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se tudo o que sentíssemos

por Closet, em 18.09.14

 

 

Se tudo o que sentíssemos fosse amor.

Os olhos rasgavam as dúvidas escondidas e as mãos falavam soltas, sem pudor. 

Brilhava no escuro a ansiedade da pele arrepiada. E os lábios, sequiosos, raspavam-se selvagens, por instinto, para depois perderem-se pelo corpo, deslumbrados. 

Trocávamos em segredo as palavras invisíveis, que revelam as coordenadas de todos os sorrisos contidos. Sem horas, nem pressa. Vagueávamos, nómadas, cúmplices de cheiros e saliva.

Se tudo o que sentíssemos fosse amor.

A verdade era a nossa melhor fantasia. Inocente, genuína, impune de aspas e virgulas. 

Surgia em linhas curvas, assimétricas, sem ponto de chegada ou partida. Transbordava desejo, loucura, emanava euforia.

 

Deitados sobre a areia contemplamos o céu imenso, infinito. O crispar das ondas ao longe, a sua inevitável rebentação em espuma. Não sabíamos ao certo que horas eram, tão pouco distinguíamos o sol da lua. 

- Queres-me?- perguntas.

Se tudo o que sentíssemos fosse amor, esta pergunta não existia.

 

 

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publicado às 19:19

por amor

por Closet, em 18.07.14

 

Já perdi a conta às pessoas que amei, e me deixaram. Amei de formas diferentes, mas todas elas genuínas.

Deixaram-me. - Por amor, diziam.

Afastaram-se de mim, abruptamente, deixando no seu lugar um buraco fundo invisível. Para onde são atirados fragmentos de recordações gravadas na pele, e memórias de momentos para sempre perdidos.
Umas despediram-se de mim com algum tipo irracional de explicação, outras simplesmente viraram as costas na escuridão que a ausência perpetua. Mas desapareceram da minha vida. - Por amor, diziam.
Que me lembre, a nenhuma eu pedi para ficar, é certo. Que me recorde, nunca o amor para mim foi substituível.

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publicado às 23:53

Há mais de uma semana

por Closet, em 10.07.14

Há mais de uma  semana que não sei de ti. 

Não te oiço os passos cansados, os horários desencontrados e as conversas misturadas de conforto e carinho.

Há mais de uma  semana que não sei de ti.

Talvez até já tenham passado duas, o tempo sempre entrou em conflito comigo.  Mas desta vez já não me rasgo por dentro, descontrolada. Não sufoco medos ou invento desculpas inúteis e sem sentido.

Não sei de ti. Assumo. Mais uma vez. É só mais uma vez, igual a tantas outras. Como se houvesse na terra um buraco enorme que te engolisse.   Sei agora, com toda a certeza, que voltarás um dia. Apareces assim do nada, sem grandes desculpas ou explicações. E eu já aprendi a aceitar e não questionar. A vida é mesmo assim ao teu lado, um tecido tão raro, mas remendado, que por tantas vezes esgaça. Já aprendi a deixar-te viver nas minhas fantasias e ilusões e a entregar o meu fôlego a tudo o que vou agarrando de verdadeiro da vida.

Sei agora, com a certeza que tanto me queima a pele como me alimenta, a alma que te lembras de mim, sempre, ao acordar. E que me levas contigo à noite nos teus sonhos, aqueles com que aqueces a cama fria.  

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publicado às 00:29

encontras-me

por Closet, em 25.06.14

 

 

Um dia encontras-me num lugar singular, imprevisto.

Chegas devagar e dizes-me:

- "Olá tudo bem?"-  com a habitual voz coloquial, desprendida de significado.

Respondo-te com um sorriso aberto, algo tímido disfarçado. Murmuro:

- "Olá, tudo bem contigo?".

Não haverá lugar a qualquer resposta, nenhum dos dois está verdadeiramente interessado naquela pergunta, tão desprovida de sentido.

Um dia encontro-te no lugar mais recôndito, ou banal. E os dois, em frente ao outro, seremos dois estranhos repelindo orgulho.

Os olhos ainda se tocam intermitentes. Mas s palavras entre nós morreram de espera, miseráveis. Inúteis. Vagabundas.

Um dia encontras-me num lugar qualquer, e o espaço entre nós dois, ainda que minusculo, abrigará um silêncio do tamanho do mundo.

E eu até sou capaz de falar do tempo, e tu até és capaz de me dizer as previsões da meterologia. Ridículos.

Encontras-me, um dia, num lugar estranho, e serás tão estranho como um vulto distante, perdido. 

 

 

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publicado às 01:00

dias sem horas

por Closet, em 15.06.14

Adoro dias sem horas.

Quando o tempo não ocupa espaço entre os momentos.  

Dias onde não existem relógios de ponteiros a limitar instantes únicos e apenas o sol nos acena o desenrolar do dia.

Não há horas, nem minutos, para nada. Há apenas ir e voltar, ou ficar, se assim entender.

Guarda-se o livro apenas quando os olhos cansados pedem para os braços se espreguiçarem na areia, e o corpo dormir se sentir vontade.

