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Deixa-me ficar

por Closet, em 15.03.09

Deixa-me ficar

Só mais um pouco.
Encostada ao teu peito.
Preciso acalmar
Esta luta interior.
Deixa-me sentir
O teu coração bater
Os teus braços à minha volta
As tuas mãos a deslizar
Fingir que não sou eu.
Acreditar que vai passar,
Tudo passa afinal.
Mas deixa-me ficar.
Serei outra em delírio,
Sem perguntas,
Sem respostas.
Que importa afinal?
Se tudo vai passar.
Enrosca-te ao meu corpo
Beija-me, abraça-me
Enquanto durar o momento.
O depois já não é nosso
Seremos fantasmas do tempo.
Deixa-me ficar
Só mais um pouco.

 

(coisas que um dia escrevi...silly me!)

 

publicado às 13:52

Vizinhos

por Closet, em 14.03.09

Mafalda passou-me o seguinte desafio:

As regras são:

 - dizer o nome da pessoa que enviou o prémio

- dizer três coisas boas sobre a vizinhança (ou sobre o local onde mora) e três coisas más

- desafiar seis pessoas

Em primeiro lugar convém explicar que moro num condomínio de 3 moradias em banda, sendo a minha a aconhegadinha do meio... De um lado  tenho um casal simpático entre 35 e 40 anos, com dois filhos pequenos, e tudo seria perfeito se não fossem um bocadinhozinho estranhos... os miúdos não conhecem pão embalado nem bolachas de chocolate... desconfio que sigam alguma doutrina macrobiótica...Adiante. O do outro lado é divorciado, também entre 35 e 40 anos, comissário de bordo. Tem uma filha que apenas está cá ao fim-de-semana e uma namorada gira que só vem cá de vez em quando. Ele até é engraçado mas é abominavelmente convencido. Confesso que tive uns episódios inusitados com ele, assim uns encontros imediatos ambos de pijama no jardim ... e uns problemazitos que tive com as mangueiras...siga!

 3 coisas boas:

- são giros e jovens, vestem-se bem..enfim, são agradáveis à vista

- têm filhos da idade dos meus, que já vão brincado de vez em quando

- não são barulhentos, parece que estou isolada no campo, isto é um sossego (excepto quando dou festas e os pobres coitados nunca se queixaram!)

3 coisas más:

- o comissário de bordo tem a mania que é o máximo e gosta de dizer umas piadinhas irritantes...às vezes finjo que não o vejo só para não lhe falar.

-  ... não tenho mais, os outros são uns paz de alma, nada a apontar, lucky me!

Passo o desafio a quem quiser fofocar sobre os vizinhos!!

publicado às 21:10

Mulher ao volante

por Closet, em 13.03.09

O meu exame de condução, o 1º ... aquele que, enfim, não me correu lá muito bem...

Foi há 10 anos e admito que não estava nervosa, para estupefacção da criatura masculina que partilhava o exame comigo... Um rapazinho baixo, com óculos enterrados no nariz e roupas compradas pela sua bisavó... ainda acho que foi ele o responsável por eu ter chumbado, com aquela imagem arrepiante desinspirou-me completamente...adiante.

Para minha sorte, ou neste caso azar, o exame foi perto da minha casa, lá pela minha zona, como eu explicava ao examinador mesmo antes de entrar no carro. Perguntou quem queria ser primeiro, perante o olhar aterrado da criatura masculina eu nem hesitei “Eu” pois está claro e avancei confiante para o volante.

Primeiro bloqueio...tentei arrancar sem tirar o travão de mão... raios parta o carro que não saía do lugar...silly me!

Naquela altura o instrutor ía ao nosso lado e o examinador e a outra criatura íam atrás. Confesso que nunca gostei do meu instrutor, tinha a mania que tinha graça... na maioria das aulas eu servia de motorista para sua excelência ir às finanças "à e tal precisava de um impresso", à junta de freguesia "à e tal precisa de entregar algo", ao centro de saúde "à e tal precisava de uma receita"...eu bufava, mas lá ía aguentando a coisa...mesmo a aula que fiz a um sábado às 7 da manhã e que me obrigou a ir a Sintra "à e tal precisava de ir lá" e em plena IC19 a caixa de velocidades pifou e "agora não pode parar ouviu? se não ficamos aqui, ouviu?"...oh God...foi a vigem interminável a 40 km/h...

