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Retirei-ME e escrevi!

por Closet, em 25.05.11

A Piscina onde eu não entrei...

 

As bicicletas onde não andei

 

O lugar onde fiquei  

 

 

 e as musas inspiradoras com sonantes Méeeeeee!!

 

 

As 18 páginas que escrevi aqui! 

 

Deixo um cadechido do conto... a história dos protagonistas há 18 anos atrás!  

 

.........§§§§§§.................

 

Fazia agora 18 anos, também uma noite quente de Junho. Estacionaram junto à praia e caminharam pela areia, Margarida carregava as sandálias que baloiçavam na mão e sentaram-se à beira mar num silêncio tranquilizador. Não disseram nada invadidos pela estranha sensação de estar sozinhos naquele momento, tendo apenas como testemunhas o marulhar das ondas e a lua que rejubilava intensa no mar.

Afonso desafiou-a subitamente:

- Vou-te fazer uma proposta indecente: despe-te e vem nadar ao luar!

Despiu a camisa e as calças de ganga e foi assim mesmo, de boxers, a correr em direcção ao mar. Margarida ouvia-o gritar:

- Guida, vem! Está óptima!

Margarida não era tímida, apenas nunca quis ser mais uma conquista do Afonso o que, por diversas vezes, tornou-se bastante difícil não ultrapassar a barreira invisível entre a amizade e o desejo. Não negava nos seus mais íntimos pensamentos que o considerava atraente e que por vezes passou-lhe pela cabeça quebrar esta mania e acabar com a frustração que era estar a um palmo dos seus lábios sem o beijar. Contudo, resistira sempre, talvez por medo de estragar aquilo que, mesmo em forma de tempestade, chamavam amizade.

Mas naquela noite não lhe apeteceu pensar em nada. Não sabe se terá sido da sangria, ou da solidão que o mestrado lhe provocara, mas deixou-se ir à deriva.

Largou o vestido na areia e correu para a água em roupa interior. O mergulho libertou-a e os braços quentes de Afonso puxaram-na de novo para a vida. Para outra vida. Onde a pele duplamente arrepiada de frio e de desejo, era envolvida pelo corpo moldado em perfeição ao seu, num abraço que se fez beijo. Num beijo que a prendeu.

Ficaram no apartamento dos pais de Afonso em frente à praia. Margarida não lhe fez perguntas sobre quem ele já tinha trazido para ali, ele também poupou-a de revelações. Naquela noite as palavras estranhamente escassearam, dando lugar a gestos despidos de pudor. Exploraram-se lentamente e perceberam que os seus corpos comunicavam melhor sem palavras. Qualquer conversa seria inútil e demolidora. Foi por isso uma noite muda, largada aos sentidos mais puros, aos desejos mais básicos. Roçaram cada pedaço de pele, cheiraram-se e saborearam-se fascinados. Adormeceram já de manhã e Margarida não foi embora. Era a primeira vez que dormia com alguém sem ter vontade de acordar. Era a primeira vez que ficava e não fugia e, mesmo assustada, deixou-se ficar mais um dia e mais uma noite.

No Domingo acordou cedo e ficou sentada no parapeito da janela a ver o sol nascer. Foi uma manhã longa de despedida. Despediu-se do mar que por uma noite lhe pertencera, do corpo nu de Afonso enrolado no lençol a dormir. Despediu-se do silêncio das perguntas incómodas e das respostas vagas, das mentiras. Do vício das explicações absurdas.

- Vou para Espanha durante duas semanas, mas logo que voltar telefono-te – disse ao deixa-la num quarteirão perto de sua casa.

Margarida limitou-se a acenar.

Três dias depois partiu para a Austrália.

 

publicado às 22:32


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