Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Vazio

por Closet, em 30.11.10

 

Em todas as ocasiões senti um vazio de vida

perdido algures de mim

um pedaço solto de tempo que não aconteceu

um medo arrepiante, assustador, de não o preencher.

Em todas as ocasiões procurei um minuto só meu

Silencioso de gente, incompreendido também,

mas aquele pedaço de céu, que nunca me pertenceu.

Um mundo gigante que habita em surdina dentro de mim

Sinto um vazio de vida, a ecoar num tunel sem fim.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 23:42

Eu e os fios

por Closet, em 29.11.10

Eu e os Fios sempre tivemos uma relação... complicada... Há quem diga que é falta de jeto, outros falta de paciência... eu acho mesmo que eles embirram comigo, é isso, a culpa é deles.

Na verdade devia apenas usar bluetooth, poupava imensa energia diária a desenrolar-me deles que podia canalizar para outras actividades mais uteis como por exemplo, usa-los para o fim a que se destinam... mas pronto, há quem faça ginástica, eu enrolo-me em fios.

 

E como se não bastasse a minha falta de... perseverança... tenho sempre a sorte de me enrolar "onde" e "quando" não devo, pffff. E sim, já fiquei presa a várias pessoas e a várias coisas, e às duas ao mesmo tempo, corrimãos do metro, torniquetes, portas do comboio... don't know how...

 

Hoje vinha eu esbaforida para apanhar o comboio rápido (sim, porque não queria ir no outro do maquinista empertigado, ele que fique com o comboio só para ele que eu não quero saber), com a bela e inspiradora manhã de chuva que estava, e já de phones, algures, repuxados por dentro do casaco. A boina enterrada quase até aos olhos não me facilitava os movimentos, uma mão para me agarrar, a outra a segurar no chapéu de chuva e a terceira... ok, não tenho terceira, era um mistura da 1ª com a 2ª em equilíbrio, ou desequilíbrio (ok, mais a segunda hipótese), a tentar ligar o raio do mp4 e a colocar os phones algures provenientes das entranhas do meu casaco comprido e apertado na cintura (não, não dava jeito nenhum, eu sei)...

Anyway... em jeito de contorcionismo acabei por dar com o chapéu de chuva (leia-se molhado) numa senhora ... quiça, sexagenária, em pé ao meu lado... Por sinal com pena minha, e resolveu ajudar-me... Quer dizer, "ajudar-me" foi a palavra que ela disse "quer ajuda?"... mas em vez de me segurar no chapéu decidiu por-se a puxar os fios dos MEUS phones. Ora a senhora ainda era mais jeitosa que eu, de tal forma que conseguiu ainda baralhar mais os fios num nó tal que não havia hipótese de desatar... pffff... rosnei-lhe, assim para ver se se afastava, já que, com o entusiasmo, estava toda debruçada para cima de mim aos tombos... e rezei para que fosse sair em Algés mesmo com os fios todos enfarelhados. Azar... foi até ao Cais do Sodré.

Assim como quem não quer coisa ainda lhe fui dizendo "deixe estar, depois eu tiro"  quando me apetecia gritar "get out"... mas mantive a calma, afinal estava num local publico e a ter uma viagem de comboio numa dança aos tombos com uma desconhecida colada a 5 cm da miha cara...pffff.

Conclusão: o fio partiu-se junto ao auricular, whatelse?? puff... rasgou-se, não passa corrente, ou música, whatever, sei lá como se diz aquilo, não funciona, pronto. Fulminei-a com os olhos e tive de proferir um educado "deixe lá" (felizmente tínhamos chegado à ultima estação e ela pirou-se de mansinho... ).

It's Gotta be Monday ...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:39

Destino

por Closet, em 28.11.10

 

- O destino separa por vezes pessoas que pareciam inseparáveis. Nós éramos assim, não era uma mentira. Não sei o que a Sofia te contou, mas garanto-te que tudo o que se passou entre nós foi tão intenso como verdadeiro, tão louco como desmesurado. Éramos tudo um para o outro, de tal forma que pensava ser impossível respirar sem ela. Quando abria os olhos de manhã era ela que via e demorava algum tempo a aceitar que ela não estava ali comigo no quarto… Era demasiado absorvente. Talvez tivesse sido esse o nosso problema. Amar demais assusta.

 

(do meu pseudo-futuro-conto!)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 14:31

Baloiçar

por Closet, em 25.11.10

 

 

Era ali que ela deixava o seu coração a bailoiçar.