E todos os momentos mágicos de conversas e gargalhadas, partilhadas com genuína alegria. 

Adoro dias sem horas, que são aqueles que mais perduram.

 

Estes foram momentos dos últimos dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

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publicado às 22:57

por uma vez que fosse

por Closet, em 05.06.14

 

 

Por uma vez que fosse,

queria ter-te num contexto diferente.

Noutro tempo, noutro lugar, em coordenadas inexistentes num mapa, ou em qualquer parte do sistema solar.

Queria viver-te despido desses fatos escuros cinzentos, das frases e decisões correctas e da obrigações morais.

Dizer-te abertamente "quero-te", nesse preciso momento, sem mais nada, sem precisar de me explicar.

Queria perder-me contigo num espaço apertado, e sorrir-te deliciada, enquanto me afagas o rosto e me prendes o olhar.

E nesse espaço minúsclo onde nos perdemos, é onde nos temos um ao outro, únicos, diferentes, como se o mundo girasse só para nós, para o lado contrário.

Queria ter-te, por uma vez que fosse, perdido a meu lado. Enrolar-me em silêncio dos teus braços, enquanto a lua acorda entre as ondas do mar. 

 

 

 

 

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publicado às 00:12

Nem sempre penso

por Closet, em 23.05.14

 

 

Nem todos os dias penso em ti.
Alguns imponho a distância, atando as mãos rebeldes com que te escrevo. 
Por vezes deixo-te vaguear pelos recantos onde não me vejo.
Existes em mim, simplesmente. Mas não te penso. 
Foste talvez um sonho feliz do meu passado.
E eu talvez ainda sangre um pouco de ti a cada passo, ou rasgue os lábios sequiosos com que te beijo no escuro.
Sei que me persegue o rasto suado do teu corpo esquivo, num compasso apressado, rouco de orgulho.
É assim que te lembro na memória dos meus olhos cansados. A tua pele macia entre os meus dedos, o olhar intenso, esfomeado de amor. Podíamos ter sido os amantes perfeitos, dizias. Houvesse em nós um pouco de calma para assustar os medos, ou coragem para derrotar os enganos.  Mas o tempo avança rápido, curandeiro da sorte.
Agora, nem sempre penso em ti. Sabias?
Por vezes esqueço a dormência com que te amo.

 

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publicado às 23:02

ainda vou a tempo...

por Closet, em 12.01.14

Este ano passei a Passagem do Ano na neve. Na verdade, passei o dia 31 inteiro com os skis nos pés e a cabeça fresquinha!

 

Andei por aqui...

 

 

 por aqui

 

 

 

no meu estilo habitual, falta total de sentido orientação: "é para baixo,certo?"... 

(poderia fazer facilmente uma curta-metragem "Perdida na neve")

 

 

 

 

 

 

Mas ainda vou a tempo de desejar a todos... um BOM ANO!

 

 

 

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publicado às 23:43

Ramos do peito

por Closet, em 26.12.13

 

 

 

Tenho andado a vaguear por aí, sem destino certo.

Reservo a (pouca) escrita para um desafio semanal em que participo, mas que não me permitem publicar.

E nem dei conta e já fiz anos, e já passou o Natal... e já vem aí, a passo rápido, o ano novo...

 

É assustadora a velocidade do tempo e, ainda assim, há tanto que fica preso em nós, como um ramo de árvore num dia de tempestade. Despido, desfeito, atirado para um buraco que o abriga num abraço apertado e o torna prisioneiro. Tanta coisa fica em nós, enquanto o mundo gira lá fora num rodopio estonteante.

Gosto de me sentar junto à janela neste dias de tempestade. Olhar tudo o que o vento conseguiu levar de mim e descobrir o que ficou agarrado em refúgios do meu peito.

Depois respiro fundo, afago os ramos que guardo cá dentro, vejo que alguns ainda me magoam e arranham, outros já se acomodaram e vivem moldados num buraco onde os retenho. Sorrio deliciada para todos aqueles que agarrei com firmeza, ou se agarraram a mim heroicamente, transbordando vida, paixão e encanto. Amo-os. Cada ramo que trago preso no meu peito.

 

 

FELIZ 2014 a todos!

 

 

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publicado às 14:53

12 outonos

por Closet, em 13.10.13

 

 

 

... e já passaram 12 Outonos!

A juventude que lhe corre nas veias é da mesma intensidade da que corre nas minhas para acompanhar os seus desejos mais escondidos, compreender as suas queixas, dúvidas e frustações. 

Ninguem disse que seria fácil... mas é a melhor coisa de mundo festejar as suas pequenas-grandes conquistas e partilhar todos os momentos de felicidade e de simples e pura alegria. Foram 3 dias de festas, como é hábito há 12 anos, com família, colegas e amigos. Cansativo? Sempre. Gratificante? Sem qualquer dúvida.

 

 

O tempo para escrever aqui em sido escasso, e talvez a vontade não tenha superado o cansaço e a hesitação... não porque me faltem as palavras... apenas as tenho guardado, aqui dentro, só para mim.

 

 

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publicado às 23:44


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