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Espero-te

por Closet, em 16.11.10

 

 

«Eu espero por ti»

repete-se entre o rastejar do chão vazio

por entre passos alucinantes que correm para lugar nenhum.

Ela espera-o, sempre

Confusa pela agitação que roça o seu corpo apressada

vultos sombrios, de rostos baços,

o ruído oco do comboio que se aproxima.

Levanta-se, para voltar a sentar-se.

«Não vens»... pensa «não neste, ou no próximo, mas sei que vens,

eu espero-te, sempre aqui»

Como um louco sem-abrigo que faz greve de fome,

Como um cão de caça que fareja e persegue por instinto

Espera-o num voto sem sorte

sem rumo ou destino

apenas espera-o,

porque ainda o traz debaixo da sua pele

porque o seu sangue ainda lateja de desejo nas veias

espera-o, destemida

naquele banco de madeira gasta, esquecido

corroído pelos ponteiros do relógio

Repete «espero-te»

até ao último folgo de vida. 

 

 

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