Empurrado pela brisa do vento, espelhado na superficie da água. Descalço, ao relento.

Para a frente e para trás. Em movimentos irregulares.

Baloiçava, açoitado, pelos dias que lhe viciaram a alma, confusa, envolvida numa alegria estonteante.

Para a frente e depois para trás. Sem sair do lugar. O coração baloiçava sem parar.

Sedento do sorriso que lhe respondia sem pensar. Aberto e genuíno. Dos braços em concha onde desaparecia sem notar. Quente, perdida naquele mundo de abraço. Na saudade gelada que deixa o abandonar.

E ela deixava, deixava o seu coração sozinho a baloiçar. Ora para a frente, ora para trás. Às vezes depressa, outras devagar.

Revivendo a aceleração de momentos tão intensos como escassos, mas sempre rápidos demais. Sempre marcados pela despedida, forçada, sofrida. Nunca sabiam como, nem quando, podiam voltar atrás. Viver de novo. Mais uma vez. Entregar as mãos, os lábios, os corpos. Parar o baloiço de uma vez... Não sabiam como. Nem quando.

Por isso era ali que ela deixava o seu coração a baloiçar, no impasse do talvez.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:18

Patchwork

por Closet, em 23.11.10

 

Vejo a vida como um tecido comprido de retalhos, uma espécie de patchwork de momentos.

Como pequenos flashes disparados sobre a memória. Gravados com precisão em alguns pontos, descosidos noutros com a proeza da imaginação.

Todos os momentos retalhados de histórias vividas, cozidas e descosidas. É quando puxamos para nos cobrir que descobrimos outros e outros retalhos, já esquecidos, enterrados, agora destapados. É nessa altura que os vivemos ainda mais intensamente, com a violência que só a saudade corroi, com o desejo que só o impossível provoca. Revivemos o finito num infinito incolor, num looping gigante, numa aceleração infernal. Como uma corrida no poço da morte, rodopiamos em circulos ensurdecedores, giramos raivas, angústias, rancores. Daquilo que não se fez, que não se disse. Do que se perdeu e do que se viu partir. Saboreamos o prazer do abraço, lambemos o fel do adeus. Tudo se confunde num tecido imenso retalhado. Um patchwork de diferentes formas e cores.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:29

Sonhou, acordou

por Closet, em 23.11.10

 

Sonhou com tanta força que um dia ele estava lá quando chegasse.

Não sabia o lugar, nem o dia ou a hora exacta. Mas sonhou que nesse dia ele ía estar à sua espera com um grande abraço. Que a levantava nos braços e sorria. E tudo à volta parasse. Ninguém mais existia.

Ela sonhou que a sua voz de veludo inundava-lhe os sentidos, sussurrando palavras loucas. Os olhos perseguiam os dela, embalados pelos corpos que se confudiam, as mãos, tacteavam-se nervosas, procuravam perceber em que artéria se perderam da vida... Não sabiam.

Sonhou, ela sonhou com tanta força que um dia se encontrariam. E que os lábios percorreriam o pescoço, desaguassem uns nos outros rendidos no mesmo sonho. Caminhariam enlaçados, sem rumo ou direcção. Apertados. Um canto de sonho era o bastante para a sua imaginação.

Ela sonhou que todo o impossivel voava com o vento, sem levantar a poeira que por aí deixava. Sonhou, sonhava. Acordou.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 00:17

Parados

por Closet, em 21.11.10

 

Encontramo-nos na passadeira. Na linha branca onde se pára.

Nós permanecemos. Paramos o tempo. Os ponteiros das horas. Os riscos dos minutos.

Paramos o mundo lá fora para nos envolver um momento que é só nosso. Mágico. Intenso.

Imobilizados. Pelo beijo demorado em que nos prolongamos um num outro. Ancorados.

Onde se pára. Onde pára o tempo. Ali estamos os dois, eternos, abraçados.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 12:17

Pinças

por Closet, em 18.11.10

Os nossos mundos não se tocam.

Apenas as palavras, embaladas pelo vento, dançam uma melodia há muito esquecida.  

Não sei se dançam, se os seus corpos fragilisados são apenas sacudidos e rasgados numa enorme ventania.

Agitam-se, sim. Sôfregos. Por um encontro na mesma linha recta. Em frente, é só seguir o caminho em frente.  Pensam, ignorando as pinças que os impedem de voar. É em frente, sonham o impossível. Repetem-se invisíveis, não saindo do mesmo lugar.

