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Isto

por Closet, em 23.03.09

Hoje o dia não me começou bem, o meu secador decidiu abandonar-me ao desconsolo de uma juba de caracois... by the way, corri a comprar outro à hora de almoço... porque não, eu não gosto de ter o cabelo desgrenhado, mesmo que haja quem goste, who cares? Eu detesto. Ponto. E querer o cabelo esticado nao é ser fútil é ser... simples. Duas palavritas apenas, "cabelo esticado". Uma solução óbvia: secador. Uau...e ainda dizem que somos complicadas...

Anyway, este é o poema de hoje do meu poemário de Fernando Pessoa. Já que dizem que tenho muita imaginação, bem verdade, é fértil e é uma excelente tábua de salvação para enfrentar alguns problemas e continuar a sorrir. Refugio-me nela, sonho e vivo em "castelos no ar". Why not? Espero que gostem ;-) 

 

"Isto
 
Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
 
Tudo o que sonho ou passo
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra cousa ainda.
Essa cousa é que é linda.
 
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
 Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio
 
Aqui fica Again de Lenny Kravitz... porque há coisas que apetece repetir, no matter what

 

 

publicado às 22:58

IP

por Closet, em 23.03.09

Hoje até estava com vontade de escrever sobre uma coisa que coloquei aqui assim muito à frente, o sitemeter.

Na verdade tenho passado algum tempo a descortinar para que é que aquilo serve, os meus neurónios andam chamuscados e já passou uma semana e... ainda não percebi bem a utilidade da coisa...pior, nem sei mesmo como consegui por aqui isto nem mesmo como desactivar... por isso, deixa-la estar... mas uma coisa é certa, a partir de agora quando conhecer alguem já não quero saber de nome ou BI, vou directo ao que me interessa "olá, qual é o seu endereço de IP?"

É que aquilo diz-me quais o IPs que me visitam, coisa mais gira, o problema é que ninguém deve fazer um boi de ideia qual o seu IP, eu nem sabia que esta coisa existia... whatever... mas agora que tenho a ferramenta aqui acho que todos os que aqui passam deviam-se apresentar com o endereço de IP... "daqui fala o IP 89.132.406, muito prazer"... parece-me bem...mas pronto, sou só eu a ter estas ideias lunáticas...

By the way, acho que prefiro o planeta a girar com os países a passar, tem cor, é dinâmico e até já consegui colocar cá um austríaco só com umas palavritas de alemão =D

 

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publicado às 22:36

Fábrica de Histórias

por Closet, em 22.03.09

Miniatura da versão das 06h43min de 19 de abril de 2005

 

