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«Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, irremediavelmente afastados« Haruki Murakami
Esta semana tive de alterar o contrato da electicidade da minha casa, que, lucky me, está em meu nome. Como o mercado vai ser regulado, blablabla:
- ”Querida, tens de ligar para a edp”
…ok…
Parece que existem umas campanhas de descontos a circular pelas empresas fornecedoras. Ligo para a primeira e, depois de uma conversa de surdos com uma senhora simpática que me explicou que as campanhas divulgadas não servem para o perfil da minha utilização (três vivas ao marketing), apresentou-me, assim muito enfadada, as 2 possibilidades que eu tinha para aderir. 30 minutos depois e tinha a minha ficha feita à espera que eu ligasse de volta, depois de decidir a melhor alternativa no seio do meu lar.
Chego a casa radiante, debito as duas propostas ponto por ponto, vírgula por vírgula e … guess what?
- “Não interessa, querida, tens de ligar para a galp”
… ok…
No dia seguinte volto à carga, munida das facturas da electricidade e gás e já mais confiante no discurso.
- Boa tarde, em que posso ajuda-la?
- Eu quero mudar a electricidade e gás - respondi convicta.
Do outro lado, o rapazinho de voz anasalda entrou em modo gravador automático e disse algo semelhante mas com o triplo das palavras: “precisamos-de-gravar-as-chamadas-porque-isto-serve-de-contrato”.
Depois de “sim, concordo”, “sim, aceito”, “sim, autorizo” em modo repeat, lá iniciámos a nossa espécie-de-conversa.
- Quantos kvwhatever de consumo? Qual a potência contratada? Qual o número do contrato?
E eu com tudinho ali na factura-cábula! Confesso, senti-me a verdadeira expertise de electricidade.
Até que sai um disparo assassino assim do nada, como se estivéssemos a jogar trivial Pursuit, naquelas perguntas que não lembra o diabo.
- “E o seu contador é monofásico ou trifásico?”
- What?? Onde é que isso está na factura?
- Não está – respondeu a criatura, com um sorriso tal que se podia ver através do bocal o túnel cavernoso da sua garganta.
- NÃO está? – Protestei indignada – Pára tudo!
E foi assim que ele me venceu. Tive uma lavagem cerebral sobre as fásicas todas que existem: as mono, as bi, as tri e outras tantas que devem existir mas não se acusam…Não que me interessasse para alguma coisa, na verdade já não me lembro neste momento quais são as diferenças e para que servem. Mas fechei o contrato. E para que não houvesse dúvidas, ficou decidido que em minha casa habita um belo contador monofásico, em verdadeira comunhão com a minha ignorância, claro.