E as palavras dançam, por caminhos em contramão. Abusam ousadas daquilo que nunca terão. Ancoradas, são o porto de abrigo naquele temporal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:17

Eu e o Maquinista

por Closet, em 17.11.10

 

Há um maqunista da CP que me anda a chatear... confesso que toda a gente se ri e na verdade, depois de passar as fricções, eu também já me ri desta história...

 

Take 1)

Vou eu em passos, vá, calmos, para o comboio que está parado em Oeiras para sair dali, já a pensar "que bom, vou sentada a ler sossegada", e no preciso momento em que vou a carregar no botão para abrir a 2ª porta da carruagem, ZUMMMMMM... o comboio parte... (não, e não ouvi o aviso sonoro porque tenho sempre phones pfff)... Pensei o óbvio "que azar..." e fico à espera do próximo comboio.

 

Take 2) 

Vou eu em passos, vá, mais rápidos, para o comboio que está parado em Oeiras, já a pensar "que bom, vou sentada a ler sossegada", e no preciso momento em que vou a carregar na 1ª porta da carruagem (note-se que não quiz arriscar), ZUMMMMM... o comboio parte... ... Pensei o óbvio "bolas, que azar outra vez..." e fico à espera do próximo.

 

Take 3) 

Vou eu em passos apressadissimos para o comboio que está parado em Oeiras, já a pensar "desta vez não me escapa o malvado", olho para o maquinista e vejo-o a olhar para mim (e sim, tinha óculos postos porque já ía de livro em punho) e no preciso momento em que vou a carregar na 1ª porta da carruagem, ZUMMMMMMM... o comboio parte... ... Pensei o óbvio "estúpido do maquinista que esta a gozar comigo!". Mais! Olho para o relógio e vejo que ele saiu antes da hora... pffffttt...e fico à espera do próximo comboio.

 

Take 4)

Vou mais cedo porque quero ter uma conversinha com o maquinista... ahhh...

Subo a rampa da estação a passos apressados, fitando o comboio mais recuado que o normal, parecia que já sabia que eu vinha com a neura (ou então foi ele que fez de propósito para me cahatear, deve ter sido...)... e bato no vidro do sr. maquinista que me olha de esguelha e aponta para o outro lado da estação como que a dizer que vinha lá outro... Abanei a cabeça, não queria saber, e fiz-lhe sinal para falar com ele. Surgiu na 1ª porta com aquele ar empretigado e começou logo mal "o que é que a senhora quer?"... senhora pffff... só porque devia ter menos 2 anos que eu, no máximo...pffff. Eu disse-lhe que ele andava a gozar comigo, a fugir com o comboio no exacto momento em que eu carregava para abrir a porta e que, inclusivé, no dia antes tinha saído antes de tempo... O empertigado ainda teve o desplante de me dizer que eu tinha de chegar mais cedo se queria ir naquele comboio. Pois que se eu consguisse chegar mais cedo, nem ía no dele, ía noutro que era bem mais seguro, respondi-lhe. E veio outro comboio nessa altura de calorosa conversa e disse-lhe bye bye que "hoje sou eu que não quero ir consigo".

 

Take 5)

Vinha eu a subir a rampa da estação e vejo o estupido do maquinista a fazer sinal com as mãos para correr... bom, como ele não era de confiança, eu corri esbaforida, entrei e sentei-me na 1ª carruagem feliz da vida... esperei 1 minutos, 2 minutos, 3 minutos... e o empertigado do maquinista não arrancava com o comboio. Até que apareceu outro comboio na linha ao lado, um rápido...ahhh... roguei-lhe pragas, ele tinha gozado comigo... não fosse eu estar sempre atrasada, eu não tinha apanhado o rápido e tinha ído ter uma conversinha com ele outra vez ... ai é tão parvo, o empretigado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:28

puzzle

por Closet, em 17.11.10

 

Hoje não falei contigo. Não senti as tuas palavras beijarem-me, o feitiço do teu perfume.

O sussurro da tua voz melada, rente ao meu pescoço, deslizando devagar. Pareces assobiar de mansinho. 

No lugar das palavras, um buraco que me engole, um fosso profundo. E eu um lugar incompleto, imperfeito, desfeito.

É o que acontece quando tornamos alguém o centro do nosso mundo.

Hoje não falei contigo e é como se hoje não tivesse vivido.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 00:13

Pág. 1/3



Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Novembro 2010

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930