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Tempo

por Closet, em 29.01.11

 

«tenho loucuras, estados de espírito desconcertantes e 'desaparecimentos interiores' de que nem me chego a aperceber». in O Corpo de Hanif Kureishi.

 

Há livros que têm o poder de falar por nós, ler o nosso insconciente...

Este é sobre um homem de meia-idade a quem é dada a possibilidade de trocar de corpo por um mais novo, transplantando o seu cérebro... e sim, eu sei que "ainda" não estou na meia-idade, nem estou propriamente preocupada com o meu corpo físico (ok, o da Scarlet Joanhson ficava-me melhor!!)...mas as preocupações com o "tempo" são uma constante que perturbam a minha vida, a sensação do que não fiz e já não posso fazer, a sensação de que os minutos me escorrem por entre os dedos e eu não consigo agarra-los e fazer deles tudo o que sonho... penso nisso, demais por vezes.

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publicado às 13:54

Silêncio

por Closet, em 26.01.11

 

“Estou naqueles momentos silenciosos em que pouca coisa parece fazer sentido.” Clarice Lispector

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publicado às 00:19

Fábrica de Histórias

por Closet, em 23.01.11

 

«Cartas são papéis, letras são sinais»

 

Um dia olhamos para cima e vemos o mesmo céu”.

Escreveste com mel sobre o papel. E talvez por ser doce, acreditei que todas as noites veríamos as mesmas estrelas. Assim desenhando as mesmas formas no tecto, imenso, pincelado a azul-escuro.

E em todas a noites abandonadas a tons de negro e cinzento eu perguntava-me se, naquele momento, estarias a ver brilhar estrelas num céu azul diferente. Aquelas que eu não conseguia ver, talvez por não estar contigo.

Um dia vemos o mesmo céu”.

Escreveste com a certeza de um cruzado que parte confiante para uma missão. Entregaste-me o corpo em palavras, destemido, invencível. E eu abracei-o desesperada, como se fosse a ultima vez. Apertei-o com os braços trémulos, com a força da fé.

Quando li, pensei que as palavras estariam bordadas a uma linha grossa indestrutível. Presas num tecido de estopa espesso, uma napa rija. Palavras firmes e convictas. Que rasgavam como uma lâmina por dentro, num espaço que fugia entre nós infinito. Um tempo que passava num plano lento, deixando o tecido envelhecido.

Todos estes anos, olhei para o céu à procura de ti. Talvez uma estrela cadente trouxesse a resposta para tudo o que não entendi. A ausência que amarga o tempo, numa ferida que nunca se cura. Um golpe que sangra abundante numa hemorragia profunda. Pensei que morria aos poucos. Ou talvez simplesmente deixasse de sentir. Por vezes olhava para o céu e via turvo, sem cor, e sentia o chão a fugir. As tonturas dos dias que passaram por mim marcando um caminho sem rumo. Paralelo às palavras tatuadas na pele, cravadas no peito, alheias à vida.

Só hoje percebi que aquelas palavras eram sinais do tempo. Daquele que existia, batia e pulsava, nos sonhos de adolescente. Em palavras que eram melodia, mas efémeras como algodão doce. Palavras com a magia do primeiro beijo, que nos arrepia por todo o corpo.

Olhei para o céu esta noite e ainda não vi o caminho. Mas vejo um brilho ao fundo que me faz sentir viva de novo. A carta não sei onde está, é apenas um pedaço de papel. As letras são estrelas em mim, coordenadas para me encontrar. Não sei onde vou, quando vou, nem que estrada seguir, mas sei que vou olhar para o céu em qualquer lugar.

 

texto escrito para a Fábrica de Histórias

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publicado às 23:10

Paralelas

por Closet, em 20.01.11

 

São duas linhas de ferro pesado, endurecido pelo tempo que se fez cansado.

Paralelas nuas que percorrem um caminho longo, distante, num silêncio cúmplice e antigo.

