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Sou vários caminhos

por Closet, em 08.05.11

"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída.” Clarice Lispector

 

 

Esperam-me tempos de muito trabalho e...pouco tempo... 

O tempo é aquele bicho peludo, insistimos em nos guiar por ele... Eu tento trocar-lhe as voltas sempre que posso. Ignoro o relógio, não me interessa se é de noite ou de dia, se vou dormir 4 horas, se amanhã vou encontrar o caminho ou daqui a uma semana, um mês, 10 anos... Vou vivendo, conciliando as exigências da realidade com as minhas paixões e sonhos. Acredito que mais vale viver um sonho, do que não ter sonho algum. 

 

Tenho um conto para escrever para o meu curso, este fim-de-semana foi produtivo (ainda que a horas não consideradas dentro dos parâmetros normais... 6 páginas!) e um Retiro de Escrita pela frente onde quero aproveitar o máximo para "sair de mim" e ser outros, é aqui que está o maravilhoso de escrever!

 

Deixo aqui o possível início do meu conto para quem quiser ler:)

 

2 meses antes

 

«Voar é tirar os pés do chão» repetia.

O corpo explodia com o barulho ensurdecedor das turbinas e o sangue pulsava-lhe em convulsões. Lutava para manter os olhos fechados, pressionava-os e pedia a si própria um sono profundo. Queria dormir. Não porque tivesse vontade, mas porque estar acordada era mais doloroso. Precisava desligar o botão, apagar-se da vida.

«Voar é tirar os pés do chão» repetia e o rosto de Afonso a olha-los na mesa do fundo do café perseguia-a.

 

- Guida? Guida… és tu?

Afonso avançava em direcção à mesa onde Margarida e Richard tomavam o pequeno-almoço num café de rua. Conhecia-lhe o andar, como balançava o corpo que, apesar dos anos, ainda era demasiado atraente. «Devia ser proibido ter um corpo assim com esta idade» pensava enquanto se levantava de braços abertos e um sorriso estampado no rosto.

Beijaram-se e abraçaram-se afectuosamente. Afonso sempre fora efusivo, olhava-a nos olhos, incrédulo.

- Por aqui? Há quanto tempo? Estás fantástica…O que fazes aqui? Diz-me, quero saber…

Margarida ria-se metralhada de perguntas e tentava disfarçar o entusiasmo, olhando em volta envergonhada.

- E tu estás… igual! – saiu-lhe sem pensar, mudando imediatamente de assunto – Vim visitar o meu filho, veio estudar para cá.

Afonso endireitava o tronco orgulhoso do seu físico, resultado de horas de trabalho semanal em ginásio. Olhou para a mesa ao canto e sorriu admirando o rapaz alto, de cabelo encaracolado castanho claro e olhos grandes, que os olhava interrogativo.

- Não acredito… - levava a mão à boca espantado– É ele? Está enorme…

- Pois, o tempo passa – riu-se puxando-lhe o braço e levando-o em direcção à mesa – já está no 1º ano de faculdade.

Apresentou-o como um “colega de faculdade da mãe”, ouvindo um expectável comentário despropositado.

- Um colega especial, atenção! – gracejou Afonso, deixando Margarida embaraçada. Richard riu-se e aproveitou a deixa para brincar também:

- Devia ser difícil atura-la não?

Riram-se ambos de forma contagiosa. As mesmas covinhas no rosto que lhe davam o ar de miúdo, os olhos que se rasgavam denunciando rugas de expressão cada vez mais irresistíveis. De repente, 18 anos era tanto e tão pouco. Afonso pediu para se sentar com eles, e sem esperar resposta foi buscar o casaco e uma pasta à mesa onde estava. (...)

publicado às 23:43

Amor e dieta

por Closet, em 04.05.11

 

Abandonar um amor é como fazer uma dieta.

Há um primeiro passo necessário: a vontade e empenho. “Eu quero emagrecer” e assim diz-se “eu quero deixa-lo”. Tem de ser dito em voz alta, firme e com a convicção de que não se irá voltar atrás… Por isso regista-se o peso, mede-se as coxas, a anca e a cintura.