No dia do exame o homem pôs um after shave terrível... e vai daí também foi uma das coisas que me desconcentrou...

Depois de receber um murro no joelho do dito instrutor malcheiroso, percebi que tinha de tirar o travão de mão, e não é que o carro andou?? Começámos o percurso e entrámos na rua onde vivia a minha irmã... comecei logo entusiasmada a falar e a gesticular “ali mora a minha irmã, está ver naquele prédio, é aquela janela ali...” bom, com o entusiasmo cheguei a um cruzamento e, não havendo instruções, segui em frente obviamente...até que ouvi uma buzina estridente e o carro parou...what??

Então a menina não sabe que entrou numa rua de sentido proibido??" Perguntou enervado o examinador. O malcheiroso abanava a cabeça com aquele ar de porquinho atarracado... eu fulminava-o com os olhos, como é que me deixou ir para ali? Podia ter-me dado outro murro (quem dá um dá dois), virado o volante ou simplesmente não ter travado o carro, eu atravessava a rua rapidamente e depois negava ter passado por tal rua, o senhor examinador estava era com alucinações...

Respondi então com meu ar mais inocente e angelical “Eu só ando por esta rua a pé e já andei nos dois sentidos”. O velho do examinador rosnava já sem paciência e mandou-me seguir para um local onde ía trocar com a criatura do banco traseiro que já transpirava com os óculos embaciados.

Bem, eu já estava chumbada, por isso decidi contemplar os meus passageiros com uma condução de luxo. 

- “aiii a menina não sabe que deve parar antes de virar numa perpendicular??”

- “não”

- “aiiii a menina já viu onde está?"

- “no eixo norte-sul”

- “nãoooo, está a andar na berma da estrada”

Who cares?

Pronto. Acabei o exame com um distinto Reprovado ao cubo e ainda com o conselho (leia-se ordem) de tirar novamente lições de código. Wonder why? Homens histéricos

 

 

publicado às 00:22

I Know

por Closet, em 12.03.09

A Cloudy ofereceu-me este mimo, que agradeço e retribuo obviamente.

Confesso que o achei egraçado "She Knows"... mas que raio de ideia??? pensei eu...e logo eu que tenho a mania que nunca sei nada de nada e que tenho mesmo jeito é para inventar...

Bom...mas de facto agora com o geocounter cinco estrelas que arranjei já podem dizer "She knows" a malta que anda por cá...e agora roam-se de inveja: quem é que tem um vsitante da Antigua and Barbuda, hein?? Crazy me, pois está claro... I know :)

Pois bem, mesmo não fazendo um boi de ideia onde fica tal local neste planeta, acredite Sr. Antigua e Barbudazence, gostei muito de o ter por cá. By the way ele não deve perceber pevedides de português, e nos entretantos já pesquizei e descobri que são umas ilhas nas...Caraíbas, YES! e fala-se inglês. Então aqui vai para o senhor... ou senhora, who cares? 

"Dear Sir or Madam from Antigua and Barbudas:

I'm very very happy to have you here, and will be more if you invite me to visit you in Caraíbas!"

Não custa tentar... just in case! afinal gostei da bandeira com um sol e vi na wikipédia que o lema do país é "cada um esforçando-se, todos alcançaremos", e eu sou esforçada....pronto, OK,quero ir para as Caraibas!! Alguém que vir também?

Beach

 

Ofereço este mimo a todos os blogs do meu perfil pois está claro, cada uma sabe o que é que sabe... eu fiquei contente em saber do visitante da ilhazita nas Caraíbas, confesso!

publicado às 21:45

Coisas que fiz

por Closet, em 11.03.09

Não fosse o sol fantástico e o almoço numa esplanada com 5 amigas que adoro, diria que o meu dia seria...para esquecer...terminando estupidamente a fazer exercício forçado entre a Baixa Chiado e o Cais Sodré às 20h porque o metro avariou... lá fui eu a enterrar os saltos na bela calçada portuguesa... inventada por homens só para nos torturar, óbvio...

Bom, whatever... fui pensando naquele post da Mafalda sobre as coisas que quase ninguém sabe sobre mim, e pensei, why not? coisas disparatadas claro... Só a minha Best friend sabes disto e já chorámos a rir ao telefone a lembrar. Então aqui vão umas.

