistar, arrebata-a, de forma calculista e egoísta, de um casamento com filhos.
* Ele abandona o seu conforto aristocrata e leva-a para uma ilha que não se encontra nos mapas geográficos, que pode nem existir, para aprender a amá-la melhor, como ela merece.

* Ele constroi uma casa com as suas mãos à medida da sua mulher, que satisfaça os seus desejos mais profundos.
* Ele aceita o adultério dela quando, na impossibilidade de falarem, afastam-se num abismo de silêncio e incompreensão, e aprendem o valor da comunicação.
* Eles resignam-se a 40 dias de abstinência sexual e encontram nela uma nova "conversa" erótica capaz de intensificar o desejo e a imaginação.
* Ele é infiel e assim descobre a sua libertação, a sua verdadeira natureza e os seus prazeres  mais obscuros, que afinal revelam também satisfazer a sua mulher.

* Enfim, ambos traem para assim se poderem melhor conhecer e amar.
E muito mais haveria a dizer sobre aquela ilha onde os casais cultivam a arte do bom sexo e constroem diariamente o seu romance através de gestos de amor como a troca de cartas apaixonadas, em que o adultério é visto como forma de realizar as paixões naturais dos homens/mulheres e dele é retirado benefícios para a vida do casal, onde os homens adivinham os desejos mais secretos das mulheres, onde ambos podem agir sem necessidade de se explicar ou confessar, onde ninguém tem direito a julgar ninguém....
 

Esta ilha não existe... I gess.... e tenho consciência da sua plena utopia, seria provavelmente muito complicado viver em semelhante estado de libertinagem, conviver diariamente com sentimentos ambíguos e perturbadores de ciúme e de paixão arrebatadora.

Existindo ou não, na realidade vivemos por vezes verdadeiras utopias, que não compreendemos como lá chegámos e ainda menos como de lá vamos sair.
 

Conheço pouco do género literário utópico, ouvi falar por alto de Fourrier... mas agora que já passei alguns dias do "luto do livro" consigo olhá-lo como um todo e reter dele as partes, para mim, mais belas e poéticas.
 

Enfim, as coisas não são mais do que o queremos ver delas.

 

Ahhh... o livro chama-se "A Ilha da Mão Esquerda" de Alexandre Jardin, edições Quasi.

 

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publicado às 22:29


14 comentários

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De Lua a 18.06.2009 às 11:29

De facto parece-me ser um livro muito incomodativo...Porque põe o dedo em certas feridas...Gostei da alegoria dos canhotos...Se encontrássemos o lugar dentro de nós mesmos onde também somos "canhotos", seriamos capazes de viver sem o peso do juízo que fazemos constantemente de nós próprios e dos outros, e viver bem mais leves! (ok, ainda que sem libertinagem,lol ).
Eu sempre achei que os canhotos eram pessoas diferentes! ahaha !
Acho que me sinto com coragem para ler o teu livro...
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De Diogo a 18.06.2009 às 16:24

Huuuum....fico á sua espera no msn...
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De Closet a 19.06.2009 às 12:20

"sua"???...só por teres menos 13 anos que eu....bom, bom!!
vamos falando sim, you are very clever!!
beijocas
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De Closet a 19.06.2009 às 12:25

É verdade, são diferentes...e TU és canhota!
Tudo seria mais simples se fossemos todos um pouco canhotos...I guess! A vida dos destros é demasiado enfadonha :)
Já "ultrapassei" o livro!!
beijocas
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De The Scientist a 18.06.2009 às 20:08

OK - se me emprestares o livro amanhã, prometo que o leio na viagem da proxima semana à Turquia e devolvo-to cedo e a horas.
As promised... rgds from Cracóvia
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De Dina a 18.06.2009 às 20:47

Tal como disseste ...será complicado viver com sentimentos ambiguos mas....há quem os tenha e tenta esconde los diáriamente no seu dia a dia e isso tambem é complicado(para quem os tem e para quem vive com uma pessoa "assim") mas preferem isso pois acham se mais felizes,olha cada um com a sua ideia e maneira de viver eu como tenho uma opinião muito propria vou "guarda la"para mim......beijocas grandes!
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De Closet a 19.06.2009 às 12:30

Sabes amiga, todos nós temos vários "eus" dentro de nós que nem sempre conseguem transparecer à superfície com a mesma nitidez...às vezes é mesmo impossível mantê-los numa convivência autêntica...e daí termos de optar diariamente pelo "eu" possível ou por aquele que optamos no momento... não deixamos de ser verdadeiros por isso...que é da vida sem imaginação?? Não procures aquilo que só existe na tua cabeça :) beijocas grandes!!
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De Dina a 19.06.2009 às 15:05

Olá .....eu percebi o teu "pensamento" e se dei a atender que tava com "macaquitos"na cabeça expressi me mal
Beijocas
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De Dina a 19.06.2009 às 15:11

*expressei me...............
entendi te na perfeição linda!!!!!
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De The Scientist a 19.06.2009 às 10:15

Bonjour,
Rgds from Paris

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De Closet a 19.06.2009 às 12:17

Oi Amigo!
Cá te espero hoje á noite em Cascais!!
Beijocas!
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De mafalda a 19.06.2009 às 22:19

aaaiiiii! se a curiosidade já era muita, agora passou a ser muito mais! tenho de ler esse livro!
sabes, por vezes também me acontece começar a ler um livro e pensar: "mas que coisa sem pés nem cabeça", e paro por li. provavelmente deixei de ler grandes livros por causa desta minha mania e digo isto porque, tal como fizeste, meti na cabeça que acabaria um ou outro e acabei por gostar.
beijinhos.

ah! desafio para ti no meu blog.
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De Closet a 20.06.2009 às 22:22

é verdade amiga, mas este tinha mesmo de ler...desse por onde desse porque eu sou teimosinha :)
tenho andado em correrias e tenho passado aqui de fugida, mas vou-te lendo sempre, já sabes...no comboio ;)
beijinhos
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De The Scientist a 23.06.2009 às 19:23

"Desordem interior por trás da expressão plana"
3 aviões, 100 páginas em cada um - lido num dia. 22 de Junho.
Nem de propósito, o meu rgds de há 2 semanas vieram de Stonehouse... que por acaso fica em Gloucestershire (de onde são originárias as personagens qdo ainda destras)
Obrigado pelo empréstimo e por te teres lembrado e levado o livro na noite da festa.
Para a semana lê a G.
Para a semana não te devo mandar os rgds de Barcelona... vou lá ver os U2 :) e não quero sequer ter acesso a nenhum computador :)
Rgds from Izmir,

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