Também ao abandonar um amor faz-se um ponto de situação, reflecte-se sobre o que se passou, o que por vezes custa tanto como subir na balança e ver “como deixámos chegar a este ponto?”. Medimos os caminhos possíveis, a coxa será a distância física, a anca a distância mental e a cintura, sempre o mais difícil e que precisa de mais ginástica, a distância emocional.

O segundo passo é a abstinência. Larga-se de imediato os doces e as gorduras, poderei dizer… os maiores prazeres.

Esquece-se o cheiro da pele, o sabor da boca, o calor dos abraços. Sacode-se a cabeça e deita-se fora como num caixote de lixo do bairro.

Depois deve-se abdicar dos farináceos - a batata, o arroz, a massa - e substitui-los por legumes e saladas saudáveis.

Também abandonar um amor segue regras iguais, rasgam-se as fotografias e as palavras que nos desencaminham e procuram-se outras, diferentes, capazes de nos deslumbrar.

Com a mesma fé que se prova um vegetal novo, como uma alcachofra, deve-se tentar uma nova aventura. Comer e gostar de uma alcachofra, nem que seja só uma vez, arriscar experimentar da mesma forma como arriscar beijar e abraçar de novo alguém, sem medos.

E seguindo um plano diário, certinho, dia a dia vão aparecendo os resultados. Perde-se peso e volume. Compram-se roupas novas porque as velhas já não servem, caem.

Abandona-se um amor também assim, devagarinho. Rasgando aos poucos o peito, em pedaços, apertado em lágrimas que libertam dor. Para vestir o corpo derrotado, de sorrisos brilhantes, num rosto onde o desalento roubava-lhe a cor.

publicado às 22:15

Histórias sem Fábrica

por Closet, em 04.05.11

Bom... e como ando com pouco tempo para escrever exclusivamente para aqui (na verdade estou atulhada de coisas para escrever para  meu curso de escrita)... deixo uma continuação dos meus retalhos que vou escrevendo sempre que me apetece! Para quem gostar de historias :)

 

Depois da história que começou nas nuvens aqui, vem a continuação !!

 

Era só “mais um restaurante italiano”, pensava enquanto esperávamos a mesa para nos sentarmos. Joana fazia questão de experimentar todos os restaurantes novos que abriam em Lisboa, bastava sair na Time Out e lá ía ela desde que o valor médio de consumo não fosse exorbitante. Nesta noite, concretamente, lá estávamos nós, numa sexta-feira, esbaforidas depois de um dia de trabalho e à espera de uma mesa num minúsculo restaurante na Ajuda. De vez em quando esboçava um sorriso para não a desanimar perante o seu olhar suplicante para esperarmos mais um pouco. Já eram 21 horas e o meu estômago rangia mais do que uma porta de madeira do século XVIII, quando finalmente um sujeito baixo gaguejou qualquer coisa como “po-po-podem se-se-seguir-me” olhando-nos de alto a baixo como se fossemos pedintes.

Percorremos o hall estreito que dava para uma sala ampla com mesas para 4 e 6 pessoas intercaladas com outras quadradas apenas para duas.

A sala estava iluminada por pequenos candeeiros de parede com lâmpadas em forma de vela e decorada de forma simples, as mesas com as típicas toalhas aos quadrados vermelhos e brancos e uma vela pequena ao centro. Os copos elegantes de pé alto pediam vinho tinto para acompanhar o que já se encontrava na mesa: azeitonas, presunto e queijo.

- De-de-desejam algo pa-pa-para be-be-beber? – gaguejou o sujeito baixinho, de cabelo escasso em cima e penteado com gel todo para um lado.

Contive um riso no exacto momento em que vislumbrei o olhar sério da Joana que se apressou a disfarçar pedindo conselhos sobre os vinhos. Enquanto ele lhe explicava a carta com a lentidão que o caracterizava, e nessa altura percebi a possível explicação do tempo de espera naquele restaurante, resolvi ir à casa-de-banho lavar as mãos e dar uma vista de olhos pelo resto do restaurante.

