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Fábrica de Histórias

por Closet, em 19.02.09

Continuando o texto da semana passada, com esforço consegui que os dois falassem!

 

Conversas

- Por aqui?
- Podia perguntar-te o mesmo.
- Eu sempre vim aqui.
- Mas já não vens há algum tempo.
- Como sabes?
- Tenho vindo várias vezes, caminho na areia e fixo os olhos neste puf onde nos sentámos. Nunca mais voltaste.
- Há recordações que devemos apagar. Gosto da tua sweat, estás... diferente.
- Obrigada, vou jantar com um amigo e tirei o fato. Apagar porquê? Foi um fim de tarde agradável
- Agradável, sim, e desconcertante também. Foi nesse fim de tarde que os teus olhos escuros me perturbaram. Olhaste-me de lado e ficou um silêncio incómodo. Parecia que me beijavam.
- Então fui um incómodo?
- Ainda és, enorme, gigante. Mas não tens culpa, fui eu que pressionei, que te beijei, devo merecer esse teu afastamento.
- Não me afastei. Simplesmente fomos até ao limite possível.
- Não me irrites...Não gosto de limites, não me interessam para nada...
Olhe, traga-me mais uma imperial se faz favor.
- O que não te interessa, passas à frente, dizes o que queres, só mais um mês e vai passar...é assim para ti.
- Já passou mais de um mês, já passaram vários, devo ter-me enganado. E então? Pelo menos fui sincera, disse que gostava de ti ali, naquela altura, naquele lugar, era contigo que me apetecia estar.
- Não disse tudo isso, mas abracei-te, afaguei os teu cabelo ondulado, segurei a tua cara, deslizei os meus dedos pelas tuas costas... tu quase não me tocaste
- Foram gestos mudos, estranhamente íntimos e cúmplices, mas nunca disseste o que sentias,... sempre pensei que te sou indiferente, estavas comigo porque aconteceu, porque.. pode ser...
- Pode parecer, mas o meu coração não é de pedra.
- Jura? Quem diria...
- Estás a exagerar..
- Talvez, mas já desisti de te compreender, de compreender sequer o que se passou. A vida não pára, embora eu estivesse disposta a parar a minha só para estar contigo mais uma ou outra vez.
- Para quê?
- Para tudo, tudo o que não queria e agora quero, já me habituei à ideia, não tenho medo nenhum, faço o que me apetecer, sem limites, entendes?
- E depois? Voltas para casa?
- Depois? Depois é futuro, logo se vê. Pensas demais.
- Tu também devias de vez em quando
- Dispenso. Quero ser feliz e se isso implicar um pouco de loucura eu arrisco, entro na nuvem mesmo sabendo que posso colher tempestades. Agora tu preferes fugir, fingir que não se passou nada, ok, tu é que sabes, sobrevivo.
- Não quero que sobrevivas, quero que sejas minha amiga
- Amiga? Estás a brincar? Os amigos falam... nós disparamos um contra o outro.
- E o que sugeres?
- Nada. Neste momento mais nada. Queria que nunca te tivesse conhecido, mas isso já não dá. Às vezes queria esquecer. Outras não. Sei lá?
- E se te convidar para vires a minha casa outra vez? Aceitas?
- Convites...teus? Seria... estranho. Mas acontecendo... não sei, experimenta e logo verás.
 
Texto escrito para a Fábrica de Histórias 
 

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publicado às 23:52


8 comentários

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De miúda a 23.02.2009 às 00:34

o entendimento deles é só deles. já não tem solução ou futuro, acho que nunca tiveram, é ai que vejo o ponto alto da historia :)
o ponto fulcral da vivencia conjunta deles acaba por se remeter ao casual encontro em que perspectivam os seus pontos de vista aos seus jeitos como sempre tiveram sem necessidade de ir mais para lá do limite que a imcompatibilidade lhe fornece ;p
beijinho***
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De Closet a 23.02.2009 às 21:15

incompatibilidade deve ser a palavra-chave ;-)
O melhor é seguirem cada um o seu caminho!
Bjs

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