Dálias Rosa Pôr-do-sol

- Posso?
Aquela voz soou como uma campainha para os meus ouvidos. Lá estava ela à porta com um ramo de Dálias rosa.
- Entra querida – disse-lhe sorrindo e acenando para entrar.
- Avó, hoje corri três floristas para encontrar estas dálias, vi outras que gostei, mas o pai disse-me que tinha de ser Dálias rosa, que são as flores que a avó mais gosta.
Os meus olhos encheram-se de lágrimas ao ver a sua doçura, já tinha 17 anos, era uma mulher.
- Meu anjo, o teu pai tem razão. Se me quiseres trazer flores, traz estas que são as que me confortam a alma.
Endireitei-me na minha cama.
- Anda, senta-te aqui. Vou-te contar a história das Dálias rosa.
Os olhos dela brilhavam curiosos como duas estrelinhas na minha direcção.
- Quando eu tinha a tua idade os meus pais mudaram-se para uma propriedade de família no campo. A casa era ladeada por terrenos enormes, uma paisagem de perder de vista, linda e selvagem. Tinha iniciado a Primavera e contratámos um jardineiro para tratar dos terrenos, plantar árvores e floreiras em redor da casa. Nunca mais vou esquecer aquela tarde de Março em que conheci o Tomás. Era o filho do jardineiro que ajudava o pai com as ferramentas e os tractores. Tinha 20 anos e um olhar tímido. Vi-o da primeira vez da minha janela, de camisola branca justa que denunciavam uns ombros largos e uns braços musculados. De tão debruçada que estava para o ver que deixei cair o travessão do meu cabelo. Caiu mesmo por cima dele. Fiquei tão envergonhada que fugi para dentro do quarto com o coração a bater. Que tola! Acalmei-me e resolvi ir buscá-lo ao jardim. Quando cheguei,  reparei desolada que ele já não se encontrava lá. Olhei para o chão, e nos canteiros acabados de plantar, também não estava o travessão. Encontrei no meio da terra revolta uma flor cor-de-rosa com um pequeno pedaço de papel. Agarrei-o e li “estarei no Celeiro ao pôr-do-sol”. As minhas mãos ficaram trémulas. Mas ao pôr-do-sol não hesitei em correr até lá, com o cabelo solto em longos canudos negros e a face rosada de nervosismo. Ele estava sentado em cima dos montes de feno. Tinha na mão outra flor igual. “Chama-se Dália rosa pôr-do-sol” disse-me estendendo a flor. Uma combinação maravilhosa mesclada de rosa e branco. Agradeci e disse-lhe que não conhecia esta flor. Ele disse-me que era a "minha" flor, com a convicção de quem me conhecia bem. Conversámos até ao sol se pôr no horizonte em tons avermelhados. E assim o fizemos no dia seguinte, e no outro, e no outro. Conversávamos sobre tudo, tornámo-nos cúmplices de segredos e sonhos.
Naquela Primavera, toda a paisagem à nossa volta crescia, os campos tornavam-se verdes, das árvores nasciam as primeiras folhas, abriam-se os botões das flores para exibirem pétalas coloridas. Assim desabrochavam os nossos sentimentos, cada vez mais impulsivos e inebriantes.
Numa tarde quente de Maio, caímos exaustos em cima do feno depois de andarmos a correr atrás de uns coelhos pequenos que tinham fugido. Estava calor e ele tirou a camisola suada. De repente os meus olhos fixaram-se no seu peito entroncado e o que se passou depois é difícil explicar. Só o ceú testemunhou a paixão que queimava os nossos corpos entrelaçados naquele chão de feno. Amei pela primeira vez, de forma inesperada e imprevisível. Como deve ser o amor.
Nesse dia ficámos abraçados até as estrelas romperem o céu escuro. Acho que sabíamos que a nossa primeira noite iria ser também a nossa última. Aproveitámos cada segundo, tacteando com as mãos no escuro, percorrendo com os lábios o corpo. O tempo, o nosso tempo, estava a acabar como a areia de uma ampulheta.
No dia seguinte os meus pais descobriram o que se passava entre nós e proibiram o Tomás de me visitar. Os nossos mundos eram paralelos, impossíveis de se cruzar. Nunca mais o vi. Soube mais tarde que ele foi trabalhar para França com um tio.
Naquela Primavera as flores multiplicavam-se no nosso jardim com as suas pétalas coloridas. Passei a contemplá-las todos os dias, a cuidar delas, a regá-las com carinho. Eram o que me restava do Tomás. Canteiros repletos de maravilhosas Dálias rosa.
História escrita para a Fábrica de Histórias

publicado às 22:46

Feliz só será

por Closet, em 20.03.09

Então Mafalda, fica aqui a tradução do poema de Goethe que postei em alemão, sorry, mas era para contemplar esta língua neste Bog internacional!!

"Feliz só será...

Feliz só erá

A alma que amar.

Estar alegre e triste,

Perder-se a pensar

Desejar e recear

Suspensa em penar

Saltar de prazer,

De aflição morrer -

Feliz só será

A alma que amar."

J.W.Goethe

 

E deixo uma música liiinda... prestem atenção à letra...porque "love is a mistery" e "mr. curious well I need some inspiration" Giiiro! Anyway, há malta que dá cabo de nós à séria, devia ser embalada e deportada para a Sibéria (olhem, rimou!), como a minha querida miúda  diz ;-) mas...nãaaaa, deixa-los andar por cá para nos inspirarem!!

 

publicado às 23:19

Beautiful Mess

por Closet, em 20.03.09

Just to say… adorei o concerto!

Mesmo depois de 2 horas à espera … Jason Mraz é fenomenal, ele não canta ele é um instrumento musical! O estilo hippie regae fica-lhe bem!
Lucky e I’m Yours foi cantado por 90% do público em uníssono, claro que ajudou a média de idades ser de…20 anos, more or less! Confesso que me senti perfeitamente integrada, ehehe!
Never let your mind stop you having fun”, gritou ele. Nem mais!
Deixo-vos por agora (upsss, tenho de trabalhar...) com uma das últimas músicas que ele cantou, linda linda, que está lá para o fim do seu último CD… adoro a letra! Acho que até vou fazer um post sobre o tema ...inspira-me ;-)


