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Pormenor mudo

por Closet, em 10.05.11

 

No átrio do metro

No fundo do comboio

No carro que passa ao meu lado.

Qualquer vulto lembra-me, melancolicamente, uma ausência de ti.

As calças de ganga gasta, a camisola por fora amarrotada,

o cabelo desalinhado, a barba por fazer,

o jeito estúpido de andar desengonçado.

A tua sombra fria, oca de verdade

Rasga impune a alma

como quem fala sem sentir.

De voz quente e aveludada,

Dizes um tudo que é nada.

O que é agora, já não é depois.

De repente, um passado fez-se presente,

vencido, sobrevive incompreendido, de egoísmo, de mentira.

«Porque me magoaste outra vez?»

Arranha-me o corpo e sangra de raiva a alma. 

Ridicula, abandonada.

O sonho é agora um pesadelo revisitado.

«Esquecer-me de ti» mais uma vez.

Um vulto no átrio do metro, no fundo do comboio, no carro ao meu lado.

Persegue-me a cada instante surdo,

um pormenor mudo teu.

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publicado às 00:12



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