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ser Mãe

por Closet, em 15.12.09

Hoje esteve muito frio. Por isso...na azáfama habitual de sair de casa com os miúdos ainda me lembrei de levar-lhes um gorro "sim, porque deixo o carro num parque perto do colégio e e ainda temos de ir a pé um bocadinho"... Cheguei ao parque, já em contra-relógio, como sempre, e disse para trás "ponham os gorros" e ao abrir a porta de trás deparo-me com os dois de gorro na cabeça mas só com a bata vestida...qual casaco?? "para dentro, já, está frio" gritei aflita e toca a enfiá-los no carro e a tentar, no meu super-mega-tecnológico telemóvel touchscreen, ligar para o meu marido que ainda tinha ficado em casa... o coitado lá teve de voltar para trás a buscar os casacos para deixar na escola e eu deixei-os à porta depois de um ralhete ao mais velho "tens de te lembrar de trazer o casaco.. agora.não vais para o recreio"...ele desata a chorar que queria ir brincar, claro..."ok, pronto, vai, mas corre filho, corre para não teres frio" e lá desdisse tudo... que nódoa... e lá fui outra vez deixar o carro no parque rosnando esta minha capacidade inata de despistanço e ainda por cima de ter dado o ralhete na criança de 8 anos..."queria lá ele saber do casaco? tinha era na mão a bola saltitona que tinha trazido emprestada do amigo"... confesso, que passei o dia num aperto e só descansei quando cheguei a casa e lhe disse que ele não tinha culpa nenhuma, que eu é que me tinha esquecido do casaco...

Ser mãe não é fácil...somos muitas vezes demasiadas exigentes, injustas... não sei sequer qual a poção mágica para não errar... mas no meio dos meus (muitos) erros, penso neles, analiso-os, e tento compreender-me para explicar-me depois aos meus filhos... acho que é um começo.

Uma pessoa que eu adoro vai ser mãe, uma mãe excelente, não tenho dúvidas, mas está naturalmente apavorada...so what? O desconhecido assusta!

Tenho lido umas crónicas de Eduardo Sá que me têm "tocado" também sobre este tema e acho que consigo aqui reunir uns pedacinhos que, para mim (e o autor que me perdoe o mix)  fazem todo o sentido para o desejo-pavor de ser Mãe.

"Muitas pessoas transformam a vida num espantalho. De cada vez que espantam os medos ficam mais presas a eles. É por isso que sendo grandes, se sentem (por dentro) desamparadas. Mais ainda, porque já perceberam que amar é sermos pequeninos (aliás amar é podermos (...) ser de colo outra vez)."

É dificil crescer, deixar de ser "a filha", passar a ser "a mãe", deixar de "ter o colo" para passar a "ser o colo"... eu sei!

Talvez por isso "Muitas pessoas receiam desenhar um rumo para aquilo que desejam. Parecem sentir a vida como um barco sem leme, por não terem quem, olhando consigo, faça de farol e de horizonte ao mesmo tempo, tornando os sonhos navegáveis e dando novos mundos a todos os desejos".

Um filho muda a nossa vida, muda-lhes o rumo,muda-nos por dentro, transforma-nos... mas leva-nos a lugares que nunca antes visitámos, a paraísos que jamais poderíamos imaginar...um filho é um mundo por descobrir, a cada dia, "são as janelas com que apanhamos sol por dentro" e nos tornamos num ser humano melhor...não tenho dúvida que todas as dificuldades iniciais são amplamente compensadas... e com calma e paciência, o nosso Eu, deixa de ser só a mãe, e tem vida própria, tem essência, profissão. Porque todas nós somos "muitas"...e ainda bem! 

E para terminar, porque apesar de algumas amigas acharem que sou excelente mãe... e eu encontrar em mim um monte de defeitos (sim, na verdade os meus filhos têm a benção de ter uma empregada-bábá maravilhosa, uma avó única e um pai perfeito...), reconheço que todos os pais erram de vez em quando... 

"Todo o coração tem os seus degraus. Logo que se conquista um, sobe-se ao céu. Sempre que nos deslumbramos nele, cai-se... pelas escadas a baixo. Todo o coraçao tem os seus degraus. E o dos pais não foge à regra. Mesmo que o imaginemos como clarão. Excelentíssimo. Que acolhe, acalenta e adivinha. Mas nem todos os pais sobem os degraus capazes de colorir o coração de uma criança. Perdem-se nalgum.(...) Basta que não cresçam connosco. E que não casem a complexidade com a simplicidade. A complexidade dos desafios com a simplicidade que se inventa para lhes fazer frente. (...) Porque todo o coração tem os seus degraus. E nem todos os pais sobem os degraus capazes de colorir o coração de uma criança sem que se deslumbrem a seguir".

Se assusta?? Deveras... é talvez o maior desafio crescer com eles, subir devagarinho e ao mesmo passo cada degrau da sua vida...não é preciso ir atrás, nem à fente...acho que o segredo é ir lado a lado, e escutar com o coração.

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