Beautiful Mess


You got the best of both worlds; you’re the kind of girl
Who can take down a man and lift him back up again
You are strong but you’re needy. Humble but you’re greedy
Based on your body language and shoddy cursive I’ve been reading
Your style is quite selective but your mind is rather reckless
Well I guess it just suggests that this is just what happiness is

Hey what a beautiful mess this is
It’s like picking up trash in dresses
It kind of hurts when the kind of words you write
Kind of turn themselves into knives
Don’t mind my nerve you can call it fiction
I like being submerged in your contradictions, dear
Cause here we are, here we are

Although you’re biased I love your advice
Your comebacks they’re quick and probably have to do with your insecurities
There’s no shame in being crazy depending how you take these words
I’m paraphrasing this relationship we’re staging

Its a beautiful mess yes it is
It’s like we’re picking up trash in dresses
It kind of hurts when the kind of words you say
Kind of turn themselves into blades
Kind and courteous is a life I’ve heard
But it’s nice to say that we played in the dirt
Cause here we are, here we are

Here we are, here we are, we’re still here…

 

what a beautiful mess this is
It’s like taking a guess when the only answer is yes
Through timeless words and priceless pictures
We fly like birds not of this earth
Tides they turn and hearts disfigure
But that’s no concern when we’re wounded together
And we tore our dresses and stained our shirts
But it’s nice today, the wait was so worth it

publicado às 11:11

Actriz

por Closet, em 18.03.09

Teatro...todos fazemos diariamente, uns mais, outros menos... eu então, passando 8 horas por dia no meio de loucos (hoje por momentos numa reunião achei mesmo que tinha entrado na 5ª dimensão e estava no meio de alliens)...não tenho como evitar, cara alegre, I agree, I agree...adiante.

A tara do teatro vem desde miúda e aos 12 anos insistia com o meu pai que queria ir para um grupo de teatro chamado Os Lobitos (sim, eu sei que tem nome de escuteiros, mas era teatro...acho). O meu pai achou muito boa ideia eu ocupar o meu tempo livre...mas claro, com algo mais útil...e foi assim que eu iniciei o alemão e passei as minhas férias de Natal em aulas intensivas no Oxford para recuperar a matéria desde Outubro... e lá estudei esta língua durante 5 anos, by the way ainda não tive nenhuma visita da Alemanha, shame on me...deixem-me colocar aqui qualquer coisinha para os atrair "Vielen Dank für Ihren Besuch! Sie sind willkommen, immer wieder! "

Talvez deva por qualquer coisinha mais culta...
"Glücklich allein Ist die Seele, die liebt.

Freudvoll Und leidvoll,
Gedankenvoll sein,
Hangen Und bangen
In schwebender Pein,
Himmelhoch jauchzend,
Zum Tode betrübt –
Glücklich allein Ist die Seele, die liebt."
J. W. von Goethe

Ena, que ficou aqui bem o meu poema favorito do senhor, já que me obrigavam noGoethe Institut a saber isto de cor....

 

Bom... aos 18 anos, maior de idade (e à socapa do meu pai) decidi, com a minha Best Friend e outra amiga maluca (uma que agora trata de malucos à séria...) inscrever-me num curso de Cinema, assim muito à frente. Lá fomos as 3 fazer as maravilhosas audições compostas, na 1ª fase, por 3 provas: cantar uma música, recitar um poema e uma prova surpresa.

1ª prova) escolhi a música "Anzol" dos Rádio Macau... dizia "eu não sei se hei-de fugir" e podia dar-me jeito este improviso e zarpar mesmo da sala... tudo seria pacífico se não tivesse de cantar esta música com a  minha voz de rouxinol nada mais nada menos do que sentada no chão a fingir que tinha um flho a morrer nos braços...what else??

2ª prova) escolhi recitar o poema Eros e Psico de Pessoa e tudo seria magnífico se não tivesse uma criatura 90% músculos e 10% humano a empurrar-me, segundo consta pretendiam despertar sentimentos de "raiva"...oh God...

3ª prova) era o improviso e disseram unicamente estas palavras "Gostávamos que fizesse de Nuvem"...confesso que fiquei paralisada, como é que se faz de nuvem??? Então sim, a música do anzol atravessou-me novamente a cabeça e decidi zarpar.. mandei-me para o chão, contorci-me para os lados e deitada fui-me arrantando para a porta, disse "vou ter com o sol" e desapareci...so what?? a minhas nuvens deslocam-se assim:)

Contra todas as expectativas Eu passei à 2ª fase e as minha amigas, que estavam fisicamente dentro dos parâmetros normais dos participantes (note-se que eu era a única vestida com roupas coloridas da moda...) não.

