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Charters de Greves

por Closet, em 07.04.11

 

 

 

Há uma palavrinha no dicionario à qual começo a ganhar verdadeira aversão: GREVE  « Interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.». Ora a esta bela definição falta acrescentar o seguinte: «causando transtorno e despesa para um monte de gente inocente e afundando ainda mais o país"... 

Admito, ESTOU FARTA DE GREVES... Têm sido às paletes, charters delas ... Ultimamente tenho gasto imenso tempo, paciência e dinheiro devido a estas estúpidas greves, e ainda não consegui perceber o que já conseguiram ou esperam vir a conseguir sem ser estragar as manhãs a uma quantidade de gente que não tem nada a ver com o assunto... para além de, claro, ajudarem brutalmente a brilhante produtividade do país que se encontra nos pícaros de uma economia falida...   Pois que lutem sim, com ou sem alegria, mas façam-no sem prejudicar os outros. E para não me considerarem "do contra" proponho outro tipo de greve, GREVE DE FOME. Esta, sim, é uma greve que só traz vantagens:

- Poupam dinheiro na comida

- Ninguém fica chateado com eles

-  Ficam em forma para o Verão que está à porta... (nessa greve até eu posso juntar-me solidária uns diazitos para ver se perco 5kgs até ao Verão).

Bom, é uma ideia que, com toda a certeza, será do agrado de todos...

Até lá, terei de apanhar amanhã a seca de 2h para chegar ao trabalho e, com um pouco de sorte, ainda levar uma multa da EMEL por meia dúzia de minutos pffff... ESTOU FARTA!

 


 

publicado às 22:38

Tenda paraíso

por Closet, em 06.04.11

 

(e esta é a minha visão de paraiso)

 

 

Combinaram um dia viver juntos numa tenda perdida entre o céu e terra. Perdida, ela ainda procura o caminho para a encontrar. E arrasta o corpo da saudade que lhe rasga a pele e queima a carne por dentro. O aperto que doi a respirar. «sinto tanto a tua falta» um suspiro que solta ao vento. Porque o vê em todos os cantos que os seus olhos tocam ao passar. Como um fantasma que esvoaça à sua volta mas que não pode tocar, nem ouvir ou falar... 

«Sinto tanto a tua falta» sufoca na garganta o desejo reprimido. E a vida corre de costas voltadas sem perceber. «Preciso te ver» como se morresse de claustrofobia. Sente que não vai aguentar. Nem mais um dia, uma hora, um segundo. Entre lágrimas de raiva escondida, há uma vontade imensa de gritar «Não quero viver sem ti, nunca mais». E sabe, nesse instante, que passou tempo demais. Toda a sua vida, à deriva, procurou aquela tenda perdida. Todas as noites pintadas de desalento e solidão. Todos os dias esburacados de vida e paixão. Procurou-o sempre. O andar desengonçado e o olhar carente. O sorriso aberto a desaguar num beijo quente. Ainda procura, numa insanidade voraz: «onde estás?». Um silêncio de palavras ocas, depois um eco de gestos mudos.Nada. Não se cansa de procurar, por aí perdida, aquela tenda prometida, que a espera algures num campo junto ao mar.

publicado às 22:58

Um dia sonhei

por Closet, em 05.04.11

Um dia sonhei que tinhas voltado. Assim de repente, sem avisar. E, ao ver-te, corri para aos teus braços desajeitada, como fazia no passado. Com o coração na boca, a querer saltar. Não pensei em nada, o mundo inteiro desapareceu com o calor do meu corpo no teu.

Beijámo-nos como se o tempo fosse um brinquedo estragado, com pilhas gastas, parado. Esquecemo-nos do tempo e o tempo esqueceu-se de nós. Naquele carro apertado, viajámos apressados para tapar o buraco profundo da saudade. Falámos tanto. Com a língua, com os olhos, com as mãos. Atropelámos palavras com os lábios sedentos, rompemos frases com abraços que não aguentaram esperar. Transpirámos verbos, esquecidos, que já não sabíamos conjugar. 

Um dia sonhei que tinhas voltado, mas um terremoto gigante abanou o chão onde pisava. Confusa e assustada, fugi da estrada para um abrigo confortável, seguro. E quando saí cá para fora, estava tudo enovado, partido, escuro. O mundo estava virado ao contrário e tu tinhas desaparecido, sem avisar. Não sei se morreste outra vez, se voltas um dia, de verdade, ou se te voltarei a sonhar.

