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Choque

por Closet, em 08.06.10

 

Embateram numa esquina qualquer, numa noite de chuva fria.

Estilhaçaram-se mutuamente nesse dia, num choque abrupto, frontal.

Primeiro com a força do corpo, depois a violência do olhar.

Confusos, respiraram rente à boca. Ofegantes. Atraídos por instantes num apetite voraz.

Baixam-se para apanhar as folhas caídas no chão. E deixaram-se cair também, descontrolados.

No piso empedrado, gelado. Por um tempo que os ponteiros do relógio não sabem contar, indeterminado, volátil, carnal.

Ela mordeu os lábios sequiosos, ele raspou os seus pelo seu pescoço. Sôfrego.

E os olhos voltaram a cruzar-se. Fixaram-se. Demoradamente. Enfeitiçados.

Os braços serpentearam enredados, as mãos despiram-se de prazer.

Caídos, debaixo da chuva fria, amaram-se sem se conhecer.

As bocas vazias de palavras, apenas sedentas de amar. No presente. Numa noite que se fez quente, o tronco suado contra o peito que bate acelerado. O passado é inexistente, o futuro indiferente.

Levantaram-se êxtasiados, de corpos molhados, viciados numa fome incerta. Assustados.

Dobraram a esquina separados. A noite era fria. A rua estava deserta.

publicado às 23:25


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