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olhos cor de mel

por Closet, em 30.06.10

Estava num dia em que tudo me corria mal. E para terminar dei por mim perdida naquelas ruas labirínticas, antigas, onde choquei de frente com um sujeito alto e entroncado.

- Desculpe – disse sem olhar nos olhos e quase continuava quando senti a mão dele a segurar-me no braço – João??

Bastou o sorriso e não tive dúvidas.

Conhecemo-nos quando tínhamos 17 anos. Fui passar um mês ao Porto a casa dos avós da Rita. Ele vivia no mesmo prédio com 8 andares, num bairro calmo. Eu praticamente não conhecia a cidade, tinha ido lá uma ou duas vezes de fugida e não fazia ideia para que lado era o centro, a Foz ou Gaia. Para ser sincera, nunca me interessei muito por aquela cidade e o que mais me animava era comer francesinhas e sair à noite com as primas da Rita que viviam lá.

A primeira vez que nos cruzámos foi no elevador.

- Para que andar? – perguntou abrindo os olhos enormes cor de mel. O cabelo desalinhado castanho, caindo-lhe ligeiramente sobre os olhos, dava-lhe um ar rebelde mas inofensivo.

- 5º…a… não, 6º - gaguejei atrapalhada. Tinha saído sozinha pela primeira vez para dar uma volta enquanto a Rita tinha ido visitar uma amiga da avó.

- hummm… e se pararmos a meio? – piscou o olho rasgando um sorriso que alongava os seus lábios carnudos. Escapou-me também um sorriso envergonhado e senti de repente o coração a bater acelerado. Não tive tempo sequer para me questionar, porque mal passámos o 5º andar ele carregou no Stop.

- Então? É aqui? – Rejubilava de gozo, tentando a todo o custo aguentar o riso.

O tipo estava a meter-se comigo à séria, disso não tinha dúvida. E na verdade começou a irritar-me aquele ar de quem tem a mania que manda. Quem é que ele pensava que era? Não devia ter mais do que 1 ou 2 anos que eu e lá por ter 3 palmos de cara não lhe dava o direito de gozar comigo. Decidi entrar no jogo e fingir-me em pânico, com claustrofobia e falta de ar.

- Pára com isso, estou a sentir-me mal, olha que se entro em pânico posso desmaiar. Foi o que aconteceu da última vez que atravessei paredes…

- Ahhh .... - mordeu os lábios de riso fingndo-se apreensivo - Nesse caso é melhor descermos e apanhares uma pouco de ar, beber uma água… o que achas? – e sem hesitar carregou novamente no r/c.

O rapaz tinha uma lata descomunal… E eu não sei se fui por ter sido apanhada de surpresa, se por apetecer-me de repente conhece-lo melhor. Como me inclinava mais para a segunda hipótese, não contra-argumentei e segui-o até à porta do prédio sem dizer palavra.

- Então e o que fazes para além de atravessares paredes? – perguntou apontando para uma esplanada ao fundo da rua, de aspecto simpático, com chapéus de sol brancos e cadeiras de verga redondas.

(...)

 

um cheirinho de uma das historietas que estou a construir ....

Hummm... Tell me, este personagem tem potencial? interessa explorar?? :) eu já lhe desenhei o percurso!

 

publicado às 01:39


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