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publicado às 00:27

Eu-professora - Take 2

por Closet, em 04.04.11

Hoje iniciei as aulas de voluntariado pela segunda vez (fica aqui o post do ano passado). Escolhi o mesmo programa  - a Comunidade - e consegui ficar numa escola muito perto de minha casa, not bad! São apenas 5 aulas a uma turma do 2º ano da primária onde pretendo falar-lhes de profissões, do trabalho em série vs o individual, das profissões do Estado, dos Impostos e de como circula o dinheiro (ou, nos dias de hoje, não circula!! uii, acho que vou saltar esta parte!)... bom... vou tentar!

E na primeira aula, assim levezinha, tinha como actividade fazer a caça às profissões, identificarmos negócios e profissões numa comunidade. Até aqui tudo bem... e para aquecimento é meu dever perguntar:

- "E vocês? sabem o que querem ser quando forem grandes?"... Dedos no ar e olhares ansiosos...- "ok, Luís podes responder" digo satisfeita. Resposta imediata e sorridente da criança:

- "Trolha"

... Ok... passei rapidamente para outra criancinha ao lado:

- " e tu Rui?"

-"Demolidor"... What?? 

- "Humm temos aqui um super-heroi" -  gracejei imaginando algo misturado entre o Homem Pedra e o incrível Hulk...

- Não... é demolir pedras grandes com máquinas" respondeu a criança muito séria...

Ok... perguntei se, por acaso, haveria mais alguém da turma a pensar trabalhar na construcção civil... para meu alívio não... deparei-me com profissões igualmente interessantes e de futuro assegurado como "detective", "futebolista", "cantora" e "massagista"... para não falar de "fórmula 1" que também é uma profissão corriqueira, bom, pelo menos tem adrenalina!!

Anyway... passou-se 1h30 do meu dia que valeu cada minuto, 23 criancinhas de olhos brilhantes pediram-me para não ir embora no final da aula, que tinha sido pouco tempo... e ainda não fizemos a aula da fábrica dos Donuts :)

publicado às 23:29

Tão longe de ti como de mim

por Closet, em 04.04.11

 

«Agora que o silêncio é um mar sem ondas, 
E que nele posso navegar sem rumo, 
Não respondas 
Às urgentes perguntas 
Que te fiz. 
Deixa-me ser feliz 
Assim, 
Já tão longe de ti como de mim. 

Perde-se a vida a desejá-la tanto. 
Só soubemos sofrer, enquanto 
O nosso amor 
Durou. 
Mas o tempo passou, 
Há calmaria... 
Não perturbes a paz que me foi dada. 
Ouvir de novo a tua voz seria 
Matar a sede com água salgada.» 

 

Miguel Torga 

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publicado às 22:58

Fábrica de Histórias

por Closet, em 02.04.11

 

 

Apatia

 

Arrasta os pés num sonambulismo robotizado. Deambula por mundos distantes, foge das dúvidas e decisões. Os olhos caminham no chão cinzento riscado, abandonados. Contam os degraus das escadas sujas, perseguem os passos largos e apressados do vulto da frente que se afastam rapidamente. Depois um bater de saltos finos, irritantes, ultrapassam os seus numa correria. Indiferente, continua a marcha lenta, o ritmo da solidão, alheia ao zumbido das vozes que a rodeiam, aos corpos fantasmas que embatem no seu.


Ao longe reconhece alguém na multidão e finge não ver. Não pretende falar nem sorrir, não lhe apetece existir. Enterra a cabeça num livro que abre e folheia desinteressada, enquanto vagueia pelas palavras que não lê. Deixa-se levar, empurrada, sem perceber.

Sentada, a cabeça segura no vidro, os lábios secos e o olhar envidraçado persegue o vazio de costas. Confronta-se com uma criança ao seu lado, de cabelos negros e nariz arrebitado, que lhe pergunta inesperadamente «Estás a chorar?». Não sabia. Era um dia escuro, confuso, apagado.

 

Era sombra reflectida numa parede esquecida, cansada de respirar. Num instinto primário, vegetativo. Sem perguntas. Sem receios. Sem pensar. Como o caminho que faz de olhos vendados. A estação certa, a prisão das horas e dos lugares. A urgência de partir e de chegar. A qualquer lado marcado no calendário infernal.

 

Chega no final do dia e atira o corpo esgotado para cama ainda desfeita. Admirada como ali chegou, não se recorda por onde passou. A dúvida persiste, latejante, «onde irá a seguir?»

Uma escuridão medonha, sombria. Um corpo inerte, estéril de sentir. Como se estivesse sentado no parapeito alto da janela, sem medo de cair.

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias.

 

publicado às 22:31

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