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Fábrica de Histórias

por Closet, em 12.03.12

 

 

 

Arco-íris de alguém

 

Clara tem pele clara, cabelo comprido castanho e uns olhos cor de mel. Do seu lugar, por detrás de um monitor, estremece sempre que as portas do elevador abrem-se às 9h30.

David é alto de cabelo loiro desalinhado e olhos grandes azuis. Chega sempre às 9h30 despreocupado e estreme quando vê Clara.

Clara é casada, tem uma filha e uma vida vulgar, padronizada, onde ainda não encontrou um lugar para David.

David tem uma relação de 7 anos, vai casar e tem uma carreira profissional de sucesso. Ainda não conseguiu encaixar Clara na sua vida.

Ambos trabalham no 5º andar de um edifício com mais de 400 pessoas. Na agitação matinal cruzam olhares de pânico apetecidos.

 

Clara encontrou em David um novo motivo para sorrir, sentir-se atraente, viva. David encontrou em Clara a força para vencer o mundo, a auto confiança e a segurança adormecida.

Encontraram-se os dois, sem perceber, orfãos de tempo e abrigo. Sôfregos de paixão e encantamento, mortos pelo cansaço da rotina, deslumbraram-se num labirinto sem saída. Vidas cruzadas, ocupadas, perdidas, pelo destino embargadas na alfândega da vida.

 

Clara e David já foram um só, num fim de tarde clandestino. Os olhos, incontroláveis, fixaram-se. Os lábios atraíram-se magneticamente e os corpos, deambulando à deriva, sedentos de atenção e desejo, naufragaram um no outro. Amaram-se sofregamente, num segredo contido. A felicidade imaginada, por momentos sentida, trazia um travo amargo consigo.

Separaram-se. Como era o destino. Continuaram, perdidos, as suas vidas.

 

Às 9h30 ela ainda estremece quando o elevador se abre. Ele ainda estremece quando os seus olhos se cruzam com os dela no caminho.

Estremecem os dois, incontrolavelmente. E aquele breve momento é como um arco-íris. Num dia de chuva, um crepúsculo de cores invade o céu cinzento e triste, a sensação que é efémero, vai desaparecer a qualquer momento, mas é tão bom enquanto dura.

 

 

Texto (re)escrito para a Fábrica de Histórias

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publicado às 00:19


13 comentários

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De T. a 12.03.2012 às 10:48


Às 9h30 ela ainda estremece quando o elevador se abre. Ele ainda estremece quando os seus olhos se cruzam com os dela no caminho.

Gosto =)

beijos
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De Closet a 13.03.2012 às 21:58

estremecer é sempre uma óptima sensação :)
Beijo
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De » Inês a 12.03.2012 às 14:50


gosto gosto gosto ! :)
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De Closet a 13.03.2012 às 21:58

obrigada, obrigada, obrigada!!
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De Olinda P. Gil a 12.03.2012 às 16:34


Este texto cheira a perigo... :D
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De Closet a 13.03.2012 às 21:59

Nãaaa, cheira a arco-íris, sente bem ;)
Bem vinda à Fábrica!
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De Stranger! a 13.03.2012 às 18:46

Clara, nome bonito... David... é feio...

Kiss
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De Closet a 13.03.2012 às 22:01

O nome? ou o David? xD
Kiss Stranger!!
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De Stranger! a 14.03.2012 às 15:08

Posso votar nos dois!?

Kisses
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De Natacha a 14.03.2012 às 22:09

Eu diria que este é um post cheio de turbulência hehehe


beijos
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De Closet a 15.03.2012 às 23:31

Pois a turbulência faz parte de qualquer voo!!ehehe
Beijinhos
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De Ametista a 18.03.2012 às 04:04

Momentos assim fazem o coração bater aceleradamente e não se esquecem :)
Gostei tanto, closet..

Abracinho
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De Closet a 19.03.2012 às 01:40

Estremecer é a palavra!! 
Obrigada querida Ametista, um beijinho

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