A fase seguinte era a Filmagem. Eu tinha de contracenar com um sujeito e a experiência ainda me dá naúseas no estômago... O texto até era romântico, eu era jovem e rica, ele era o meu motorista e estávamos perdidamente apaixonados um pelo outro. Até aí tudo bem, não fosse a criatura mais velha que eu alguns 10 anos e ter uma alface presa no dente...ugh..By the way eu pensei em dizer-lhe, afinal íamos ser filmados...mas não tive coragem, o sujeito tinha a mania que era o supra sumo e eu deixei-o ir com aquilo na boca, o verde até lhe dava uma corzinha, who cares??  Mas o verdadeiro problema foi a parte final, eu deixava cair um colar, baixavamos-nos os dois ao mesmo tempo e ficávamos romanticamente a roçar os narizes...UAU...ele agarrava-me o braço e dizia "Teresa" e eu respondida louca de paixão "meu amor". 

Com devem calcular...não passei esta fase...wonder why?? By the way, ele também não, foi a alface de certeza!! Ainda tenho pesadelos com este episódio da minha vida :)

 

E amanhã vou ao concerto do Jason Mraz...vai fazer-me lindamente, ele vai dizer-me "I'm Yours" e eu vou dizer-lhe "So take me" ... crazy world!

 

publicado às 22:33

Confiança

por Closet, em 17.03.09

A Mafalda passou-me um desafio para escrever um poema sobre a confiança.

Na verdade sou boa pessoa para este tema, não desconfio de nada, isso para mim seria... pensar demais! Aqui fica o que me saiu, hope you like :)

 

Estranha a vida que levamos
Em deambulações divergentes
Corremos, vacilamos
Perdemos, ganhamos
Confiamos em serpentes.
 
Se por coincidência ou destino
Compulsivamente acreditamos
Que todo o nosso ânimo, força e estímulo
Depende de um ser que amamos.
 
Por vezes ele é um estranho
Que na secura dos nossos dias
Nos abraça com palavras doces
Sorrisos brandos
Nos envolve em fantasias.
 
Os olhos são paraísos perdidos
Os gestos são ideais
Uma bóia num oceano, um porto de abrigo
Sentimentos paradoxais.
 
Seguimos de olhos vendados
A estrada dos homens errantes
Selamos promessas com beijos
Trocamos abraços, desejos
Tornamos-nos viajantes.
 
Do teu mundo para o meu
A passagem é sempre estreita
O empedrado escorregadio
A vontade insatisfeita.
 
Mas a ânsia de te encontrar
Impregnada de loucura
Lança o rastilho na alma
E a entrega não tem cura.

 

E deixo-vos uma música do filme Dirty Dancing, confesso que tenho um fetiche por ela, com o seu tom anasalado, e até já a quis cantar uma vez...na verdade devia tê-lo feito, tal seria o susto que provocava, anyway... não cantei mas o efeito foi semelhante, who cares? Just me!

 

publicado às 23:35

Mimos

por Closet, em 17.03.09

A Cloudy ofereceu-me este mimo que agradeço e retibuo docemente!

Dedico-o também aos Blogs do meu perfil com um cheirinho a Primavera :)

publicado às 22:53

Like Heaven

por Closet, em 16.03.09

Confesso que não ía escrever hoje, só cheguei a casa às 23h e a minha vida não tem sido propriamente calma...a saúde é sem dúvida o bem mais precioso e quando ela falta a quem nos é próximo é uma angústia terrível... mas tudo se irá resolver, sou optimista! E sou o tronco da família por isso tenho de me aguentar, como costumo dizer "firme e hirta"...

Como estou mais murcha, fiquei bastante sensibilizada com os comentários à minha história de ontem, aconchegaram-me o coração e decidi vir agradecer, não sei se amanhã vou ter tempo e não quero deixar passar "o momento". Mesmo não vos conhecendo pessoalmente, acreditem: é um prazer escrevinhar para vocês :)

Deixo-vos uma música antiga. Estava eu ontem a procurar a música da Katie que tinha inspirado a minha história sobre feitiços e deparei-me com ela "Just like heaven" dos The Cure, agora numa versão de Katie Melua...

By the way, esta música apareceu quando eu tinha mais ou menos16 ou 17 anos e era uma versão mais electrizante. Sei a letra de cor e só por isso a reconheci... Adoro-a e ainda estremeço a ouvi-la... sinto-me verdadeiramente...just like heaven!

