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Encontro-te

por Closet, em 12.09.10

«Amanhã encontro-te. Não sei onde mas encontro-te. No automóvel ao meu lado no sinal vermelho, no correio por causa de uma encomenda, na mesa acolá, do restaurante onde almoço, numa passagem de peões, na sala de espera do dentista, seja onde for, encontro-te. Não deves ter mudado muito, nenhum de nós, mesmo que tenha mudado muito, mudou muito: qualquer coisa, uma expresão, um gesto e reconheço-te logo, reconheces-me logo apesar de pintares o cabelo, apesar de eu ter engordado (...)» António Lobo Antunes

 

 

imagem daqui

publicado às 21:48

Fábrica de Histórias

por Closet, em 09.09.10

Matar-te com um Beijo

 

Eram de cetim aveludado, os lençóis que cobriam o teu corpo quente, abandonado, entrelaçado, no meu. Não sabes que os comprei para esta noite, que a planeei, minuciosamente, na minha mente. Tudo para ti. Cada pormenor, cada detalhe, cada jeito. Para que tudo fosse perfeito. E agora que estou aqui, deitada no teu peito, a vaguear o olhar deleitada, enquanto estás a dormir. Gosto de ver-te assim apagado, sereno, com o cabelo despenteado sobre a minha almofada, ainda transpirada. Gosto e te ter atravessado na cama ao meu lado. Como seria bom ter-te sempre aqui. Gostava que me amasses, como te amo a ti.

Até o gato se encosta a ti. Estendido ao comprido, parece rendido, também viciado no calor que emana o teu corpo musculado. E até o seu pelo longo dourado, reluz e ele parece que sorri.

Recordo a noite que amargamente programei. Como que a rebobinar o que sonhei. O vinho tinto frutado que bebemos naqueles copos de pé alto que guardo só para ti. O jantar que preparei com as minhas mãos, a cebola que cortei em lâminas finas, translúcidas, como tu gostas, para um refogado exemplar. Faço tudo para te agradar. Cortei-a então devagar, em movimentos ritmados, violentos e irados. Acabei por não chorar. Julguei que iria fraquejar.

Decorei a mesa com todo o requinte. Os guardanapos vermelhos bordados, a toalha de linho de um branco imaculado. O faqueiro há muito tempo guardado, com as facas afiadas a reluzir. Reflectiam a chama das velas que ardiam nos candelabrosde ferro pesado. Olhei em volta e sorri ao imaginar-te encantado.

Chegaste à hora marcada e eu esperava-te nervosa com aquele vestido que me deste de cetim, vermelho e decotado, só para usar em noites assim. Gostavas que desfilasse devagar, sentavas-te no sofá e ficavas deslumbrado, só de olhar para mim. E eu desfilava lentamente, largando no chão peça por peça, dançando enfeitiçada por ti.

Também o gato correu à porta desenfreado. Também ele sentia saudades tuas, doentias, latejantes com um golpe voraz, como se o sangue não bombeasse as veias quando não estás. Ambos ficamos aninhados no sofá frio, apertando os corpos no vazio, de não te ter cá. Por isso ele foi a correr, lambeu-te a mão e roçou nas tuas pernas enlouquecido. Era parecido comigo.

Afastei-o para te abraçar também, inspirei o aroma do teu perfume, inebriada escondi a dor do ciúme e deixei os teus lábios deslizarem ávidos pelo meu pescoço, percorrendo o meu corpo morto. Gostava que me amasses como te amo a ti.

Agora que estavas a dormir calmo, sobre a minha almofada transpirada. Agora que ainda sentia restos do teu corpo dentro do meu. Tudo em mim estremeceu. O odor do prazer que fustigava os meus sentidos embriagados. Não sabia o que fazer. Os copos de vinho pousados na mesa de cabeceira, e as garrafas vazias enroladas nas roupas, já frias, espalhadas pelo chão. Aquela era a derradeira ocasião. Em que avançava, sem pensar. A dormir não me conseguias enfrentar.

Afasto-me então devagar, com cuidado para não te acordar. Piso descalça o soalho gelado, mas um ranger de tábuas fazem-te mexer. E eu suspendo a respiração, fico paralisada, nua num quarto vestido de solidão. Abres os enormes olhos azuis, aqueles mesmo com que me trais, e afagas o pescoço do gato, que ronrona deliciado, e perguntas-me “onde vais?”.