Havia outra sala mais pequena ao lado, com uma passagem em arco, e ao fundo o que devia ser a entrada para a cozinha escrito na porta “Reservado ao Pessoal”. Como se alguém que ali estivesse quisesse ir para a cozinha fritar uns bifes, pensei e reparei no seu interior através da abertura ao lado que terminava num balcão largo onde a os pratos eram depositados. Do lado direito as casas-de-banho estavam bem identificadas.

Mal saí, fui abalroada por um tabuleiro com chávenas de café que me bateu no peito e caiu estridente no chão.

- Upsss… desculpe – reagiu o empregado desastrado, de avental vermelho da casa, enquanto verificava se eu não me tinha sujado – queimei-a?

Aqueles olhos verdes mesclados eram-me familiares. O cabelo loiro despenteado e a pele bronzeada. Tinha a certeza que os conhecia de qualquer lado, mas não naquele contexto. Olhou para mim fixamente e abanou de seguida a cabeça baixando-se para apanhar as chávenas do chão, e eu baixei-me também.

- Eu conheço-te… - escapou-me assim sem pensar.

- Sim, acabei de lhe acertar com um tabuleiro, lembra-se? – Sorriu piscando o olho ainda de cócoras.

Naquela altura não tive dúvidas. Ele estava diferente, com a barba feita e um aspecto limpinho e arranjado, mas era ele, o indivíduo que tinha viajado a meu lado para Nova Iorque no Verão passado.

- Sim, reparei, mas não me acertaste na cabeça… - sorri embaraçada – acho que foste sentado a meu lado para Nova Iorque no Verão passado, lembras-te?

Perante o ar admirado dele, comecei a sentir-me ridícula e a pensar seriamente que poderia estar enganada. E que, se assim fosse, muito provavelmente o rapaz pensaria que eu estava a engata-lo. Olhava-me de alto a baixo como se fosse comprar um carro novo e estivesse a inspeccionar cada detalhe. Eu comecei a sentir-me a corar e dei por mim a endireitar o tronco, a encolher a barriga e a ajeitar o top por cima dos jeans, como se ele me estivesse a catalogar.

- Hummm… - disse enquanto pousava o tabuleiro no balcão desinteressado – não me lembro.

Já irritada, afinal eu estava a passar por uma idiota perante aquele sujeito magrelas, de t-shirt preta e calças de ganga russas descaídas, e aindaenfeitado com um avental.

- Então foi engano, desculpe - Voltei-lhe as costas contendo a raiva entre os dentes e segui para a minha a mesa sem olhar para trás.

Podia jurar que era ele, não me tinha esquecido da sua voz aveludada, dos olhos expressivos que sorriam sem autorização.

- Que se passou? – perguntou Joana apreensiva – Nunca mais voltavas, pedi lasanha para as duas.

- Fizeste bem, tive um pequeno contratempo a sair da casa-de-banho – respondi-lhe petiscando umas azeitonas.

- Meteram-se contigo? – gracejou. Joana tinha a mania desde o secundário  que todos se metiam comigo, apenas porque eu era mais extrovertida que ela e, por alguma razão, as coisas mais bizarras aconteciam comigo.

- Na verdade fui eu que me meti com alguém – resmunguei - colocando o guardanapo no colo – e ainda por cima levei com um tabuleiro em cima…

- O quê? – Joana olhava-me espantada – Deram-te com um tabuleiro? Mas o que é que foste dizer?

Fiz-lhe sinal para se calar quando vi o empregado gago a chegar com as lasanhas.

- Espero que esteja tu-tu-tudo do vosso a-a-agrado – gaguejou pousando os tabuleiros na mesa, quando uma voz por detrás o interrompeu.

- Claro que está, e ainda posso aconselhar-vos para acabar a noite em beleza, a melhor caipirinha ali num bar abaixo com música ao vivo.

Era o parvo do empregado que tinha viajado comigo. Uma sala cheia de gente para ser atendida, uma fila à porta à espera para entrar e ali estava ele, com aquele ar de gozo escarrapachado na cara, a mandar-nos para um bar.

