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Eram muitas vezes...

por Closet, em 20.06.10

Cresci a pensar que todas as histórias começavam com “Era uma vez…” e, invariavelmente, terminavam com “ viveram felizes para sempre”.

Na verdade acho que bem cedo comecei a desconfiar deste chavão “era uma vez”, quando eu própria me desdobrava em múltiplas personalidades e estados de espírito. Nunca me contentei em ser apenas o meu nome, sempre detestei rótulos, como poderia aceitar o “era uma vez…”? Uma única vez? E o meu Eu-viajante? E o meu Eu-actriz? E o meu Eu-escritora? E o meu Eu-pintora? ... Demasiados Eu(s) conviviam dentro de mim e ainda acho que a necessidade de optar é cruel e inútil.

Também depressa fui percebendo que na vida real os finais não são assim tão lineares, que as histórias não são simples e que o próprio conceito “feliz” é ambíguo, diria mesmo híbrido.

Se é porque as pessoas mudam, transformam-se, querem outras coisas, a verdade é que não existe uma justificação clara de como será possível uma história real desenrolar-se com a certeza que o seu final será “foram felizes para sempre”. E mesmo nessas hiostórias que nos contavam em pequenos, a história acaba aí, como se fosse a sua morte.

Por isso também desde cedo detestei o planeamento a longo prazo e convivi alegremente na minha organizada desorganização diária, nas surpresas que me reservava o dia a dia, as pessoas que ía conhecendo, o mundo que se abria a meus olhos.

Percebi que todas as histórias são inventadas. Se não fossem inventadas não seriam histórias. A partir do momento em que são contadas, reinventam-se, crescem, tomam vida incontrolável. A vida de uma história.

Eu sempre gostei de inventar histórias. Transpira-las por todos os poros do meu corpo. Ausentar-me de mim por instantes para construi-las. Mas nunca pensei em escrever livros. Na minha cabeça sabia que ía aborrecer-me rapidamente das personagens ao fim do 3º capítulo. Ía fartar-me da história a meio. Um livro tem muitas páginas para uma das minhas histórias.

Se este desejo foi crescendo dentro de mim, foi a vida a fazer-me mudar de ideias e se, por acaso, acontecer algum dia escrever um livro, será talvez por obra do destino (que, vendo bem, não acredito que isso sequer exista). Poderia ser daqui a uns meses, anos, ou nos últimos dias da minha vida. Não interessa. Esse desejo está a crescer e a tomar forma, uma forma naturalmente desorganizada, por capítulos que são histórias. Como as sinto e vejo, como as vivo e invento.

E se algum dia escrever um livro meu começará certamente por “este não é um livro sobre uma história. Não é sequer uma história, são retalhos, que eu criei para mim”. Bom… estou condenada ao insucesso está visto!!

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publicado às 19:28


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