 

- Sempre tive a fama de doidinha, de tal forma gostava do apelido que escolhia as minhas vítimas - leia-se o grupinho de rapazes mais estranho e enfadonho da escola - e fazia-os acreditar que tomava comprimidos para a cabeça. Para tal sacava sempre de um frasco cheio e smarties vermelhos e engolia-os aos dois e três à sua frente. Bom, isto não seria mau de todo se não me desse na cabecinha para os convencer que também precisavam de tomar comprimidos...mais fraquinhos, claro...nada mais nada menos que umas caganitas secas do meu Porco da Índia religiosamente guardadas num frasco... e não é que as engoliam??ugh!!

- A maluqueira foi evoluindo com a idade e no 10º ano fui um bocadinho mais longe...apropriei-me do cartão de uma consulta de neurologia no hospital Júlio de Matos da minha avó  e... convenci a professora de História que andava lá...by the way, tive desculpa durante dois anos para atrasos e faltas de atenção constantes...so what??

- Fiz um olho negro à minha melhor amiga... shame on me! Foi num acampamento que fizemos ao Gerês, queriam acorda-me de manhãzinha...what??... tocavam guitarra colados à minha Iglo e eu, com o meu mau acordar, atirei com uma lata de atum pela porta...upsss no momento em que a minha Best Friend ía a espreitar ... não foi fácil explicar isto aos pais dela...

- Um colega meu do 9º ano corria atrás do meu autocarro...e não, não estava apaixonado por mim, era daquelas criaturas estranhas que não falava com ninguém e eu insistia em falar com ele...acho que o irritava tanto que ele tinha vaipes e perseguia-me tresloucado... chegava a ser assustador...brrr, crazy me!

- Já acampei na festa do Avante, eheh, moi même no meio daquela confusão, who cares?... mas não assisti a nenhum comício (aliás como 80% da malta que lá vai pelo que percebi). Adorei o caldo verde e o chouriço, os concertos e... claro, acampar com a minha Best friend e uns amigos engraçados que tínhamos conhecido nesse Verão.

- Estes nossos amigos, dois eram gémeos, o outro... nem por isso. Eles viviam nos suburbios e tinham medo de vir ter connosco à cidade porque podiam ser... assaltados Um dia deu-nos na cabeça em aparecer no café onde costumavam estar à noite (leia-se, nos subúrbios) com máscaras na cara e chapéus enterrados na cabeça... nunca percebemos porque não acharam graça... acho que se assustaram! Silly guys!

- Numa festa temática da Faculdade numa discoteca fui mascarada de Heidi, ou qualquer coisa do género não sei bem, aliás nem mais ninguém soube tal era a estranheza da indumentária... adiante... mas antes de ir para a festa decidi ir com a minha Best friend buscar o seu namorado, nada mais nada menos que à Academia Militar... isto, claro, fazendo ainda um agradável percurso de transportes públicos naqueles belos trajes... so what?? Anda tanta malta mal vestida por aí...

- Numa noite estava sozinha em minha casa com um amigo e uma amiga e resolvemos, por brincadeirinha, telefonar para um daqueles serviços de acompanhantes dos jornais...só posso dizer que andámos de gatas às escuras dentro de casa para não seremo vistos da janela e... tivemos mesmo de pagar o “serviço”, sem usufruir, claro!

 - Fiz “bruxedo” com uma foto de uma amiga minha, queimei a cara dela porque ela se aproveitou do meu estágio de volei nas férias da Páscoa para me roubar o namorado... by the way ela não ficou nem com um niquinho de urticária...mas eu deixei de ser amiga dela, já dele...a carne é fraca ;-)

Bom...e teria muitas mais histórias... interessantes...para contar! Fica para a próxima que vou descansar esta minha cabecinha loira!