Linhas sôfregas por um encontro tão esperado quanto impossível, separadas pelo destino.

Como almas gémeas que se procuram, numa ânsia de entrega infinita, toda uma vida. Perseguem-se por entre curvas esguias, terreno escorregadio, a uma distância intransponível.

Contemplam-se eternos apaixonados, juntam os braços, passo a passo, para não se perderem no caminho. Limpam a ferrujem do tempo gasto, agarram as mãos, os dedos, tocam a pele vincada em traços de uma saudade e desejo invencível.

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publicado às 00:06

Eu-Matrix

por Closet, em 19.01.11

Sempre tive queda para actriz... bom, queda é a palavra já que passo a vida a cair... adiante.

Fiz de nuvem numa audição à séria e... muitos anos depois... já adulta e no mundo do trabalho... fui convidada a filmar uma espécie de Matrix misturado com o Relatório Minoritário... Um expécie, atenção... já que o estúdio era uma cave com 20 m2 atulhada de holofotes, os realizadores eram 4 homens pouco ou nada engraçados, o realizador principal parecia ser um assaltante de bancos à beira da reforma e... bom... não havia o Kenu Reeves ou o Tom Cruise para contracenar. Na verdade eu nem sequer precisava de contracenar, já que o objectivo era unicamente gestual... eu explico... era para um filme que vai passar numa reunião da empresa, whatever, que me pediram para ir lá filmar a manipular qualquer coisa que nem percebi bem ao telefone (e sim, eu sei que parece estranho, mas vindo de quem veio o convite-obrigação não achei perigoso)... eu, que sou dada às famas, lá fui bem mandada, de unhas arranjadinhas já que me íam filmar as mãos - WRONG . pois era da cabeça até á cintura... just great...

Começou bem a embirrarem com o meu cabelo, se não o costumava usar apanhado... nãooo... "é que parece branco aqui com as luzes" ... what??? lá rebusquei por toda a mala apinhada de tudo menos do que procuro e nada de elástico ou gancho... who cares, fiquem os cabelos brancos... siga.

Depois o enredo com a indicação clara "não precisa dizer nada"... ahhh... ok, simpáticos...

Na prática tinha de simular que estava a arrastar objectos no ar e a ler documentos no ar e a virar páginas no ar... pfff... na verdade, senti-me mesmo muito ridicula e com vontade de mandr aquilo ao ar ao fim da 4ª tentativa. Mas pronto, lá me aguentei 1h30 a seguir as indicações megalómanas do pseudo-realizador "carrega-arrasta para a direita-abre- passa a página- lê com espanto-passa a página - desliza o dedo, puxa para baixo-carrega" and so on...

E foi assim a minha matrixnhã!

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publicado às 00:19

Margens

por Closet, em 17.01.11

 

«Os nossos mundos não se tocam» sussurra ao vento que vem acaricia-la da outra margem.

Sabia disso desde o primeiro instante, do primeiro olhar, do primeiro beijo.

As margens eram distantes, a água era fria. Sabia disso mas, mesmo assim, sonhava que o rio secava, que a terra se unia. E enquanto sonhava largava ao céu balões de promessas e desejos. Tão selvagens como impotentes, românticos e inconsequentes. Ingénuos, genuínos, confusos. Balões de sonhos vivos, apaixonados, para quando os mundos se tocarem um dia.

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publicado às 01:08

Deixa-me dormir

por Closet, em 12.01.11

 

«Deixa-me dormir» um grito sufocado pelo vazio que lhe aperta o corpo. Um corpo que rebola desamparado numa cama gigante. Um gigante que a esmaga na suadade suada de um abraço quente. Quente como o beijo demorado, a deslizar pelo pescoço molhado. Molhado de lágrimas de um adeus repetido, gasto. Gasto de palavras ébrias de paixão e desejo insatisfeito que ecoam dormentes entre as paredes. «Deixa-me dormir».