- Não me parece – apressei-me a responder com ar carrancudo – nem que fosse lá o Jim Morrisson.

Joana pisava-me o pé intrigada com o que se estava a passar. Os olhos dela perseguiam os meus que fingia nem reparar, enquanto me servia.

- Hum… que bar é esse? – perguntou Joana no intuito claro de ser simpática, mesmo depois de levar uma cotovelada minha.

Novamente o sorriso rasgado que me irritava. Os olhos verdes mesclados davam-lhe uma expressão atraente, sem dúvida, e a voz aveludada um toque especial. Nessa altura reparei que Joana sorria embeiçada por ele e devo admitir que uma mistura de raiava e ciúmes começou a tomar conta de mim.

- Deixo aqui o cartão, é já ali em baixo – disse, entregando-lhe um cartão que tinha no bolso. De repende cravou os olhos nos meus e disse:

– E já agora, Spunik, aparece que é como se o Jim estivesse lá!

E desapareceu sem me dar oportunidade de lhe responder. Afinal a criatura lembrava-se de mim e estava a gozar com a minha cara. Ou será que só se lembrou depois? Mas porque raio nos convidou para ir aquele bar? As dúvidas fustigavam-me o cérebro no preciso momento em que reparo na Joana a olhar-me daquela forma inquisidora e impaciente.

- Hello? Volta à terra, vá, vá desembucha… quem é ele?

Contei-lhe da nossa viagem há um ano atrás, como ele me tinha irritado e ao mesmo seduzido com o seu sentido de humor. Ele estava diferente, mais arranjado com a barba feita e o cabelo mais penteado, mas de resto parecia igual, com aquele ar esgazeado e sempre pronto para uma piada.

- Mas não o viste mais? Lá por Nova Iorque, nunca?

- Nunca – respondi – nem sei o nome dele.

A lasanha estava deliciosa e como sobremesa o nosso amigo gago sugeriu-nos tiramisú.

- Molto buono! – conseguiu dizer sem gaguejar.

Cheguei a pensar que se ele falasse sempre italiano talvez não gaguejasse e, com alguns conselhos de imagem, até conseguia ter o seu charme. Rimos as duas e partilhámos um tiramisú seguido de um capuccino também “molto buono” como nos repetiu piscando o olho por detrás das lentes cheias de dedadas.

A sala já não se encontrava mais vazia, com duas mesas livres e algumas já estavam na sobremesa. Enquanto a Joana foi à casa-de-banho, aproveitei para espreitar a sala ao fundo na esperança de ver o meu antigo companheiro de viagem, mas fui rapidamente apanhada pelo empregado gago.

- O Pe-Pe-Pedro já foi – disse enquanto me entregava a conta - sai sempre às 23h porque vai para o bar.

Enchi-me de coragem e perguntei:

- Mas que bar é esse? Ele também trabalha lá?

O empregado abanava a cabeça sorrindo.

- Pen-pen-pensei que o co-co-conhecessem. Ele ba-ba-basicamente não trabalha… - e deu uma gargalhada irritante que me deu vontade de lhe virar as costas e manda-lo passear, mas precisava dele…

- Não trabalha como? Ele não estava aqui a servir à mesa? – perguntei já irritada enquanto vestia o casaco.

- Sim, sim… - abanava a cabeça enquanto levantava a mesa – é pa-pa-para pa-pa-pagar cervejas aos a-a-amigos.

Joana chegou e eu disse-lhe que já tinha pago. Aquele empregado já me estava a tirar do sério e não suportava ouvir nem mais um gaguejo.

- Calma – Retorquiu – acho-te muito tensa… o que se passa?

Não me apetecia confessar que estava morta de curiosidade por saber quem era de facto aquele misterioso Pedro.

___________________


Por entre uma porta estreita verde escura um porteiro deixou-nos entrar. Era um bar pequeno com pouca visibilidade devido às nuvens de fumo de cigarros que povavam o ar tornando-o quase irrespirável. Ao fundo havia um palco com uma bateria e do lado esquerdo um balcão apinhado de gente a pedir bebidas servidas em copos de plástico rígido.