 

 

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publicado às 22:40

O valor da Amizade

por Closet, em 10.03.09

Uma amiga minha querida faz hoje anos. Chegou de NYC... que inveja... de uma férias bem merecidas. Ela sempre gostou de ler tudo o que eu escrevo, do mais poético ao mais disparatado....Eu prometi-lhe deixar aqui hoje um texto para ela.
Nós já passámos por momentos de euforia em que partilhámos gargalhadas, e por momentos de tristeza em que amparámos algumas lágrimas. Pensei em escrever para ela, ou sobre ela, ou sobre nós...bem, sobre o valor da amizade.
Amiga aeromoça
A amizade não vale nada. Sabias? Poque é gratuita. Não se compra. Não se vende. Não se mede. Não se pesa. E ainda bem!
Não existem litros, nem cêntimetros, nem quilos para medir o que eu sinto por ti. O que seria medir sentimentos?
Quanto pesa um sorriso rasgado quando os olhos se encontram?
Quando mede um abraço apertado na hora certa?
Quante vale um segredo partilhado, uma lágrima apagada, uma palavra doce, ou um ohar em silêncio que nos descansa?
É isso mesmo. Não vale nada. E ao mesmo tempo vale tudo. Tudo o que não é medível, ou pesado ou quantificado. O que sentimos torna-nos únicos e insubstituíveis. Só é amigo quem é verdadeiro.
E não é por acaso que se diz que é nos momentos mais angustiantes que se descobrem os verdadeiros amigos. É nesses momentos em que olhamos em redor e conseguimos distinguir os vultos da farra dos amigos que ficam quando a festa acaba, arrumam a casa, confortam a alma.
Coração ao alto amiga, estou aqui, para ti, por ti...ADORO-TE!
a tua Tonha
 
ok, o nick name vem de uma novela antiga... Tonha da Lua era uma persongem digamos que...aluada...wonder why?

 

publicado às 22:05

Pág. 161

por Closet, em 10.03.09

 

A Mafalda e a Cloudy passaram-me um desafio estranho...

1. agarrar o livro mais próximo

2. abrir na página 161

3. procurar a quinta frase completa

4. colocar a frase no blog

5. indicar cinco pessoas para continuar a tarefa

 

Ora então aqui vai, ando com o livro "Onde reside o amor" de Margarida Rebelo Pinto na mala e lá vou lendo sempre que me apetece.

A página 161 não tem 5 frases... Coloco as duas últimas que são, no mínimo...eloquentes.

 

"Como diz o ditado, cães e lobos, comem todos. O depois é que pode ou não ser diferente."

 

Ahhh...retirem daqui as vossas conclusões ;-)

