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Eram muitas vezes...

por Closet, em 01.11.11

 

 

Já uma vez escrevi sobre isto... mas agora vem a propósito repeti-lo, já vão ver porquê.

 

Cresci a pensar que todas as histórias começavam com “Era uma vez…” e, invariavelmente, terminavam com “ viveram felizes para sempre”.

Na verdade acho que bem cedo comecei a desconfiar deste chavão “era uma vez”, quando eu própria me desdobrava em múltiplas personalidades e estados de espírito. Nunca me contentei em ser apenas o meu nome, sempre detestei rótulos, como poderia aceitar o “era uma vez…”? Uma única vez? E o meu Eu-viajante? E o meu Eu-actriz? E o meu Eu-escritora? E o meu Eu-pintora? ... Demasiados Eu(s) conviviam dentro de mim e ainda considero que a necessidade de optar é cruel e inútil.

 

Também depressa fui percebendo que, na vida real, os finais não são assim tão lineares, que as histórias não são simples e que o próprio conceito “feliz” é ambíguo, diria mesmo híbrido.

Se é porque as pessoas mudam, transformam-se, querem outras coisas… a verdade é que não existe uma explicação clara de como será possível uma história real desenrolar-se com a certeza de que o final será “foram felizes para sempre”. E mesmo nessas histórias que nos contavam em pequenos, a história acaba exactamente aí, e pergunto-me eu “mas como é ser feliz para sempre?”… e não existiam páginas a contar essa parte. Desilusão e descrença total, claro!

Por isso também desde cedo evitei planear a longo prazo e convivi alegremente na minha organizada desorganização diária, nas surpresas que me reservava o dia-a-dia, as pessoas que ía conhecendo, receptiva ao mundo que se abria aos meus olhos.

 

Percebi que todas as histórias são inventadas. Se não fossem inventadas não seriam histórias. A partir do momento em que são contadas, reinventam-se, crescem, tomam vida incontrolável. A vida de uma história. E o final pode ficar indefinido ou ficar na cabeça de cada um decidi-lo.

 

Eu sempre gostei de inventar histórias. Transpira-las por todos os poros do meu corpo. Ausentar-me de mim por instantes e vive-las. Sonha-las, alimentar-me delas, sorve-las. Mas nunca pensei em escrever livros. Na minha cabeça sempre acreditei que ía aborrecer-me rapidamente das personagens ao fim do 3º capítulo. Ía fartar-me da história a meio. Um livro tem muitas páginas para uma história minha. Preciso constantemente da novidade, e essa particularidade, ou essa minha idiossincrasia, deita por terra qualquer projecto com mais de 20 páginas, com mais de 3 capítulos...

 

O tempo deu-me a calma que permite alguma paciência e hoje já não vejo assim tão estranho um dia, leia-se bem, Um Dia, escrever um livro. Que será essencialmente para mim, e para imprimir para quem me quiser ler. Uma história que terá de ser suada de paixão em cada linha para fazer sentido eu partilha-la com alguém.

 

Tenho uma história encalhada na prateleira, é uma história fragmentada, típica da minha cabeça, e ainda não sei como juntar as peças do puzzle. Mas afeiçoei-me aos personagens e quero muito escreve-la. Este ano vou participar no Nanowrimo e esforçar-me para dar um bom avanço a esta história. Não quero ganhar nada, apenas participar e superar as minhas expectativas.

 

A história é sobre Sofia, uma jornalista desiludida com o trabalho rotineiro de uma redacção de jornal e que vê longínquo o sonho de correr o mundo como repórter fotográfico. Prática e racional, tudo para ela é preto ou branco, é verdade ou mentira.

Pedro, Vasco, Miguel e João são quatro homens bastante diferentes que deixam marcas na sua vida, destronando o seu sentido mais apurado – a visão – e despertando-lhe os outros sentidos adormecidos. Através da voz, do toque, do paladar e o olfacto, Sofia encontra um rumo diferente do que perseguia.

 

Bom… é mais ou menos isto a que me proponho… lamechas qb, I know!

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publicado às 00:38


2 comentários

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De Ametista a 02.11.2011 às 22:24

Desejo-te boa sorte na tua participação e, essencialmente, uma boa dose de inspiração.. coisa que não te falta :)
Eu não vou participar.. tenho pena, mas não tenho tempo e o meu pc anda meio avariado :(

Jinhos
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De Closet a 03.11.2011 às 21:23

pois acima de tudo vamos participar e "fazer o favor de nos divertirmos com isto" como diz a Gerenta :)
Um abraço apertado

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