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Não ser visto

por Closet, em 07.04.10

Hoje enquanto fazia... tempo, para...o tempo... deambulei pelo centro comercial e aterrei na Bulhosa. Curiosamente ultimamente apetece-me vestir de...livros. Pelo menos deve ser menos criticável do que estar em casa no facebook... não sei, nunca pensei nisso, sinceramente nem tenciono fazê-lo. Mas a verdade, por incrível que possa parecer a alguns, é que gosto de lá estar mesmo sozinha, beber um café e folhear uns livros e, de facto, não tenho muitas oportunidades de o fazer.

Deparei-me com um livro no top de vendas sobre a morte (não vou dizer o título pois corro sérios riscos do autor descobrir este meu canto e eu ter de me desculpar de não ter escrito algo interessante...). O tema repele-me, confesso. Na verdade, acho que não lido bem com a idade porque tenho este pânico de morrer cedo, não propriamente de morrer, de sentir dor, mas antes talvez de causar dor aos que me rodeiam ...sei lá. Dei por mim a pensar que era de facto narcisista em ter esta preocupação. De qualquer forma, desde que sou mãe esta situação agravou-se consideravelmente, admito. Adiante...lá estava o livro com um poema de Fernando Pessoa como mote de abertura:

 

«A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.»  Fernando Pessoa

 

E lá fiquei eu a pensar nisto...

Em como estamos mortos para tanta gente que não nos vê ou quer ver como somos...

Na verdade, há dias em que me apetece mesmo estar "morta" e não ser vista. Ficar no meu canto. Com todos meus defeitos. Imensos, luto e convivo com eles diariamente. Não sou melhor nem pior que os outros. Mas esforço-me por aceitar cada um como é e, acima de tudo, não critico nem me permito a fazer juízos (mesmo quando não compreendo... e se há muita coisa que não compreendo, tantas). Mas quem sou eu?

Gosto de muita gente, é um facto. Em diferentes degraus naturalmente, mas raramente antipatizo com alguém. Tento sempre encontrar em cada pessoa o que considero positivo, e geralmente dou-lhes tempo porque nem tudo é o que parece à primeira vista, quase sempre arrisco, dou o benefício da duvida. Não tenho preconceitos. Falo com estranhos (definam "estranho") e se gostar deles aceito-os como amigos. Devo ser de outro planeta, muito provavelmente... Ainda assim, às vezes sinto-me a morrer aos poucos, ao curvar as estradas que sigo no meu caminho.

Quem quiser segue-me, outros perdem-me de vista. Mas, não tenho dúvida, com tudo o que a vida já me reservou (e não tive uma infância propriamente normal e fácil), sou eu que decido, pela minha cabecinha loira, o meu caminho. E não o vou justificar a ninguém.

Graças a Deus que tenho a meu lado um homem maravilhoso que me aceita, mesmo sem compreender muita coisa do que digo, gosto ou faço, mas que é sem dúvida o meu porto de abrigo.

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publicado às 23:23


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