Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Retalhos

por Closet, em 25.02.10

René Magritte "Os Amantes" 1928

 

Estava eu no Domingo completamente em bloqueio para terminar a minha história da semana para a Fábrica, quando me deparo no FB com um post de um amigo com este quadro e a "estranha"(pareceu-me) legenda "Homenagem ao amor. Mesmo o que se esconde por detrás de máscaras".

Confesso que não resisti... perguntei logo se poderíamos chamar a "isso"... "amor"??

- Boa pergunta - respondeu ele - depende das perspectivas.

Quanto a mim, uma máscara impede qualquer perspectiva... ainda lhe respondi. E lá continuou o ping-pong.

 

Na verdade foi este quadro com amantes de cabeças tapadas que me inspirou para o eixo da minha história... don't ask me why... mas a verdade é que tenho andado a pensar nele e até começo a acha-lo... familiar. Tenho um livro de Magritte com a maior parte da sua obra, e mesmo não tendo este quadro, encontrei logo no início outro dos mesmos Amantes tapados... Houve alguns dentro desta linha. Claro está que as interpretações mais imediatas destes seus quadros levam para explicações como "a cegueira do amor"...mas segundo o pintor nada tem a ver com cegueira. A verdadeira razão do "tapar" era porque considerava o oculto mais importante do que o revelado... strange... anyway, isto não me tem saído da cabeça...

 

Confesso que para o meu amigo brinquei que não gosto de máscaras (só boinas)... mas na verdade ultimamente sinto uma vontade avassaladora de tapar a minha cabeça, quer para protege-la do que não me apetece ver, quer para também não me verem a mim, ficar lá sossegada no meu cantinho oculto.

Às vezes pergunto-me se já não tenho andado há algum tempo com um pano sem me aperceber...  muito provavelmente, sim. (Talvez até seja a verdadeira explicação para as constantes quedas que tenho dado, que aliás originou um deslocamento no osso do meu pulso, algo que amanhã irei clinicamente diagnosticar...whatever).

 

Voltando aos panos (e não a máscaras, cuja conotação é distorcida e evoca um comportamento de metamorfose premeditado) questiono: terá alguém um melhor conhecimento do outro sem o "ver"? Conseguirá amar sem o poder da visão, sem o toque da pele, num oculto que abre um imenso caminho para a imaginação?

Well... como diz uma colega meu "é assim, mas não é bem assim"... ou seja, Não sei. Nem tenho opinião... mas estou certa que eu não preciso de "ver" para gostar, que mesmo vendo sou, consciente ou inconscientemente, capaz de filtrar o que quero ver e por isso mesmo distorcer a realidade... e acabo por gostar do que vejo através da lente dos meus olhos. No fundo, é como se estivessemos todos cobertos de panos, retalhados por quem os vê e não por quem os enverga...

E para quem nem é fã de Magritte... dei por mim a folhear o catrapázio de mais de 200 páginas que tenho sobre o pintor...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:16


Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Fevereiro 2010

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28