Fica aqui para quem gostar :)

Just like heaven

Show me how you do that trick
The one that makes me scream he said
The one that makes me laugh he said
And threw his arms around my neck
Show me how you do it
And i promise you i promise that
I’ll run away with you
I’ll run away with you
Spinning on that dizzy edge
I kissed his face and kissed his head
And dreamed of all the different ways i had
To make him glow
Why are you so far away, he said
Why won’t you ever know that i’m in love with you
That i’m in love with you
You, soft and only
You,lost and lonely
You, strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water
You’re just like a dream
You're just like a dream
Daylight licked me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe his name
I opened up my eyes
And found myself alone alone
Alone above a raging sea
That stole the only boy i loved
And drowned him deep inside of me
You, soft and only
You, lost and lonely
You, just like heaven
 

publicado às 23:34

Fábrica de Histórias

por Closet, em 15.03.09

A menina que não sorria

Há muito muito tempo existia uma menina que não falava nem sorria. Chamava-se Leonor e desde pequena exibia uma beleza rara, cabelos cor de oiro, grandes olhos verdes e uns traços perfeitos. Dizia-se que quando nasceu tinha sido amaldiçoada por uma feiticeira, que era apaixonada pelo seu pai e, numa fúria de ciúmes, lançou-lhe um feitiço. A menina iria ser a mais bela do Reino mas não teria emoções, quase não falava e não sorria.

Os seus pais desesperados procuraram todos os médicos e curandeiros capazes de quebrar aquele feitiço, mas os anos passavam e a menina crescia sem sorrir. Deixou de ir à escola, não tinha amigas e quase não queria sair de casa. Todas as tardes ela sentava-se numa cadeira de baloiço na sua varanda e ficava a olhar o infinito. Com a sua beleza e a fortuna dos seus pais, todos os rapazes do Reino cobiçavam-na, mas nenhum tinha conseguido a sua atenção. Muitos pediam aos pais de Leonor para tentarem a sorte, subiam ao seu quarto e esforçavam-se por despertar nela algum sentimento. Uns levavam livros e contavam-lhe histórias emocionantes, outros diziam piadas, faziam piruetas, caretas...mas Leonor afastava o olhar desinteressada. Nenhuma das histórias a prendia. Nenhum dos gestos a encantava. Nenhum dos rostos a seduzia. Ela continuava isolada no seu mundo imaginário, onde ninguém conseguia entrar.
Um dia chegou aquele Reino um rapaz, dizem que vinha de um reino distante à procura da “menina que não sorria”. Trazia apenas uma guitarra e uma sacola e todos os dias ele sentava-se debaixo de uma árvore que ficava em frente à varanda de Leonor. Ía rabiscando num caderno o seu rosto e corpo e quando ao fim do dia ela ía para dentro, ele colocava-se por debaixo da varanda e tocava uma música com a sua guitarra. Assim foi durante quinze dias seguidos.
Ao décimo sexto dia o rapaz dirigiu-se a casa de Leonor e pediu aos seus pais para o deixarem entrar. Os pais já se tinham apercebido da estranha presença do rapaz à sua porta todos aqueles dias e perguntaram-lhe esperançados se ele era um mago ou um curandeiro. O rapaz abanou a cabeça, mas ao reparar na tristeza deles disse-lhes apressadamente “eu vou cura-la, basta que me deixem entrar no seu quarto”.
Ainda que pouco convencidos, os pais de Leonor decidiram dar uma oportunidade ao rapaz, afinal tinha vindo de tão longe e estava tão convicto nos seus poderes.

Quando o rapaz entrou no quarto, Leonor estava a ler um livro sentada na sua cama. Olhou para ele pela primeira vez. Os seus olhos tocaram-se de raspão e Leonor voltou a entregar-se ao seu livro. O rapaz sorriu, tirou da sua sacola uma caixa de música e poisou-a no tocador do quarto. Tirou o livro das mãos de Leonor com cuidado e puxou-a para fora da cama. A caixa de música começou a tocar a música que ele tocava todos os dias na sua guitarra. Leonor voltou a fixa-lo com os seus olhos enormes. Ele segurou-a pela cintura e sem tirar os olhos dela disse “vou ensinar-te a dançar”. Colocou os pés de Leonor em cima dos pés dele e dançaram de corpos colados e olhos enfeitiçados. A música durou quinze minutos. Nunca Leonor tinha olhado durante tanto tempo para alguém. Quando a música parou, Leonor, com os olhos repletos de lágrimas, pediu sorrindo “Outra vez”.

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

 

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publicado às 23:22



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