publicado às 21:33

Fábrica de Histórias

por Closet, em 08.03.09

Viagem - Entre Partir e Ficar

Entrei de rompante mal ouvi o som do apito de partida. Procurei um banco à janela sem ninguém. Ali ao fundo havia um, sem ninguém ao lado nem à frente. Era esse mesmo. Coloquei a mochila ao meu lado e recostei-me com os phones nos ouvidos. Senti o comboio partir, primeiro devagar e depois foi ganhando velocidade. Tinha-me sentado no banco virado de costas. Preferia sempre esses. Gostava de ver de frente o que vai ficando para trás.
A cidade onde vivi estes últimos 3 anos, uma casa alugada, um emprego de circunstância, uma relação que se foi tornando cada vez mais absorvente, um medo antigo de clausura. Fugi. Mais uma vez.
Na 1ª estação entrou um senhor de idade, talvez 80 anos, cabelo grisalho, testa enrugada. Perguntou se podia sentar-se à minha frente. Acenei com a cabeça e endireitei-me no banco.
Olhei pela janela e vi um casal a discutir violentamente, ele segurava-lhe o braço, ela gesticulava com o outro e apontava-lhe o dedo com os olhos carregados de raiva. Fiquei presa aqueles dois, que motivos teriam para uma discussão tão acesa? De repente, abraçaram-se e beijaram-se como se o mundo fosse acabar naquele instante.
-“ É mesmo assim, não se surpreenda” disse, com uma voz rouca. Olhei para ele espantada. Bateu com mão no vidro e continuou:
-“É na explosão que se descobre os nossos desejos mais profundos.” Fiquei a olhar para aqueles dois abraçados, íam desaparecendo ao fundo, cada vez mais pequenos.
Recostei-me e fechei os olhos para pensar naquilo que o velho me tinha dito. Eu nunca tinha explodido com ninguém. Em vez de discutir fugia.
Senti um abalo estranho, um baloiçar, e abri instantaneamente os olhos. Dei um salto no meu banco. O que era aquilo? O vidro estava salpicado de água... só conseguia ver mar.
-“Onde estamos?” perguntei ao velho que permanecia calmamente à minha frente.
-“No mar” respondeu sem olhar para a janela
-“No mar? Mas estávamos num comboio? Onde está a terra?”
Apontou para a janela e disse:
Está ali ao fundo, o barco anda ao seu redor
-“Mas... é para ali que vamos?”
-“Se quiser... cada um é que escolhe. O que vê interessa-lhe?”
O barco aproximava-se mais da terra e eu começava a ver mais nitidamente corpos de jovens a dançarem na areia, alegres.
-“Parece o paraíso não é?”
Acenei com a cabeça incrédula.
-“Depende de nós construir a nossa felicidade. Basta saber o que se quer ver e o que se quer ocultar.”
O velho olhava-me com uns olhos pequenos, cheios de rugas, mas incrivelmente expressivos. Incomodavam-me tanto como me atraiam. Fugi deles, encostei-me no banco e fechei novamente os olhos. Caí num sono profundo.
Um arranque fez-me deslizar no banco e acordou-me. Era um barulho de motores. Olhei para a janela e já não via água. Não via nada, absolutamente nada.
-“Lá em baixo. Está lá em baixo” disse-me o velho pacientemente.
Debrucei-me mais sobre a janela e vi lá em baixo casas, árvores, estradas.
-“Não estávamos num barco?”
-“ Estamos a voar, não vê?”
-“Mas para onde vamos? Diga-me, para onde vamos?”
-“Já lhe disse... para onde quiser.
- "Mas estou longe. Cada vez estou mais longe...
Via a terra a desaparecer cada vez mais pequena. Rompíamos o ceú e só via nuvens ao redor.
Ás vezes pensamos que estamos longe e estamos perto, outras parece que estamos perto e afinal estamos tão longe.” Dizia o velho limpando o vidro que tinha ficado embaciado.
-“ E vamos deixando andar...só quando vemos as coisas ao longe, a fugir do horizonte, quando achamos que já não podemos voltar, é que vemos se estamos realmente perto ou longe de ficar
O velho tinha-se chegado para a frente e falava quase em cima de mim. Perguntei-lhe assustada:
-“Está a dizer-me que já não posso voltar?”
-“Não minha filha, és tu que decides a tua viagem. Poisa a cabeça e deixa o teu coração guiar-te.”
Encostei-me novamente a pensar em tudo aquilo: explodir para descobrir o que se deseja, decidir o que se quer ver para ser feliz, saber estar presente quando se está perto. Palavras ridículas oriundas da boca de um velho, embalavam-me com uma serenidade invulgar.
Acordei com um apito. Olhei em volta e já não vi o velho, não estava ninguém na carruagem. Pela janela vi a estação de comboios onde parti. Agarrei na minha mochila e corri até à porta. As pessoas corriam apressadas, ao longe vi um homem alto a acenar-me. Era o João. Corria na minha direcção. Senti uma estranha sensação de conforto a percorrer-me por dentro. Saltei do comboio e abracei-o loucamente. Pensei que estava a partir e, afinal, estava a chegar.
Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

 

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publicado às 23:51

Avô

por Closet, em 07.03.09

O meu avô está internado no hospital. Pode durar dias. Pode durar semanas. Não se sabe.

Em 91 anos é a primeira vez que foi paciente num hospital. Nem consegue perceber porque está lá, porque está sem força para se levantar e porque não o deixam ir embora. Até porque o seu carro está parado há duas semanas...
O meu avô com 91 anos conduzia, ali pela zona dele, e diga-se que melhor que muita gente com metade da sua idade. Ele andava diariamente de bicicleta e a única anestesia que levou foi para arrancar dentes há 4 anos atrás (e telefonou-me a perguntar se não era perigoso).
O meu avô viveu uma história de amor pouco convencional para o seu tempo. Antes de ser viúvo, era divorciado. Divorciou-se da minha avó para viver com o amor da sua vida, uma senhora separada e com uma filha. Isto há mais de 40 anos não deve ter sido fácil....mas ele foi em frente e viveu com ela até ela o deixar há 3 anos atrás. Desde então perdeu 80% da vontade de viver, emagreceu, os seus olhos entristeceram. É a ele que devo as sardas e o cabelo russo. Agora eu faço-lhe a barba, corto as unhas, faço massagens. O que ele me pedir. Diz que me vai contratar...
Hoje o meu avô disse-me que não tinha medo de morrer. Já estava farto. Queria partir...
Eu também quero que ele vá. Em paz. Já não aguento vê-lo deitado naquela cama, magro, triste, a chorar.