Atiro-me para o teu corpo cansado e desarmo-te com um beijo extasiado, de travo doce-amargo. Trinco o teu lábio satisfeito. Devoro cada centímetro do teu peito e mato-te ali mesmo, no meu leito, com o guardanapo bordado. Sufoco-te de prazer. Depois deito-me ao teu lado, sabendo que nunca mais estarás acordado, nem o teu coração vai bater.

Gostava que me amasses com um beijo, sentisses o mesmo desejo que eu. 

Outro amanhecer.

 

esrito para a Fábrica de Hstórias sobre o tema "uma música", escolhi "I'd love to kill you" da Katie Melua.

 

publicado às 21:21

Adoro-te à

por Closet, em 08.09.10

Distância...

 

 

Já tinha visto a apresentação mas só hoje, ao ver este cartaz, achei-o... estupidamente interessante e atractivo.
Não interessa que tenham mudado o sentido com a tradução do título... tststs... who cares?? Podia ser Adoro-te à paulada, à bofetada, às jolas e bolas de berlim... um mundo de ideias igualmente brilhantes.

Efectivamente quem lê pensa que os pobres coitados querem mesmo é estar distantes, ou até que se odeiam.... whatever...

Bom, quem tem esse tipo de interesses felinos, não vá ver este filme porque não é nada disto. Neste caso eles efectivamente vão ficar distantes, mas contrariados ... Já outros casos há em que, efectivamente, adoramos que certas pessoas se conservem longe, distantes e de preferência sem dar notícias, assim numa espécie de apagão de GPS social! Not bad :)

 

E depois, claro, há sempre aqueles que nós gostamos de manter por perto, mesmo que o filme seja uma estopada, que os dois não troquem um diálogo de jeito ou que seja um déjà vu de outro semelhante... who cares?? É o Ashton Kutcher, este eu não perco de vista!

 

publicado às 01:05

Sincronizar

por Closet, em 06.09.10

Não escondo de ninguém a minha aversão e impaciência para mariquices tecnológicas. Gostos dos gadgets, não propriamente de ler as instruções nas 5 línguas e vasculhar todos os menus disponíveis... nãaaa.... quando tenho uma mariquice tecnológica tenho um objectivo concreto em mente "faz isto" e o resto... don't care que demasiada informação atafulha o cérebro...

Mas vivemos num mundo tecnológico, e eu tenho um novo mp4 que estreei hoje. Ontem passei as musiquinhas todas e hoje ía confiante que aquilo funcionava, isto sem eu ler uma única página do livrinho em 5 línguas, don't care, vou clicando nos botões e aquilo começa a tocar. E tocou, de facto. Tocou 30 segundos de cada musica, era giro porque mal eu começava a gostar trázzz, ía para outra... Mesmo na eminência de ser atropelada, já que o estreei no percurso para ir ter com a minha amiga ao almoço, vocifrava contra aqueles 12 cm de arrogância cheio de menus com coisas esquisitas e gráficos de som e ... whatever que nem me interessa... basicamente eu queria aquilo a passar a musica inteira e em ordem aleatória... just it... very simple. Quero lá saber da luminosidade, do Playfix, do 3D...

Ao que parece tinha de o configurar, que é algo que eu também deduzo que esteja explicado nas letrinhas dos livrinhos de instruções em 5 línguas que eu não leio.

Mas detesto instruções, configurar e sincronizar... não sei o que detesto mais... (a propósito, também detesto portas automáticas, mas isso fica para outro post)

 

Também o meu telefone é smart, tão smart, tão smart que eu apago um contacto e ele vai e põe-o lá de novo, eu apago e passado um bocado está lá outra vez... não sei se é para chamar-me à atenção, dar nas vistas e mostrar-me que é muito inteligente... mas tem o terrivel defeito de sincronizar-se, assim, sem dizer nada... e lá tenho eu de levar com todos os contactos do FB na Lista telefónica, com as páginas de bandas, de editoras, com focinhos de cães e de gatos, com pés aos por do sol, pfff... uma panóplia de contactos que eu apago e... here it comes again... e chamam-lhe Smart! Give up...

