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Tinta

por Closet, em 15.01.10

Tenho andado num estado catatónico...confesso...o que quer que seja que isso signifique...

Na verdade o ano começou bem e em breve muita coisa se irá (re)compor na minha vida, o que será um alívio enorme...bem sei.

Mas, há sempre um "mas", individualmente, no meu ser mais egoísta, sinto-me vazia, apática, por isso tenho evitado escrever... uma amiga disse-me há pouco tempo "vê lá se tropeças numas escadas, se cais no colo de alguém ou te acontece algo hilariante" ... bom, efectivamente não deixei de tropeçar, na verdade ando a aprimorar-me na arte de ler enquanto subo e desço as escadas do metro o que... já causou alguns incovenientes... confesso... para além de uma nódoa negra num joelho... adiante, não estamos no verão, who cares??

Apenas não estou "in the mood" para escrever episódios para rir, sorry...

Como a minha Best Friend me disse, a vida é como um grande quadro por pintar, e nós temos de lhe atirar com bastante tinta...Há dias em que consigo pintar tudo de amarelo, que é a minha cor e toda eu sou EU, há outros em que aparecem pinceladas mescladas que ofuscam a visão, como um "olá" desgarrado de quem nunca se conheceu ...e ainda há outros, como agora, em que olho o quadro e só vejo a tela em branco...  um branco imenso e deserto, e sinto que estou à espera de algo para começar a pintar...

Enquanto espero, ando a ler, nas minhas viagens diárias para aquele edificio que me encerra horas infindáveis do meu dia, o livro "Kafka à beira-mar "de Haruki Murakami. É um nadinha de nada muito grande para transportar no comboio, mas who cares, lá vou eu a ler sobre um homem que fala com gatos, peixes que caiem do céu, cabeças de gatos cortadas por um homem que come os seus corações, e de um adolescente que foge de casa numa viagem tresloucada à procura não sabe bem do quê...whatever...parece estranho, mas na verdade, para quem se sente "em branco" o surreal faz curiosamente sentido, e até sabe bem...

Anyway, tenho estado "à beira-mar", que aliás é um local que aprecio bastante (embora a chuva insiste a teimar demover-me), mas estou por lá, de pés descalços enterrados na areia à espera de uma onda que me envolva e me alegre o espírito. Está para vir, eu sei, sou óptimista...é que entre mim e o tempo não há mal entendidos... e talvez para a semana, quando começar um novo curso de escrita, certamente encontrarei novo alento e motivação pessoal para enfrentar as correntes adversas do dia-a-dia!

Dizem que não se avança sem derrubar obstáculos, e bem sei que às vezes eles nem existem, são produto da nossa mente, fantasias que inventamos para nos agitar a alma, preencher buracos dentro de nós para nos sentirmos vivos... Mas derrubar obstáculos é sempre um acto que cansa... caímos várias vezes, levantamo-nos, voltamos a cair para, finalmente, conseguimos saltar... depois precisamos desta paz e descanso, como que um luto em espaço e tempo vazio, branco... eu estou a precisar, para que possa novamente pintar Arco-íris de cores alegres, com um amarelo tão forte capaz de me iluminar.

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publicado às 00:28


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