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publicado às 23:54

True :)

por Closet, em 06.03.09

Não tinha percebido que isto era para revelar as mentirinhas...se soubesse tinha escolhido umas diferentes, eheh, mas pronto, a pedido de muitas famílias, here I go (tenho de escrever em inglês porque agora sei que anda aqui malta estrangeira... by the way estou a pensar fazer uns posts nas 3 línguas estrangeiras em que me safo, inglês, francês e alemão...why not? agora que tenho um geocounter internacional, muito à frente lol).

 

1 - Quando tinha 6 anos parti uma TV a fazer o pino e escondi-me debaixo da mesa da durante 1 hora :) Mentira

Semi-mentira, parti de facto uma TV a fazer o pino, mas tinha 5 anos e fui logo puxada debaixo da mesa, qual 1 hora...segundos, bolas! Nem me falem do raspanete!

2 - Já vivi em 6 casas diferentes desde que nasci :) Verdade

Antes de casar vivi em 4 casas diferentes e esta é a 2ª desde que casei. A minha vida é feita de mudanças... confesso que não me faz confusão nenhuma! É sempre a andar ;-)

3 - Já convidei uma pessoa que mal conhecia para fazer massagens e fiquei a gostar dela Verdade

acho que ninguém disse que isto era mentira, o que me surpreendeu... acham mesmo que eu sou assim maluquinha, não é?? Bom, podia ter convidado para dançar, mas saiu-me massagens... a criatura aceitou, contrariando todas as minhas expectativas, e apareceu! Confesso que fiquei atrapalhada, lá dei uma desculpa esfarrapada, qual massagens?? e acabámos por partilhar uma conversa surpreendentemente agradável num café. Ás vezes estas minhas touradas até correm bem!

4 - Mesmo quando está frio gosto de dormir com os pés de fora :P Verdade

Gosto mesmo de dormir de pés de fora e nos sacos-cama (bom, quando dormia em sacos-cama, dormi montanhas de vezes acreditem, antes de casar andava sempre de mochila às costas!) nunca fechava o fecho com a clastrofobia dos pés =D

5 - Num campo de férias em Espanha um cigano leu-me nas cartas que morria nova e louca :S Verdade

Tinha 15 anos e foi num campo de férias sobre protecção ambiental em Doñana...ainda me lembro de pormenores da cara do homem...acho que vem daí a minha paranoia da idade:(

6 - No secundário fui eleita 2 anos consecutivos Miss Simpatia Mentira

Nunca fui Miss de nada, pelo menos que me lembre... e se fui não deve ter tido grande significado para eu não me lembrar... falo com toda a gente mas não sou dada a vedetismos :P

7 - A maior paixão que tive era de Coimbra, apelidado de Jim Morisson, e ía lá visitá-lo todos os fins-de-semana, férias e feriados :-* Verdade

Fiquei vidrada pela 1ª vez por aquele ser estranho, poético, imprevisível e sem planos... acho que ele já não se encontra neste mundo...na verdade até tenho a sensação que encarnou em alguém ...brrr sei lá :S

8 - Sempre gostei de desenho geométrico e o meu estilo preferido é o cubismo :) Mentira

Detesto desenho geométrico e de cubismo gosto de muito pouco... talvez alguns Picasso. Sou fá do impressionismo e de tudo o que é pintura abstracta. Adoro Kandinsky que até percorreu vários estilos.

9 - Passei uma noite inteira a falar com uma pessoa sobre coisas que não me lembro e ela depois disso nunca mais quis estar comigo :( Verdade

Só devo ter dito disparates, falo demais e quase sempre coisas sem sentido, já nem me lembro bem... só sei que depois daquele dia nunca mais quis estar comigo, acho que ficou mesmo farto de mim, a detestar-me...oh God, wonder why??

 

Bom, já está! Deixo-vos com Kandinsky, o meu quadro preferido está lá para o fim, chama-se Small Pleasures.Porquê? Sei lá! Cada vez que olho vejo coisas diferentes, e isso é uma sensação boa ;-)

 

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publicado às 22:15



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