SINCRONIZAR... é a palavra-chave que detesto... implica gerir ou fazer fluir multiplas tarefas ou acções para um mesmo lugar a fim de serem controladas ao mesmo tempo... qualquer coisa assim...

Na verdade, vendo bem, o conceito é até mesmo assustador... e neste momento sinto um verossimilhança enorme com a rotina diária, como seria bom des-sincronizarmo-nos de vez em quando e fazermos o que nos apetece sem mais nem porquês... como seria bom tirar o raio daqueles contactos sem cara do meu telemóvel grrr...

publicado às 22:48

Regresso às...

por Closet, em 06.09.10

 

E já começa mais um ano escolar.

Os Ninjas voltaram após 3 semanas de férias com os avós.

Com eles também voltaram os horários e as obrigações "momy, não arrumo nada, nadiiiinha"... "não quero ir para a cama?? é cedo..."...

De certa forma é um recomeçar, reorganizar sonos, rotinas... uma sensação que se está a rebobinar a vida, desta vez a uma velocidade mais lenta, mais calma. Porque a idade também nos trás a experiência de combater ansiedades, gerir o tempo, compreender o ritmo e a evolução. Os Ninjas estão crescidos... (aiii, tou velha!!) e este ano preparo-me para chorar baba e ranho com um finalista da Infantil e outro da primária...sim, eu sei que vou chorar mais que eles!! who cares?

 

Daqui a uma semana também eu regresso às aulas! De mais um curso de escrita, desta vez anual, "à séria", portanto! Espero que não me obriguem a escrever mais um pouco sobre a saga dos Lobisomens... no way, enough! A turma esgotou logo em Junho ... E não sei quantos somos, nem conheço ninguém, na verdade sei... rien, só tenho o calendário das aulas, e chega-me! Lá estarei às 2ªs feiras a criativar-me!!

 

Por agora apetece-me apenas um "estar semi-acordada", levando o dia-a-dia devagar, sem grandes exigências. Acompanhar de perto as conquistas dos meus Ninjas, partilhar os pequenos grandes momentos com familia e amigos e saborear aqueles devaneios só meus, de entrega às minhas personagens... (que sim, eu sei que não existem, e eu por vezes falo nelas com se fossem de carne e osso e fica tudo a olhar para mim como se eu fosse um allien... pfff... é nessa altura em que a vontade de me recolher para dentro da concha toma conta de mim, e o silêncio torna-se o meu melhor amigo).

Anyway... como diz a música Fire with Fire... E eu não vou mudar!

Como Emma dizia no livro "Um dia" de David Nicholls:

«O segredo, disse para consigo, é ser corajosa e arrojada e fazer alguma diferença. Não é exactamente mudar o mundo, só aquela parte à sua volta. (...). Mudar vidas por meio de arte, talvez. Escrever coisas belas. Estimar os amigos, manter-se fiel aos seus princípios, viver apaixonada e plenamente e bem

 

 

 

publicado às 00:39

Lua nova

por Closet, em 03.09.10

 

Um dia de cada vez.. suspiro... em vão.

Procuro onde não me encontro, porque me escondo numa ilusão.

Luas, desencontradas num espaço irracional. Ás vezes fraquejo, e sei que desejo tudo o que me faz mal.

Luas, sou de luas, envoltas numa imensa confusão. Mas luto contra essa lua que ainda sangra paixão.

Afastei-me. Desisti. Fingi.

Apaguei aquele luar da minha mente.

Raspo-me dos teus olhos. Indiferente.

E quando penso que tudo se supera

encontro-te numa esquina à minha espera.

Agora deixa-me.

Não me reconquistes.

Sou lua nova, para mim já não existes.

 

 

LUA ADVERSA

"Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é o dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu..."

(Cecília Meireles)

 

publicado às 00:49

Coisas que destestamos nos Homens

por Closet, em 01.09.10

Bom, começo por avisar que este é um post para rir, atenção! Nunca fui feminista, nem me imagino em manifestações a queimar soutiens (no way, adoro lingerie) nem a proclamar por igualdade entre os sexos... tststs... na verdade acho até muito bem que sejam eles a carregar com as malas, a abrir a porta do carro, a deixarem-nos passar primeiro e a pagar os jantares!!

