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Decisões imperfeitas

por Closet, em 30.05.11

 

Todas as decisões são imperfeitas, sufocam-nos de perguntas, cercam-nos de dúvidas.

Encontrava-me naquele limbo, onde se pesa as decisões. Perguntava-me «quantas vezes a vida nos dá uma segunda oportunidade?» Poucas, eu sabia. «E uma terceira?» Questionava-me. Talvez nenhuma.

 

Todas as decisões são imperfeitas. Rasgam-nos pelo que largamos e deixamos ir. Deixam-nos a balançar o corpo num abismo enorme da memória, lembrando que, a qualquer momento, podemos cair. 

 

O passado não se recupera. Percebi isso no primeiro segundo em que te reencontrei . Corri para ti, desenfreada, como louca, todo um momento a pairar deslocado no tempo, preso por fios. Como louca amei-te novamente, com a mesma intensidade, da forma que consegui.  As dúvidas e as perguntas rodopiavam num looping gigante dentro de mim. Com a mesma insanidade, acreditei, mais uma vez, que era importante para ti. 

A verdade única e constante é que tu nunca me amaste e eu nunca te esqueci. 

 

As promessas são como as decisões: imperfeitas. Trazem consigo a condenação temporal do "para sempre" ou do "nunca mais". 

Dei-te tanto e nunca te prometi nada. Prometeste-me sempre tanto e deste-me tão pouco. É esta a ironia do destino estilhaçado. 

Lamento cada momento que não te tenho, que te sonho exausta, que é o acordar e nem sequer saber de ti. Choro a raiva desta obessão minha inimiga, que é querer não te querer. O cheiro da pele que ficou impregnada nos meus sentidos. O desejo incontido de te abraçar só mais uma vez.

 

Aos poucos deixarei de esperar-te e voltarei a acostumar-me a viver sem cor de fundo. Não acredito que vá voltar a ouvir a tua voz aveludada, sentir os teus olhos e saborear o teu sorriso. Guardarei os contornos do teu corpo gravados na pele. Na alma trarei o teu silêncio comigo. Sufocando cada palavra que não te disse, cada mal entendido. Diz-me, é esta a violência da distância ? É este o meu castigo? Um silêncio perpétuo emsombrado de incompreensão, embriagado em remorsos do que poderia ter sido.

 

Todas as decisões são imperfeitas. O passado não se recupera. Será este o nosso último capítulo?

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publicado às 23:09


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