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publicado às 01:07

Fábrica de Histórias

por Closet, em 09.01.11

 

Ancorada

 

Os anos passaram gigantes, pesados. Num arrastar de dias, horas, minutos. Daquilo a que chamam tempo, aquele que, dizem, tudo cura.

Ana curou-se do tempo que a congelou por dentro, que sugou o sangue e lhe arrancou a alma que largou ao vento.

Pensou, ingénua, que voara para longe, distante do mar agitado e louco de espuma de raiva batida e dos arrepios a percorrerem-lhe o corpo frágil despido. Pensou que jamais voltaria a tremer ao embate de um olhar intenso. Que as palavras estariam gastas e que era imune ao calor do abraço perdido.

Os anos passaram, vazios das memórias queimadas, empedercidos de uma saudade antiga. Passaram por ela com uma destreza pálida, doentia, numa paz imperfeita que nem ela mesmo sabia. Passaram vagabundos num estrada infinita, alheios à cor da vida. Passaram despercebidos até ao dia em que Ana perdeu o pé num oceano profundo. Perdeu o fôlego, perdeu as forças. Não percebeu como. Agitou as pernas e os braços para manter-se à superfície e ofegante lutou com o seu próprio corpo para continuar a respirar. Num remoinho que a puxava para o fundo, instável e louco, vibrante. Palpitava-lhe, nas veias agora quentes, o sangue nervoso. Ana sentiu-lhe a emoção, como uma melodia doce que a envolve no escuro. Onde dança livre, selvagem. Rodopiava e seguia por instinto o olhar que lhe sorria. Inebriante e sôfrego. Por momentos Ana pensou-se afogada naquele olhar antigo, não sabia se respirava, se vivia... Assustada, do turbilhão que sentia, do tempo que se fez minusculo, da noite que se fez dia. Do sol, do imenso arco-íris no remoinho confuso que sentia. Naquele momento insano, Ana boiava angustiada ao sabor da corrente, ancorada ao paraíso que sonhava. Um dia.

 

Texto escrito para a Fábrica das Histórias

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publicado às 21:58

Tenho medo...

por Closet, em 07.01.11

 

Psssttt... deixa-me dizer-te um segredo: tenho medo. Medo de amar tanto assim.

Estou assustada, com o pulsar frenético no peito apertado, o ardor que é desejar-te, a ferida que lateja por estar longe de ti.

Queres mesmo saber? Não sei viver deste jeito, louco, imprevisível, irracional. És fuga, loucura, paixão. Não sei resistir, dizer não. Corro para ti novamente, sem pensar em mais nada, na vida que corre do lado de cá. Aperto o coração que partiste, e fico triste, porque sei que o farás outra vez. Mas enquanto me envolves no mel das palavras, com que me arrastas, não quero saber o nosso fim. Basta o instante que é sonhar-te de braços abertos e sorriso rasgado, do lado de lá, à espera de mim. Na ponte onde corro confusa e apressada, sem olhar para baixo, ansiosa por te abraçar. Por um beijo intenso e demorado, gravado na pele embriagada de ti.

Eu sei que o destino juntou-nos de novo, num novelo de fios embaraçado, um enredo complicado... ouve bem, tenho medo. Medo de mim.

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publicado às 00:28

Pedaço de céu

por Closet, em 05.01.11

 

Fotografava cada pedaço de céu, como se não houvesse amanhã e tudo ao seu redor fosse engolido por um gigante assassino. Fotograva o céu dos sonhos que largava ao vento, esvoaçando como balões coloridos. Iluminavam o tecto da sua vida, alimentavam com doçura os seus dias. Não conheciam o escuro da noite, perdidos nas estrelas vadias. Esvoaçavam soltos das correntes das horas reprimidas, da ordem banal do dia. Pulsavam ardor, entre o desejo e a angústia. Eram sonhos com cor, com formas curvas de alegria.

De um lugar alto e distante fotografava aquele pedaço de céu, e quase o tocava e sentia, quase. Mas era apenas um pedaço de céu numa fotografia.

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publicado às 23:27

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