 

Mas, no seguimento de um mail para os meus amigos surgiu esta "crónica" inspirada, quiça, naquelas pequenissimas lamúrias que nós, Mulheres, por vezes (muito poucas) temos sobre as atitudes do sexo posto!!

 

Então, aqui fica, provavelmente, o último post que terá acesso a comentários sem aprovação... veremos os insultos!!! Mas como todos os diabos têm sorte, quase todos os meus visitantes são do sexo feminino, ou seja, estou safa!

 

 

 

Coisas que detestamos nos Homens

 

Não, não pensem que me ficaria por coisas tão básicas como, "o nosso aniversário de casamento", pois os nossos paizinhos fazem questão de perguntar atempadamente "o que vão fazer? querem que a gente fique com os miudos?" ou algo semelhante; nem tão pouco "o nosso próprio aniversário" já que nós somos as primeiras a assegurar que eles não nos vão dar um mamarracho qualquer e durante árduas semanas tentamos, com todas as nossa forças, desviar a atenção deles da TV para aquele catálogozinho de roupa, ou mostrar uma publicidade a um relógiozinho novo, enfim... manobras efectivamente necessárias (ou acabamos o nosso dia a receber um par de microfones Sing Star que, by the way, nem sabemos ligar...).

 

Também alegrem-se que não estou a falar do "Dia de São Valentim", esse miserável que decidiu inventar um dia para "ah e tal beijinhos e flores e presentes"...quando ainda por cima é dia de um jogo de futebol importante, "raios parta o santo" resmungam... mas isso seria muito óbvio, afinal há todo um marketing à volta do dia, as lojas enchem-se de coraçõezinhos, a radio, a TV ... na semana antes deste dia eles são bombardeados com "O" dia dos namorados e só em raras excepções (raras atenção, não digo nenhumas) eles efectivamente ignoram este dia e vão de facto a... por exemplo, um jogo de futebol (quem é que já não adormeceu com uma lingerie novinha vermelho-paixão e agarrada a um cartão de coraçõezinhos enquanto o marido vibrava no SLB??? ok...provavelmente só eu... sorry adiante!!)...

 

Mas, finalmente, indo directo para o que efectivamente nós detestamos nos homens... tchanananan
é eles esquecerem-se de NÓS (e atenção que não estamos a falar das chaves do carro, nem do telemóvel, by the way, este último eles não perdem de vista!)... de Nós - as suas Mulheres -  nas situações mais inócuas, despropositadas e ridículas.
Veja-se, por exemplo, estamos de férias a arrancar para a praia e voltamos atrás a casa para buscar algo que nos esquecemos e... temos vontade de fazer um xixi... assim, um xixizinho... (não é um esguincho rápido como eles, ok, somos mais demoradinhas... so what? mas é um xixi) e quando saímos da casa-de-banho olhamos para um lado, para o outro, silêncio..."querido... iuhuuu"... e NADA... e da janela vemos o nosso marido a arrancar no carro com ligeireza e descontracção convicto de um dia bem passado. Temos a nítida sensação que olha para o lado e deve pensar "parece que falta aqui algo...humm... deixa ver... não, o telemóvel está aqui" e lá vai ele sorridente. Corremos para a porta desesperadas para depararmo-nos com a realidade cruel, ele não só se esqueceu efectivamente de nós como nos trancou a porta, enclausurou-nos num lindo dia de sol das nossas férias tal qual rapunzel nas masmorras de uma torre... Haja mulheres para lhe perguntarem por nós à chegada, para sentirem a nossa falta... "ahhh... hummm... ela não está aqui? não veio com alguém??...upsss... será que ficou em casa??"...

Pffffff

Claro que há casos mais graves, como deixar-nos numa bomba de gasolina na auto-estrada a ver revistinhas sem mala nem telefone e quando voltamos para o carro... "ohhh... eu ía jurar que o carro dele estava aqui..." desesperadas, lá temos de esboçar o nosso sorriso mais cândido e arranjar boleia de um camionista!! Mas este é outro capítulo!
SIM, são estes momentos únicos com que não sonhamos antes do casamento, do namoro até... mas que tornam a raça masculina tão obviamente... interessante.
(qualquer semelhança com factos reais é pura coincidência!!)

 

(Thank God que isto é um Blog e não um Stand Up comedy... já estaria a ser aremessada com ovos e tomates!!)

publicado às 01:02

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