Escolhemos uma mesa vazia a um canto e sentámo-nos num banco de pé alto pouco confortável. Joana deixou-me com as malas ao colo para ir à casa-de-banho., graceando:

- Vamos ver se agora sou eu a agredida – e atirou-me um beijo.

Quase de imediato, um empregado com pouco mais de 20 anos, todo vestido de preto, chegou com duas caipirinhas de aspecto delicioso.

- É oferta da casa – disse colocando as bebidas na mesa redonda, não me dando sequer tempo de responder. Confusa, limitei-me a sorrir em agradecimento, remexendo as palhinhas amarelas esmagando a lima.

- Afinal, sempre vieste! - Pedro surgiu de repente de lado assustando-me.

Tinha um ar de quem tinha derrotado um bando de vilões e ergueu um copo em gesto de brinde puxando um banco para se sentar.

O seu à vontade irritava-me, quem é que ele pensava que era?

- Tive de ver de onde vinha a tua fortuna… se o restaurante paga as cervejas aos amigos, este paga… o quê? Os tremoços?

Aquilo saiu-me e pressenti desde logo que fui cruel. Claro que recebi um troco nada fácil de digerir .

- Aqui não se comem tremoços, apenas amendoins…ahhh e tostas. Mas dá para pagar sim, esses que estás a comer e a bebida que pedi para te oferecerem! oh shit – e bateu na testa abanando a cabeça - é o meu salário inteiro de um mês nessa caipirinha, mas deixa, eu sobrevivo – e fez sinal ao barman para lhe entregar outra bebida.

Um silêncio perturbador reinou à nossa volta, não consegui enfentar os seus olhos que faiscavam contra os meus.

- Então e tu, doutora, o que fazes na vida? Algo que irá salvar o mundo??

- Sim, completamente, o meu mundo sem dúvida! – e enterrei a cara no copo para não o enfrentar.

Pressenti o seu olhar pacientemente pousado em mim, à espera de uma resposta melhor.

- Ok. Sou jornalista mas não sei bem o que quero fazer. Na prática, nem sei bem se quero ser jornalista… Fiz um curso em NY de foto-reportagem mas não consigo qualquer hipótese de viajar pelo mundo…

- Queres fugir, portanto – riu-se e segurou a minha mão fazendo-me estremecer – estás à procura de quê? O que querias que acontecesse agora, aqui?

- hummm – hesitei – sei lá escrever um best seller de culinária, ser raptada para uma ilha nas Bahamas, fotografar e espectro do Jim Morrisson…

- Nada mau… talvez possa ajudar-te afinal.

- O quê? Consegues ressuscitar o Jim?

- Muito melhor…

publicado às 00:03

Amores mal resolvidos

por Closet, em 03.05.11

 

Dizem que se arruma em gavetas da memória os amores mal resolvidos. Que fecham-se em armários altos e perde-se a chave. Dizem que se apagam, rasgam, esquecem. Os sonhos de amores interrrompidos. Queimam-se os rostos em fotografias gastas e as cinzas voam para um lugar distante. Esses amores vazios, incompreendidos. Largados ao vento num túnel comprido. Dizem que o tempo cura tudo, até os amores mal resolvidos. Espera-se o tempo, curandeiro, que arrasta as areias nas marés cheias de amores, perdidos por aí. 

publicado às 00:20

Palavras calmantes

por Closet, em 01.05.11

«Chamo-lhe amor para simplificar. Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar. O que existia, existe, entre nós, é uma ciência do desaparecimento. Comecei a desaparecer no dia em que os meus olhos se afundaram nos teus. Agora que os teus olhos se fecham, sei que não voltarás a devolver-me os meus» Inês Pedrosa.

 

Mergulhada em livros e sempre com tão pouco tempo para os ler, encontro esta frase e dou por mim a pensar nas palavras que reptimos como calmantes ... para não termos de pensar demais. Pensar custa. Põe em causa tudo, estremece o chão que pisamos, faz-nos chorar...

"Sou feliz"o que quererá dizer afinal?

publicado às 23:43

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