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Há tanto de ti

por Closet, em 04.11.10

 

«Há tanto de ti em mim»

suspira num eco rouco assustado.

Porque a ausência corroi, profundo, debaixo da pele e rasga-lhe a carne por dentro.

Invade-a para lá da distância do tempo, desarrumado em horas, do caminho que se dissipa nos lugares.

É um impulso que palpita dormente no sangue, que percorre-a num arfar latejante. 

Intenso, ardente. Como o sabor agri-doce de um paraíso.

«Há tanto de ti em mim»

sorri e não quer saber.

Se as estrelas conduzirão os seus destinos, agarrados com as mãos em concha para nada perder. As mesmas mãos que abraçam sensações embebidas em memórias de prazer. Enlaçados procuram a magia num novelo de emoções, numa fusão de balões rebentados, pulverizados de todas as cores.

«Há tanto de ti em mim»

abre-lhe o coração, sem orgulho ou rancor.

Sobrevivente das intempéries na ampulheta do tempo, no pó do esquecimento.

Renasce mais forte a cada dia. Eterna sonhadora errante, vagabunda por um chão de terra silencioso.

Deambula solitária entre as paredes do vento, que sacode o seu corpo violentamente para a frente.

Pisa descalça as chagas que a queimam e envolve-o ternamente com o açúcar do algodão doce. 

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publicado às 23:27

Destino

por Closet, em 04.11.10

 

Há um destino. Malfadado. Escrito a uma tinta invisível.

Uma história de cordel com os ultimos capítulos esquecidos por quem não os quis escrever.

Inacabada, dramática, de amantes desmembrados por palavras mortas de amor.

Como um fio de arame farpado que rasga, sangrento, e os prende ao vento sem direcção.

Assim oscilam eles, vagabundos, numa realidade ficcionada sem escritor.

 

Há um caminho que procuram a vida inteira, sem encontrar.

Estreito, sinuoso. Secreto.

Distantes, examinam os corpos que jazem feridos. Por curar.

Das chagas que os queimaram.

Lambem-se, um ao outro. Por palavras doridas que extraem dentro de si, sem falar.

 

Há uma distância que os persegue, num percurso holográfico.

Repetitivo. Assustador.

Um cansaço que invade cada segundo que passa.

Numa luta inglória. Numa espera insuportável.

Como um caminhar solitário num chão frio numa busca incessante de calor.

Perseguem cegos as palavras moribundas que trazem na pele vestidas,

Numa embriaguez perpétua de desejo, de paixão e amor.

 

Há um destino, um caminho e uma distância.

Há desejo, paixão e amor.

 

 

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publicado às 00:10


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