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Ponto de Vista

por Closet, em 24.09.10

Nas primeiras aulas do curso de escrita estamos a trabalhar o “Ponto de Vista”.

Na verdade não é mais do que olhar sobre uma mesma situação sobre diferentes prismas. Uma mesma cena é contada por cada um dos intervenientes. O lugar e a sequência é sempre igual, mas ao encarnarmos “o outro” jamais “a cena” será a mesma.

A história é simples: “eu” estou sentada num bar vazio num final de tarde. Entra uma pessoa que se dirige ao balcão e pede um whisky. Entra uma 2ª pessoa que transporta um livro e senta-se ao balcão ao lado da 1ª pessoa.

Os dados são assim lançados. Ficou na “minha pessoa” a possibilidade de descrever o bar ao detalhe e as duas pessoas que entram nele, como são, como se vestem, o que fazem e o que dizem. Longe de saber que, nas aulas seguintes, iria encarnar cada uma delas, entrar nas suas cabeças e nos seus corpos e contar exactamente a mesma cena. Já sem possibilidade de sair da descrição física daquele Bar, mas com a possibilidade de destituir-lhe todo o seu espírito. O ambiente que classifiquei como triste e de alma vazia, pode ser acolhedor a agradável para a pessoa que entra e pede o Whisky com ar derrotado. As frases são sempre as mesmas, mas assumem outro significado acompanhadas dos pensamentos de quem as profere. É uma espécie de “dança das cadeiras”, tudo muda de figura quando somos nós a narrar a história, sob o “nosso” ponto de vista. E também é assim na realidade.

By the way, devíamos tentar fazer este exercício de vez em quando, talvez a vida se vislumbrasse mas simples, talvez encarnar no “outro” fosse uma experiência útil. Porque não o fazemos? A resposta é óbvia: porque, muitas vezes, simplesmente não queremos.

Por mais cursos que tire, confesso e assumo, não sou diferente do comum dos mortais e a realidade é aquela que vejo ou quero ver aos meus olhos. Por vezes é demasiado triste e cruel e é nesses momentos que o “nosso ponto de vista”, ainda que incompleto, distorcido, sem sentido, é aquele que nos ampara o corpo e faz seguir em frente. Por vezes é necessário ver as coisas de pernas para o ar, pinta-las de cores, arruma-las à nossa maneira… e então, depois, acomoda-las numa caixinha de fundo esburacado com a esperança que a “nossa versão” da realidade se perpétue no tempo.

Anyway, vários pontos de vista… deixo este exercício para a escrita!

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publicado às 11:57


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