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Névoa

por Closet, em 09.11.09

Hoje acordei como se uma névoa enorme pairasse ao meu redor. Assim, sem razão aparente, uma imensa e confusa neblina me turvasse a vista, me arrastasse a mente para fora de mim. Diz a minha Best Friend, que almoçou comigo, que era como se eu estivesse a flutuar. Na verdade, teria sido melhor se estivesse, já que não me teria estatelado  no meio do chão à porta do meu trabalho... mas caí... definitivamente não estava em mim, havia uma erosão interna que me desgastava, uma qualquer ausência de mim.

Acho que há dias assim...

 

Estou a ler um livro que me atrai com a mesma intensidade que me incomoda, talvez porque contem na sua essência uma trovoada de sentimentos contraditórios, difusos... mas aos quais não sou alheia. Pelo contrário revejo-me em muitos deles, da mistura das personagens, dos diálogos e dúvidas que encerram.

 

Sempre fui uma pessoa de fácil trato, mas quando percorrem um pouco mais o caminho por onde vagueio, poucos são aqueles que verdadeiramente me compreendem, ou que sequer se dão a esse trabalho... é tão mais fácil ver do que sentir ou pensar...

 

Deixo aqui algumas das minhas passagens preferidas que vou absorvendo, devagar...

 

Pensar como os comuns mortais

"Tem sido sempre assim, desde miúda. Quando havia uma coisa que não percebia, agarrava, umas atrás das outras, nas palavras espalhadas a meus pés e alinhava-as por forma a com elas construir frases. Quando não conseguia, voltava a espalha-las, a arruma-las segundo outra ordem. À força de repetir esse gesto vezes sem conta, tornei-me capaz de pensar sobre as coisas como o comum dos mortais."

 

a colisão e os sonhos

"(...) as pessoas têm de engendrar mentalmente uma estratégia inteligente se quiserem que «aquilo que sabem» e «aquilo que não sabem» coexistam em paz. E essa estratégia (...) consiste em pensar. É preciso encontrar um ponto de apoio. De outra forma, e não tenham ilusões, entraremos em plena rota de colisão. (...)

A resposta está nos sonhos. Em sonhar e voltar a sonhar. Penetrar no mundo dos sonhos, para nunca mais de lá sair. Passar o resto da vida a sonhar. Nos sonhos não é preciso estabelecer grandes distinções entre as coisas. Nada disso. Não existem barreiras. É por isso que raramente existem colisões nos sonhos. E quando as há, não fazem mossa.  A realidade é diferente."

 

A paixão é simples e violenta como um tornado

"O gelo é frio e as rosas são vermelhas. Estou apaixonada e este amor vai decerto arrastar-me para longe. A corrente é demasiado forte, não tenho escolha possível. Pode muito bem levar-me a um sítio especial, a um mundo inteiramente desconhecido. A um lugar povoado de perigos, onde esteja escondida alguma coisa que acabará fatalmente por me ferir. Posso acabar por perder tudo. Mas já não posso voltar atrás. Só posso deixar-me ir com a maré. Mesmo que comece a arder, mesmo que desapareça para sempre."

 

in Sputnik meu Amor de Haraki Murakami

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publicado às 23:06


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