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Desabituar-me

por Closet, em 24.03.11

 

 

 

Vejo ao fundo um corpo à deriva, desabrigado.

Ruma dia após dia, num oceano imenso de frustração. Inerte, abandonado e sozinho, navega sem direcção.

Na maioria do tempo dorme. Não pensa, não sente.

Embriagado numa realidade crua e distorcida. Prefere o sono confortante e profundo.

Isola-se do mundo.

Diz-me que já o esqueceu, mas sonha, em vão, que não o perdeu.

Sonha o calor dos braços compridos à volta dos seus. 

Num recorte perfeito, simétrico, corpos encaixados, um homem e uma mulher. Entrelaçados.

Diz-me que já não o quer. Num ranger de desejos ancorados, despedidas repetidas, beijos demorados.

Incendeia recordações, dúvidas e medos. 

Não quer acordar, em pânico emocional, não o consegue largar.

«Tenho de me desabituar dele» repete num sonambolismo demente. Não sabe se sente. Se apenas existe.

Se encontra a felicidade entre os espinhos da dor. Se é feliz ou triste.

Repete «Desabituar-me dele». 

Olho-a para a compreender. Mas ela foge, empurrada pelos ventos,

Entregue aos seus pensamentos, sonha tudo o que não viveu.

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publicado às 23:10


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